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Em 5 anos, venda de scooters cresce 801,4% no Brasil 

Scooter vendasMas até agora o segmento representa só 1,8% do mercado de motos. Agilidade e praticidade atraem usuários; rodas pequenas podem ser risco

Em cinco anos, a venda de scooters no Brasil saiu praticamente do zero e cresceu 801,4%, passando de 3.280 unidades, em 2007, para 29.566, em 2012, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motos (Abraciclo). Em comum com as motos convencionais, estes veículos proporcionam agilidade no trânsito, mas se diferenciam pelo conforto e maior praticidade oferecidos.

Câmbio automático, assoalho para repousar os pés, maior proteção aerodinâmica e, geralmente, espaço para levar objetos embaixo do banco têm feito pessoas trocarem carros, transporte público e até motos tradicionais pelos scooters.

“É um verdadeiro companheiro. Antes não conseguia fazer quase nada durante o dia. Agora arrumei tempo para estudar e ir à academia”, diz Ana Paula Hofman, administradora de empresa de São Paulo, sobre seu scooter.

Antes, a motociclista fazia o percurso para o trabalho de metrô e levava em média 1 hora por trecho. Com o scooter o tempo diminuiu para 20 minutos, diz ela. “Gasto só uns R$ 15 por semana”, afirma Ana Paula, que possui um Kasinski Prima.

Ela diz que escolheu um scooter pela oportunidade de levar mais objetos. “No baú consigo carregar a minha bolsa e outras coisas com facilidade. É fácil de dirigir, pelo câmbio automático. Não troco por carro”, acrescenta a administradora.

Preocupada com os congestionamentos no trânsito, Lídia Maria de Oliveira, estudante de biologia de Belo Horizonte, optou por um scooter como seu primeiro veículo. “Nunca tive carro e também não resolveria o problema, pois ficaria presa no trânsito”, diz a dona de um Honda Lead, que tirou a habilitação no ano passado.

Sobrevivendo a anos ruins

O segmento de motos, em geral, teve uma baixa de 20,9% nas vendas em 2012. Os emplacamentos de scooters também caíram, porém, bem menos: 5,3% sobre o ano anterior.

Em 2011, quando começou a crise no setor de duas rodas, as vendas de scooters foram 3,7% menores do que em 2010, o melhor ano do setor no Brasil, com 32.405 scooters comercializadas.

Apesar de disparar em 5 anos, os números do segmento no Brasil não impressionam quando comparados com os da Europa. Na Itália, os scooters são um ícone, com a Vespa, e representam 71,3% das vendas de motos. Em 2012, mesmo com o mercado italiano em crise, foram emplacadas 147.119 unidades, de acordo com a Ancma (Associazione Nazionale Ciclo, Motociclo e Acessori), a associação das marcas de motos no país.

No Brasil, com as atuais 30 mil unidades por ano, o segmento ainda representa apenas 1,8% das vendas de motos, que ultrapassaram 1,6 milhão em 2012. Mesmo que o uso de scooter seja cultural na Itália, e em outros países como França e Espanha, as menores vendas no Brasil também são explicadas pela baixa oferta de modelos deste tipo no país.

Líder de mercado brasileiro, a Honda oferece apenas dois scooters por aqui, enquanto, na Itália, vende 13 modelos diferentes, o que indica ainda haver muito espaço a ser explorado pelas fabricantes.

‘Menos visado’ do que moto

Outro ponto que tem atraído consumidores para os scooters é o fato de estes veículos serem menos visados por bandidos do que as motocicletas tradicionais, de acordo com seus proprietários.

“Tive uma (Honda) CG, mas levaram no farol e ainda fiquei pagando o financiamento. Também já tive Fusca, Brasília e Voyage. Em 2006, comecei a fazer faculdade, mas só conseguia chegar na segunda aula, pegava muito trânsito com o carro, então comprei um Burgman (Suzuki)”, afirma Vanderlei Severo dos Anjos, 38 anos, eletrotécnico de Embu das Artes (Grande SP).

Para ele, entrar para o mundo dos scooters foi poder voltar às duas rodas. “Se não fosse scooter, teria medo de andar de moto, porque já me roubaram. No trânsito, as pessoas ainda têm um respeito maior pelo scooter”, explica Severo.

Encara a estrada?

Severo já está no quarto scooter e garante que seu “companheiro” atual, um Prima, também é bom de estrada, apesar de nitidamente ter aspecto urbano, e diz já ter ido até Argentina e Uruguai com o veículo.

No entanto, mesmo que possam ser utilizados em rodovias, os scooters de baixa cilindrada podem sofrer um pouco, principalmente em estradas com muitas subidas. Devido ao câmbio do tipo CVT, as retomadas são mais lentas que em câmbios convencionais.

Scooter com ‘cílios’

O eletromecânico Severo aproveitou seus conhecimentos para personalizar o veículo, colocando um dispositivo de iluminação diferenciado e um sistema de som na “motinha”, para deixar viagens e deslocamentos na cidade mais agradáveis.

Para deixar o seu modelo exclusivo, Sandra Rocha, de 44 anos, de São Paulo, também alterou seu Dafra Laser para dar um toque feminino. “Coloquei este adesivo para dar um charme, o pessoal fica admirando”. Os adesivos imitam cílios humanos. Ela usa ainda uma imagem de borboleta no para-lama dianteiro.

Rodas pequenas são risco

Uma das principais vantagens do scooter é seu tamanho, mas alguns modelos trazem rodas pequenas, de 10 polegadas, que podem se tornar um empecilho nas ruas das cidades brasileiras. “Não que isso leve você a cair, mas pode sofrer em buracos”, explica designer Alex de Souza Valdarnini, de 38 anos, de São Paulo.

Por este motivo, o paulistano acabou escolhendo um modelo de rodas maiores, um italiano Malaguti Password 250, de 14 polegadas. Ele utiliza o veículo diariamente para ir de reunião e reunião, sempre vestido socialmente.

Outro adepto das “rodas grandes” é o advogado Bruno Ramos, de 31 anos, que vive em Florianópolis. Proprietário de uma moto Suzuki GSX 750 F, ele deixa a esportiva em casa para utilizar seu Dafra Citycom 300i durante a semana e também nos finais de semana.

“Todo mundo sabe que o trânsito está complicado, assim como o espaço para estacionamento é escasso”, diz Ramos, que levava 40 minutos para ir ao trabalho de carro e agora gasta 10.

“Escolhi por não ter marcha e, como trabalho de roupa social, mesmo com um pouco de chuva a proteção frontal não deixa eu me molhar”, explica Ramos, que esporadicamente também se aventura por estradas com seu scooter. Devido a suas carenagens, ao escudo frontal e bolha dianteira, a proteção aerodinâmica nos scooters é superior a das motos.

Mais simpático

Além de usuário assíduo, Valdarnini acompanha o mercado de scooters brasileiros desde o seu primeiro “boom”, que ocorreu com a chegada do Burgman 125, em 2005. A paixão por estes veículos levou ele e amigos a criarem o Scooter Clube do Brasil, um grupo que realiza discussões sobre produtos, além de passeios.

Desde sua criação em 2004, o grupo já juntou mais de 5 mil usuários de scooters. “Na época, ter um scooter era um diferencial. Sentimos que havia pouca informação e história, e criamos o grupo”, explica Valdarnini. Daquela época até os dias de hoje, as coisas mudaram bastante e, com os investimentos de Suzuki, Yamaha, Dafra, Kasinski e Honda, as vendas alcançaram os números atuais.

Para ele, o motivo de conquistar tantos novos usuários está, além da praticidade, na simpatia que o veículo transmite. “O scooter possui uma outra forma de pilotagem. Na rua, as pessoas sentem mais simpatia por eles do que pelas motos”, diz Valdarnini.

Biz é scooter?

Além de serem diferentes das motos, os scooters também podem ser confundidos com modelos do segmento Cub, como a Honda Biz e a Yamaha Crypton, mas são diferentes em sua estrutura.

“No scooter, o usuário vai sentado, em posição mais relaxada, enquanto na moto vai montado”, explica o designer.

Os modelos Cub têm, na maioria dos casos, câmbio do tipo semiautomático, não trazem assoalho como o scooters e geralmente existe pouco espaço para carga sob o banco ou nenhum, motivo que levou a estudante Lídia Maria a escolher o scooter. “Preferi o Lead ao invés da Biz por causa do espaço embaixo do banco”, explica a mineira.

Comparado a modelos de outros segmentos da mesma cilindrada, os scooters tem valor similar ou ligeiramente maior. Além disso, por contarem com câmbio automático, sua manutenção também é sensivelmente mais cara. Em caso de queda, por ser envolto em carenagens, os reparos geralmente se tornam mais caros.

Novidades a caminho

O lançamento do PCX 150 pela Honda neste ano, um modelo mundial moderno, que traz entre outros atrativos o sistema “start-stop” foi outro passo importante para o nicho. Já presente em carros mais caros, este dispositivo estreia nas motos com o PCX e desliga automaticamente o motor nos semáforos após 3 segundos parado e o religa automaticamente quando o motociclista acelera.

Com apenas 4 meses na loja, o PCX já é líder de mercado, superando seu “irmão” de marca, o Honda Lead 110. O ano ainda deve ter mais novidades para o Salão Duas Rodas, que acontece no mês que vem, e a Dafra, que atualmente possui o Smart 125 e Citycom 300i, já sinalizou que deve ter ao menos mais dois scooters no Brasil; um deles será o Maxsym 400i. A Yamaha, além da T-Max 530, que acaba de ter a importação confirmada pela empresa, deve apostar em um sucessor para o Neo, que saiu de linha neste ano no país.

Fonte: Revista Auto Esporte

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