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Mulheres são 25% sobre duas rodas 

Ano passado, no Ceará, foram emitidas mais de 97 mil habilitações para motocicletas apenas para o público feminino

Apesar da retração na venda de motocicletas em 2012, devido à competição dos carros com o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) reduzido, tem se observado nas concessionárias um crescimento da procura por parte de um público antes não tão atraído pelo setor: o feminino.

Ano passado, no Ceará, 97.440 mulheres tiraram a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias para o veículo (A, AB, AC, AD e AE), representando crescimento de 20,2% em relação a 2011, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE).

De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo), as mulheres hoje representam 25% dos consumidores do produto no País, contra 17% em 2001. Na concessionária Auge Motos de Fortaleza, por exemplo, elas foram responsáveis por 22,39% das vendas de 2012. Desse total, 31% foram mulheres entre 20 e 30 anos e 31,54% tinham entre 30 e 40 anos. A preferência é pelos modelos de 100 a 300 cilindradas, representando 91% do comercializado.

Motociclista no dia a dia

Seguindo as estatísticas, a cabeleireira Ângela Silva, 32, comprou uma moto há um pouco mais de um ano, logo após tirar habilitação. Segundo ela, as dificuldades em chegar de carro no trabalho, devido ao fluxo do trânsito, impulsionaram a decisão.

“O que eu gastava em uma semana com o carro, que era uns R$ 30, gasto por mês com a motocicleta”, destaca. Apesar do IPVA do veículo ser mais alto, ela garante que “vale a pena”. Contudo, Ângela ressalta que o risco de acidentes é bastante alto, sendo necessário muita atenção.

Já a motogirl Crisland Bastos, de 38 anos, diz que a maior dificuldade das mulheres que andam de motocicleta é superar o preconceito. “As pessoas acham que a gente não tem capacidade, mas nós temos muito mais cuidado que o homem”, comenta.

Durante os onze anos de profissão, Crisland já teve três veículos próprios do tipo. Na hora de escolher o produto, ela diz se preocupar principalmente com conforto e economia. Além desses itens, a gerente comercial da Auge Motos, Thayna Maia, destaca que o público “adora a cor rosa, em falta no mercado”. “Elas são mais detalhistas, se preocupam com acessórios. Muitas delas têm poder financeiro e de decisão, comprando para casa, para o filho, o marido”, diz.

Já o gerente da Sam Motos Yamaha, Marcos Pinheiro, afirma que boa parte das consumidoras são jovens solteiras entre 20 e 28 anos que usam como meio de transporte para ir ao trabalho. “Vemos um crescimento desse público a cada ano. Mas elas não são mais exigentes que os homens, tirando o capacete rosa. Por isso, as montadoras têm investido em linhas com cores diferenciadas e chamativas, como roxo e lilás”.

Na concessionária Motoshop, a cada dez motocicletas vendidas, duas são para mulheres, segundo o diretor comercial da loja, Israel Lisboa. “O público feminino vem ocupando ainda mais espaços masculinos e não é mais obstáculo usar a moto, que era taxada como veículo de um sexo só. Elas tem habilidade e agilidade natural. Além disso, há o apelo do trânsito que estimula bastante a compra”, diz.

Segundo ele, muitas das clientes optam por personalizar com adesivagem. Também buscam modelos com porta luva debaixo do banco – para guardar a bolsa -, com posição de pilotagem e acabamento mais delicados.

Perfil

O Anuário da Indústria Brasileira de Duas Rodas 2012, da Abraciclo, revela que 31% das habilitadas em 2011 no País tinham de 31 a 40 anos de idade, 24% de 26 a 30 anos e 18% de 23 a 25 anos.

Fonte: Diário do Nordeste

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