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Média de mortes por acidente de moto cresce 277% de 2002 a 2013 

Média de mortes por acidente de moto cresce 277% de 2002 a 2013

Acidente com moto

De 2002 a 2013, as médias de motociclistas mortos e feridos por dia no Ceará cresceram 277% e 162%, respectivamente. Especialistas sugerem medidas e criticam fomento do Governo à compra do veículo particular

Uma cidade inteira de sequelados ou mortos. Parece roteiro apocalíptico de filme hollywoodiano. Mas, numa analogia numérica, é vida real. É uma Morada Nova habitada só por vítimas de acidentes com motocicletas. Ou uma Pacajus. Ou uma Camocim. Ou, ainda, os bairros fortalezenses do Dendê, Meireles, Pedras e Papicu, juntos. Entre janeiro de 2002 e junho deste ano, 62.411 pessoas ficaram feridas ou morreram ao envolverem-se em ocorrências de trânsito sobre duas rodas no Ceará.

Conforme relatórios do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) analisados pelo O POVO, a média de motociclistas mortos por dia saltou de 0,7 para 2,64. Um crescimento de 277%. A média de feridos também subiu. De 9,3/dia para 24,4/dia. Um inchaço de 162%. Foram 5.472 mortos nestes 11 anos e meio. O equivalente a todos os moradores do Dendê. Já os feridos foram 56.939. Algo como as populações do Meireles, Papicu e Pedras somadas.

Mortes e ferimentos que poderiam ser evitados, segundo quem lida com o problema, em até 90% se poder público e condutores adotassem medidas listadas ao O POVO por estudiosos da área. “O foco de mobilidade hoje é o veículo motorizado particular. É preciso mudar isso! O argumento de que é “pro futuro” é coisa de gente que não quer fazer. Pra começo de conversa, poderíamos ter um discurso político mais ético. Porque o mesmo governo que diz que quer salvar vidas é o que subsidia a venda de veículos reduzindo impostos”, critica a professora do curso de psicologia da UFC e pesquisadora em mobilidade humana, Gislene Macêdo.

Ela cobra prioridade – orçamentária e de pacto cooperativo entre municípios, estados e União – na execução de medidas preventivas, seja por meio de fiscalização ou campanhas de educação em massa. “É certo que algo vai acontecer. A gente só não sabe quem será. Mas sabe que algum motociclista ficará ferido ou morrerá todo dia no trânsito. Se a gente sabe disso, não é acidente. O que se deseja? Um milagre? Isso não existe. Só existe trabalho. É preciso expor a ferida para cuidar dela.”

Já o doutor em engenharia de transportes pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e professor do curso de Engenharia de Transportes da UFC, Flávio José Carneiro Cunto, defende melhor capacitação para quem tem a moto como instrumento de trabalho. E mais blitze.

Sim, fiscalização é fator importante para a redução dessa matança sobre rodas. Assim como melhorias emergenciais na oferta e operação do transporte público para conter um crescimento ainda maior da frota de motos. A média de aumento é de 17% ao ano. Cerca de três vezes mais rápido do que o inchaço dos demais veículos de passeio.

Reconhecer a própria vulnerabilidade (ou a vulnerabilidade alheia, no caso de quem está em motorizados fechados) e ser prudente nas manobras também ajuda. “Sendo inevitável o acidente, temos que investir em minimizar suas consequências garantindo que todos os usuários vulneráveis estejam devidamente equipados e o sistema de atendimento de urgência funcione adequadamente. Ou seja: viaturas suficientes e estrategicamente posicionadas e hospitais com estrutura mínima de atendimento”, indica Cunto.

Entenda a notícia

Em 11 anos e meio, 5.472 pessoas morreram vítimas de acidentes de motos no Ceará. Os números são de guerra O ano deve terminar com um número recorde de mortos e feridos em acidentes com veículos de duas rodas. Cada um tem sua cota de responsabilidade.

Fonte: O Povo

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