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Artigo – Jogo em casa 

Artigo – Jogo em casa
Foto: Romar Rigon

J. Pedro Corrêa aborda a importância e a oportunidade dos programas municipais de segurança no trânsito e o que podem fazer pelo Brasil. 

*J. Pedro Corrêa

Projetos Municipais de segurança no trânsito
Foto: Romar Rigon

Durante quase duas horas debati esta semana com alunos de pós graduação do curso de gestão e direito do trânsito sobre programas municipais de segurança no trânsito. Afinal, a gestão do trânsito tem se tornado uma dor de cabeça para ao administradores municipais e a oferta de gente qualificada é, sempre, um fato promissor para o setor.

As grandes cidades brasileiras têm demonstrado ao longo dos últimos anos maior preocupação com o trânsito e têm buscado formas de equacioná-lo, o que exige conhecimento e investimentos. Já nas cidades de médio e pequeno portes, o desafio é diferente e nem sempre o resultado das tentativas é bom, notadamente nos municípios médios já que os pequenos carecem de recursos humanos e financeiros para investir. Isto é preocupante.

Preocupante porque o jogo do trânsito é jogado no município, é lá que ele acontece, independente do seu tamanho.

Se a cidade for pequena mas as autoridades se preocuparem em organizar o trânsito desde cedo, é natural que quando crescer, a mobilidade local já será bem mais fácil de controlar.

Independente do tamanho da cidade, o processo da segurança no trânsito vai ficar ao sabor da vontade política do prefeito e do gestor do trânsito. Se ele tiver boa vontade, o trânsito será sempre melhor, fará menos vítimas e dará mais orgulho aos seus cidadãos. Infelizmente, o que temos visto são governantes pouco interessados no tema, principalmente por desinformação, pela falta de percepção do quanto está perdendo e do quanto complicará a gestão dos seus sucessores.

Comentei recentemente neste espaço que algumas capitais brasileiras têm se destacado nos últimos anos pelo grande progresso conseguido na gestão do trânsito e da segurança chegando a atingir níveis europeus, o que não é nada fácil.

O que fizeram estas cidades para ter sucesso quando outras capitais, de portes semelhantes, não conseguem?

A resposta é que isto não aconteceu por acaso e é fruto de uma determinação pouco comum na administração pública brasileira. Se pegarmos apenas 3 exemplos – Fortaleza, Campo Grande e Salvador – veremos que estes esforços começaram no início da 1ª Década Mundial, em 2011. Radiografia completa do trânsito da cidade, montagem cuidadosa da equipe de gestão, plano detalhado de ações e alocação mínima de recursos ajudam a explicar. Quase tudo cabe em 4 palavras: persistência, planejamento, dedicação e recursos.

É importante observar que conseguir estes feitos em apenas uma gestão de governo municipal é muito difícil mas é bem possível que já dê para entregar bons resultados ao final da segunda gestão (quando acontece a reeleição e a recondução da equipe para dar sequência ao trabalho). Não há dúvida de que um dos maiores problemas na administração pública brasileira é a falta de continuidade aos bons trabalhos executados na gestão anterior.

A contribuição de ONGs internacionais às capitais brasileiras foi de grande importância mas já é possível enxergar que doravante estas metrópoles já caminham com as próprias pernas e este é o início do grande desafio da continuidade do processo.

Um ótimo exemplo dado por Fortaleza foi ter aproveitado as lições deixadas pela ONG Iniciativa Bloomberg para desenvolver uma cultura de governança no trânsito.

É a questão do “dar o peixe ou ensinar a pescar”. Formar novos quadros dentro da cultura de governança significa que a cidade está comprometida com a melhoria contínua do trânsito. Além disso, pode fazer dele um ótimo cartão de visita de Fortaleza. Oxalá o exemplo seja copiado.

As cidades brasileiras que fazem parte do pelotão de frente – e mesmo as que lutam para chegar lá – têm ótimas chances de melhorar seus desempenhos no trânsito através da intensa disponibilização de informações sobre programas em outras metrópoles mundiais. É claro que estas cidades estrangeiras possuem recursos que não temos por aqui atualmente. Mas precisamos ter claro que poderemos também ter acesso a esta ajuda, basta que nos esforcemos na qualificação de profissionais para esta função. Os bancos multilaterais e outras instituições financeiras internacionais têm muito dinheiro para investir em programas de melhoria do trânsito. Para pleiteá-lo, porém, precisamos apresentar projetos bem estruturados.

O Brasil está numa situação bastante propícia para desenvolver projetos neste campo. Temos um país que já ocupou melhores posições no cenário internacional. Além disso, temos uma necessidade enorme de retomar o nível de desenvolvimento que já tivemos e temos uma população angustiada por crescimento com uma grande parcela necessitando de capacitação em todas as áreas – no trânsito, também.

É fundamental que nossas lideranças – políticas, econômicas e sociais – percebam este momento. Além disso, dediquem-se a aproveitar as chances que estão à nossa frente e ajudem o país a ir adiante. Capacitar equipes gestoras de trânsito, viabilizar projetos que trarão grandes benefícios às nossas cidades é o mínimo que se pode esperar dessas lideranças.

O país está maduro para crescer e não pode desperdiçar oportunidade

Incentivar mais prefeituras a desenvolver programas municipais de segurança no trânsito é imperativo no momento atual. Não importa se não haverá tempo suficiente para deixar implantado um projeto dentro da gestão atual. Dessa forma, vale o esforço de deixar este sonho já alinhavado e em começo de implantação. Além disso vale o trabalho de qualificação de técnicos em trânsito para dar continuidade aos projetos.

Nesta linha, é de se louvar os cursos de formação de técnicos na gestão do trânsito que tem surgido no Brasil. Nesse sentido, eles representam a esperança de um país melhor e onde o direito de ir e vir seja preservado.

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