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Durante a viagem, o cuidado com as crianças deve ser redobrado 

O uso correto do dispositivo de retenção pode prevenir em até 71% as lesões ocorridas devido a acidentes de trânsito

Mariana Czerwonka

Eram dez horas da manhã, de um dia ensolarado de primavera. Dr. Marcos, médico, viajava com a esposa e dois filhos para o litoral. M., de dois anos, estava sentado na cadeirinha de segurança enquanto L., sete anos, estava solto no veículo. Próximo do local de destino, um veículo desgovernado atravessou a pista e bateu de frente com o carro do médico. A velocidade em que estavam não ultrapassava os 60 Km/h. Dr. Marcos e a esposa, que estavam de cinto de segurança, tiveram ferimentos leves, o pequeno M., nada sofreu, porém L., que estava sem proteção, teve várias lesões, foi operado, ficou dias internado e perdeu os movimentos das pernas. L., nunca mais poderá correr, pular e brincar como uma criança normal. Como esta história existem diversas no Brasil. Algumas inclusive com o final mais trágico. Segundo dados do Ministério da Saúde, por ano, mais de 1200 crianças morrem como ocupantes de veículo, porém, segundo Dr. Edílson Forlin, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica, este número pode ser muito maior. “A imprecisão e a diferença nos dados de diversos órgãos aliadas a falta de um sistema de acompanhamento de crianças internadas são alguns dos fatores que nos dizem que este número pode ser muito maior”, alerta. Para os especialistas e estudiosos se as leis de trânsito fossem respeitadas, se existisse educação para o trânsito em todas as escolas e se as ruas e estradas tivessem sinalização e estrutura perfeita, em cada dez crianças destas que morrem, nove poderiam se salvar. Para que isso possa acontecer, o primeiro passo, segundo Dr. Edílson Forlin é que os pais devem se conscientizar que não basta as crianças estarem de cinto de segurança, é preciso respeitar o que está na lei (Resolução 277/08 do Contran). “Elas precisam ser transportadas com sistemas de retenção ou cadeirinhas de segurança, aprovadas pelo Inmetro, e de acordo com a idade da criança”, diz. De acordo com a Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os recém-nascidos de até um ano de idade devem ser transportados no bebê-conforto, de um a quatro anos, em cadeirinhas, de quatro a sete anos e meio, em assentos de elevação (booster). O uso somente do cinto de segurança (sem outros equipamentos) está liberado a partir dos 7 anos e meio. A criança deve ter, no mínimo, 1,45 m de altura. Até os 10 anos, as crianças devem ir sempre no banco de trás. O NHTSA – National Highway Traffic Safety Administration, órgão dos Estados Unidos equivalente ao nosso Inmetro, assegura que cadeirinhas de segurança são os sistemas de retenção mais eficientes na prevenção de lesões em caso de colisão. Depois de realizar os “crash-tests” com diversas marcas, técnicos do NHTSA provaram que crianças que estejam em cadeirinhas certificadas conforme padrões internacionais, de acordo com o seu peso e sua idade e instaladas corretamente, tem duas vezes mais chance de sobreviver a uma colisão do que aquela que está solta, e se estiver de costas para o movimento as chances de sobreviver chegam a 71%. Bebês Para Dr. Edílson, um dos maiores enganos das mães é achar que transportar seus bebês no colo é o mais seguro. “Numa colisão em velocidade comum nas cidades, 30 a 50 Km/h, a mãe pode apertar o bebê com força nos seus braços, se dobrar sobre eles, ou soltá-lo. Em todas essas situações- ou na sua somatória- lesões podem ser produzidas” diz. Ele lembra ainda da fragilidade dos bebês. “Pela sua área corpórea muito pequena, os bebês têm mais chance de ter lesões múltiplas, nesse caso, no tórax e abdômen, e portanto mais graves. Por este motivo, o mais seguro é colocar o bebê em cadeirinhas do tipo bebê conforto, de costas para o movimento, até 1 ano de idade”, finaliza. Alessandra Françóia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura, afirma que além de estar na cadeirinha é muito importante que esta esteja instalada corretamente. “A cadeirinha não pode se mover mais que dois centímetros para cada lado e o cinto, da cadeirinha, deve ter a folga de apenas um polegar com o corpo do bebê.” Crianças Para evitar que aconteça com outras crianças o que aconteceu com L., as crianças de 1 a 4 anos devem estar em cadeirinhas próprias para esta idade e de 4 anos a 7 anos e meio, em assentos de segurança. Porém, independente da idade, especialistas recomendam o uso do assento até pelo menos 1,45m de altura. O que importa é que cada vez mais os pais não têm desculpas para não proteger seus filhos. “Não conhecer sistemas de segurança e não usar é ignorância, mas conhecer, saber da importância e não usar é negligência dos pais”, conclui Lívia Fernandes, mãe de uma garota de quatro anos. Cadeirinhas em cintos abdominais Segundo determinação do Contran, para não levar multa, em carros que possuem apenas cintos abdominais no banco de trás, existem duas opções: 1° Será permitido o transporte de criança no banco dianteiro (na frente) desde que utilize o equipamento correspondente a idade dela e com cinto de três pontos. (bebê-conforto, caderinha ou assento de elevação). 2° Será permitido o transporte de crianças com idade de 4 a 7 anos e meio utilizando apenas o cinto abdominal no banco traseiro sem a necessidade do assento de elevação. As cadeirinhas e o bebê-conforto devem ser utilizados no banco de trás, mesmo com cintos abdominais. De qualquer forma, a ONG Criança Segura alerta: a não utilização do assento de elevação ou a instalação da cadeirinha no banco da frente livra o responsável da multa, mas não a criança de uma lesão grave ou até da morte no caso de um acidente. Instalada no banco da frente, a cadeirinha pode ter sua função de segurança reduzida e para as crianças maiores, que deveriam utilizar o assento de elevação, o uso somente do cinto de dois pontos não é a forma mais segura de transporte. Além disso, segundo o a Criança Segura, toda a discussão poderia levantar também a oportunidade de rever o problema do cinto de dois pontos, que há muitos já não é considerado um item adequado para segurança. Hoje circulam pelo País cerca de 9 milhões de veículos que já expõem seus passageiros ao risco devido à presença deste tipo de cinto. “Perde-se um pouco a segurança que os dispositivos oferecem. Isso porque não foi atacado o problema, que é o cinto de dois pontos, que não é seguro. Seria uma boa oportunidade para corrigir isso”, alerta Alessandra Françoia. Para ela o ideal seria, se possível, a troca do veículo. “Reforçamos aos responsáveis que considerem verdadeiramente a possibilidade da substituição do veículo para modelos fabricados após 1999, já equipados com o cinto de segurança de três pontos. O uso dos dispositivos de retenção é a única forma segura de transporte de crianças em veículos”, conclui.

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