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Chuvas e acidentes atentam para a segurança dos motociclistas 

Bruno Gabriel Conduzindo até debaixo d’água. Com a forte chuva que atingiu o país no último mês e todas as suas desastrosas consequências, os condutores tiveram que ter uma atenção a mais na hora de ir e voltar para casa: não se envolver em ocorrências de trânsito. Mas não houve jeito, os acidentes aumentaram em cerca de 30% e o tempo ainda não deu sinais de melhora. Para o motociclista, a situação se torna ainda mais complicada, já que ele deve ter muita atenção ao passar em pontos vulneráveis a deslizamento de terra, aquaplanagens e até mesmo levar em conta a possibilidade de ser atingido por um raio, uma vez que os pneus para motocicletas não servem de isolantes. Vale ressaltar, porém, que a chuva não é a única circunstância para que ocorram os acidentes envolvendo motocicletas. Na realidade, de acordo com o Denatran, 77% dos casos acabam acontecendo mesmo durante o dia e sem tempo chuvoso. Entre os principais fatores de risco estão o álcool, a desatenção dos motoristas dos outros veículos e a alta velocidade. Um item representativo, todavia, é a falta de atenção dada aos itens de segurança para se conduzir uma moto, prova disso é que 28% dos acidentados não estão utilizando nem ao menos o capacete no momento de uma ocorrência. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Motociclistas, Lucas Pimentel, para haver proteção, é indispensável o uso dos equipamentos de segurança. Esses itens incluem desde o capacete até calçado reforçado, passando por calça e jaqueta com proteção, além de luvas. “O uso dos equipamentos reduzem a gravidade dos ferimentos dos motociclistas em caso de envolvimento em acidentes”, afirma ele. Mas esses equipamentos nem sempre são usados. “Para os motociclistas, de um modo geral, parece que somente o uso do capacete está regulamentado como item de segurança”, completa Pimentel. Esse tipo de pensamento por parte dos motociclistas leva a uma associação da moto com um veículo que pode ser conduzido sem atenção às normas. Foi o que aconteceu em Curitiba, no início do mês de abril, com o estudante Anderson Veiga Alves, de 14 anos. O jovem morreu após pegar a moto emprestada de um vizinho, perder o controle e bater violentamente contra um poste. O caso, além de chamar a atenção pela idade do garoto, alertou para a importância que se deve dar às normas do Código de Trânsito Brasileiro. O dono do veículo não só cedeu seu veículo a uma pessoa sem habilitação, como também não obtinha a documentação atualizada da moto, que foi apreendida. E esse foi apenas um dos acidentes ocorridos na capital paranaense envolvendo motocicletas. Segundo dados do Bptran do Estado, estima-se que aconteçam 238 acidentes de moto com vítima por mês em Curitiba, o equivalente a oito por dia ou um a cada três horas. Para o especialista em trânsito Celso Alves Mariano, esses acidentes ocorrem por dois fatores principais: a frágil formação dos motociclistas e a falta de reconhecimento de profissionais ligados às motocicletas. O primeiro dos fatores citados é explicado por Mariano como sendo uma falha geral do processo. “Por melhor que seja o CFC que esteja formando esse motociclista, passa-se por um processo frágil. A tendência do Brasil é ensinar para passar na prova e não necessariamente para formar condutores”, afirma. Nesse contexto, a deficiência na formação da categoria A acaba se juntando ainda com a falta de reconhecimento da própria sociedade quanto aos profissionais que trabalham com moto. Segundo Mariano, é necessário que se passe a enxergar a motocicleta como um veículo útil. “Só a partir do momento em que houver uma cultura de não exploração e de respeito aos motoboys, deixará de existir resistência quanto ao uso de equipamentos obrigatórios e até mesmo de uma cobrança maior por parte da sociedade em relação a isso”, finaliza.

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