
A cuidadosa reportagem de Marc Tawil mostra uma realidade de estatísticas assustadoras mas, e principalmente, revela como o comportamento do motorista brasileiro (e também de outras partes do mundo) é determinante para endossar tais números. Aqueles a quem ele chama de Senhor Andante, Senhor Volante, como no filme de Walt Disney, se transfiguram de pacatos cidadãos a lobisomens ensandecidos, ao ter um volante nas mãos. “O trânsito de verdade” escreve o jornalista “tem seus protagonistas, coadjuvantes, diretores, enredos e cenários. Tem também bons e maus autores, com a desvantagem de que os últimos podem, numa fração de segundo, estragar o trabalho de uma ou de algumas vidas inteiras”.
O motorista lobisomem, segundo pesquisas, assume ainda a atitude do “você sabe com quem está falando?” quando está no trânsito. Ele imagina que essa postura está garantida pelo pagamento do IPVA, licenciamento e seguro, sente-se o dono da rua, dono daquele pedaço. Um comportamento que soma-se à tendência individualista da população em geral: se, por exemplo, os 6 milhões de veículos (autos, ônibus, caminhões e motos) saíssem ao mesmo tempo, na cidade de São Paulo “não haveria espaço nem para colocá-los enfileirados um atrás do outro”. Não há um pensar coletivo quando se trata da questão. Por outro lado, o repórter aponta quais os principais motivos de angústia do motorista brasileiro e a naturalidade com que as autoridades do país encaram semelhante cenário de caos e destruição diária no trânsito das cidades.
Com um texto leve e preciso apoiado em dados oficiais, estudos e pesquisas, o jornalista descreve a tragédia que é o álcool no trânsito, analisa a forma com que a legislação a respeito é encarada e exercida, fala dos rachas, dos moto-boys, da segurança dos veículos que saem das fábricas e traz à discussão a mais nova causa de acidentes, o celular. Relata ainda histórias comoventes de pessoas envolvidas em acidentes e que perderam entes queridos.
Marc Tawil entrevistou os mais importantes especialistas das várias áreas relacionadas à questão do trânsito e com isso conseguiu compor um cenário bastante abrangente a respeito do tema. Trouxe para os leitores programas consistentes de educação da população e até a proposta de uma grande revolução cultural no pensamento da nação e de seus dirigentes para que possamos minimizar o problema, a exemplo do Japão, “após mais de vinte anos de trabalho sério, se conseguiu reduzir o número de mortos no trânsito de 25 mil para 12 mil por ano”.
Repórter, Marc Tawil ouviu quem trabalha com o tema e personalidades que vivem de perto o drama. Tudo o que disseram está neste trabalho que, certamente, calará profundamente no leitor. Eis uma ótima oportunidade para refletir.
Sobre o autor: Marc Tawil é jornalista e radialista com passagem pelas principais redações da imprensa paulista. Começou como repórter, em 1995, na extinta Resenha Judaica. Ingressou, dois anos depois, como rádio-escuta na Rádio Jovem Pan AM, de onde saiu, em 2000, como editor de Internacional para o Jornal da Tarde. Na editoria de Mundo coordenou coberturas históricas, entre elas a eleição de George W. Bush, os atentados de 11 de Setembro nos EUA, a intifada palestina e as guerras do Afeganistão e do Iraque. Sempre no Jornal da Tarde, foi editor-assistente de Cidades, editor de Polícia e repórter do Primeiro Caderno. Em 2007, assumiu a Chefia de Reportagem do Caderno de Variedades. Tawil também atua na área de Comunicação Corporativa, produzindo e editando publicações e revistas segmentadas.
Coleção Repórter Especial, 96 páginas, 12 x 18 cm, brochura, R$ 16,00 – fone 11 3816 0333 – imprensa@terceironome.com.br









PARA ACABAR COM A CARNIFICINA NO TRÃNSITO DEVE SER CRIADA UMA LEI QUE OBRIGUE TODOS OS CARROS DESTE PAÍS A TER TACÓGRAFO. PASSOU DE 80 A BUZINA DISPARARÁ.
Olá pessoal gostaria de esclarecer minha curiosidade sobre esse valor de multa no valor de 50,15 e dois pontos na CNH, curioso porque na relação dos artigos de 181 à 254 nenhum deles fala desses valore, a não ser que eu esteja enganado, beleza então peço desculpa… porque a multa de valor minimo que conheço entre esses artigos é de 26,60 artigo 254-VI.