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Campanhas de Conscientização no Trânsito

Artigo – Missão comprida mas não cumprida 

Artigo – Missão comprida mas não cumprida
Foto: Adailton Camargo

No artigo de despedida de ano de 2021, J. Pedro Corrêa aborda a importância da consciência individual e coletiva da sociedade brasileira para impulsionar um movimento nacional pela segurança no trânsito ao mesmo tempo que o PNATRANS inicia sua arrancada no combate à violência do trânsito.

J. Pedro Corrêa*

Minha intenção era dar uma folga aos leitores deste espaço onde procuro dividir ideias e opiniões sobre segurança no trânsito desde o início de 2020. Mensagens e comentários de leitores de vários pontos do país me incentivaram a não parar pois a coluna havia se tornado um ponto de encontro habitual. Como não sairei de casa até a metade de janeiro, decidi continuar.

Desde que comecei a escrever estes artigos semanais, meu único propósito foi o de trazer informações que abordem a segurança no trânsito e propor discussões sobre temas. São os mesmos objetivos do que fiz durante as mais de duas décadas em que atuei para o Programa Volvo de Segurança no Trânsito assim como dos meus dois livros publicados sobre o assunto: “20 anos de lições de trânsito no Brasil” e “Cultura de Segurança no Trânsito – casos brasileiros”.

Entendo que a comunidade ligada ao trânsito brasileiro precisa melhorar o conhecimento sobre o assunto para poder disseminar o que sabe aos demais segmentos da sociedade.

Somos um país com um nível precário de educação básica e quando falamos de trânsito sinto que o abismo é maior ainda. Daí, minha insistência de que temos que melhorar a cultura de segurança do nosso povo, se realmente estamos dispostos a construir um país melhor e onde o respeito seja a marca maior.

Isto não é fácil, nem simples, muito menos rápido mas tampouco impossível se contarmos com apoio das lideranças nacionais no topo e de boas parcerias na base. Outros países que conseguiram sair de posições de atraso, estão se dando bem em pelotões mais à frente e rumam firmes para resultados ainda mais promissores.

Nestes casos, o papel das lideranças para incentivar as ações de campo foi determinante para o sucesso da empreitada.

É óbvio que devemos reconhecer os difíceis obstáculos que o momento brasileiro enfrenta. Deixemos bem claro, porém, que sempre tivemos e sempre teremos algum tipo de dificuldade. E, desta forma, não podemos ficar esperando o dia em que nada tivermos de problemas pela frente.

Para mim, o ponto mais importante para um grande avanço em favor do trânsito é a tomada de posição por parte da sociedade de que está na hora de agir. Para isto temos de ter consciência da importância de fazer pressão sobre nossas lideranças para conseguir o que é de direito. Estes exemplos são encontrados no mundo todo: grandes conquistas da sociedade foram conseguidas através de movimentos e pressão popular.

Na hora em que a sociedade deixa de pedir para começar a exigir medidas de contenção da violência no trânsito brasileiro, as reações e os resultados começarão a aparecer naturalmente.

Assim, devemos começar pelo posicionamento individual, passando para o familiar para chegar ao coletivo. Bem como, fazer chegar nossas angústias às entidades de bairros, lideranças religiosas das muitas igrejas que congregam grande parte da população. E, finalmente, chegar à escada política, começando pelos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores.

Esta gente não apenas tem a obrigação de ouvir a sociedade como o dever de atender seus anseios. Não cobrar este direito é abrir mão de melhor qualidade de vida que podemos desfrutar através de um trânsito mais humano, disciplinado e respeitoso.

Creio, assim, que o primeiro grande desafio será o de provocar reação na própria comunidade ligada ao trânsito, o que já não é tarefa fácil; uma vez conseguido este objetivo, será a hora de mobilizarmos a sociedade para a ação maior de pressão sobre as lideranças. Cada vez que as lideranças políticas percebem a seriedade de movimentos populares, resultados começam a aparecer. Sem pressão, não tem reação pois se passa a mensagem de que está tudo normal, o que não é verdade.

Como este é um movimento que contribuirá muito com o bem-estar do país, os governos – todos – têm um papel central neste processo.

Através suas áreas de educação e segurança no trânsito, podem cumprir bem melhor seu papel de disseminadores de cultura de trânsito junto a todos os segmentos da sociedade. Educação para o trânsito não é e nem pode ser apenas ensinar as criancinhas a atravessar a rua. Seu papel principal é o de melhorar a segurança e o comportamento da sociedade seja na família, nas empresas, nos sindicatos, nas entidades de classe, enfim, em todas as áreas onde possa haver um fio condutor capaz de levar a informação ao conjunto da população do país.

O ano de 2022 marcará a arrancada do PNATRANS. O sonhado programa de redução de vítimas de trânsito. Além disso, esta será a grande oportunidade de dar um empurrão popular a este processo.

Convoco, assim, a cada adepto da causa da segurança no trânsito a dar sua contribuição individual. Tenha a certeza de que será um gesto apreciado pelos seus filhos e netos, na certeza de que soube agir na hora certa.

Como se vê, trata-se de missão comprida, começada há mais de 30 anos mas ainda não cumprida pois falta muito para ser concluída. Daí, o esforço de todos, é indispensável para continuar.

Boa sorte a todos nós e bom ano novo para todo mundo!

*J. Pedro Corrêa é consultor em programas de segurança no trânsito

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1 Comentário

  1. Cristhian Dimitre

    O título da matéria fala por si, há um grande caminho pela frente e é importante estar ciente que é responsabilidade de todos fazer dar certo.

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