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Capital do carro vai ficar a pé

Na próxima terça-feira, Curitiba, a cidade com o índice de motorização mais alto do país (um carro para cada 1,67 habitante), terá a rotina alterada. Será o Dia Sem Carro. Das 6 às 20 horas, as principais ruas do centro da cidade serão bloqueadas. Em vez de carros, o asfalto será espaço para uma série de atividades de lazer, serviços para a população e até o inédito ciclotáxi. E isso é só uma parte da programação prevista para 22 de setembro. A ideia é fazer o curitibano refletir sobre como tornar a cidade mais sustentável do ponto de vista do transporte urbano e da redução de emissão de poluentes. E no dia 23? Tudo como antes?

Para o consultor especialista em trânsito J. Pedro Corrêa, a adesão a esse tipo de iniciativa já é um começo, mas são significa mudança. “Não é um dia de campanha específica, ou alguns dias, que vai resolver. Precisamos de programas permanentes, com ações de longo prazo e objetivos bem definidos”, afirma. Segundo ele, ao fim de campanhas efêmeras, a tendência é que se volte ao mesmo patamar de antes. “Se não houver um trabalho contínuo, sistemático e orientado, vamos fracassar. O que ilumina uma casa são as velas constantemente acesas”, diz.

Leia mais na reportagem da Gazeta do Povo.

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  • A bicicleta não pode transformar-se em um símbolo utópico, na promoção equivocada do Dia sem Carro em Curitiba. O número cada vez maior de carros nas ruas têm, em parte, reflexo dos péssimos investimentos na qualidade do transporte coletivo, e na omissão dos reais custos da operação que coloca a tarifa curitibana entre as 10 maiores do Brasil, além de outras falhas que desrespeitam o usuário.

    Mesmo assim, a Prefeitura estimula o uso do carro ao favorecer a construção de mais avenidas [que não funcionam, como a Linha Verde] em detrimento à ciclofaixas e ciclovias. Na busca de novas alternativas inteligentes que não endividam a cidade, os pedestres e ciclistas ainda precisam sobreviver à ignorância de uma grande parcela dos motoristas que acreditam que as ruas foram feitas somente para seus carros. Mais do que instrumentos de marketing político oportunista, iniciativas como o Dia Mundial sem Carro alertam para que novas posturas sejam adotadas, objetivando a melhoria da qualidade de vida do cidadão achacado por impostos cada vez maiores e mal aplicados.

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