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Número de motociclistas mortos em acidentes dobra em 10 anos no país 

Número de motociclistas mortos em acidentes dobra em 10 anos no país

Acidentes com motociclistasFrota de motocicletas no Brasil já representa quase a metade do número de carros. Em 2013, último dado disponível, 11.600 motoqueiros morreram

A frota de motocicletas no Brasil já representa quase a metade do número de carros. E o aumento acelerado dessa presença nas ruas alimentou uma situação trágica.

Quando é possível, a recuperação é dolorosa. Na maioria dos casos, leva meses e pode deixar sequelas. Motoboy há 15 anos, Rodrigo foi atingido por um carro três meses atrás. Quebrou sete costelas, um osso do braço, outro do ombro e ainda teve o pulmão perfurado. Trabalhar com moto?

“Quero mais não. Chega. Às vezes pode ter sido até um aviso”, diz Rodrigo.

Seja no Hospital das Clínicas de São Paulo, seja nos prontos-socorros país afora, as histórias se repetem. Moto, carro, ônibus, caminhão, bicicleta e, claro, pedestre. Nas grandes cidades brasileiras, a disputa por espaço nas ruas é cada vez mais feroz e trágica. Um levantamento feito pelo Jornal Nacional com base em dados do Ministério da Saúde mostra nos últimos dez anos, a média no país de mortes provocadas por acidentes de moto dobrou.

Levando-se em conta o total de mortes em acidentes de trânsito no país, em 2004, os casos envolvendo motociclistas eram 14%. Em 2013, último dado disponível, subiram para 28%, ou seja, 11.600 motoqueiros morreram.

Proporcionalmente à população, o pior quadro é o do Piauí. Na capital, Teresina, é comum ver gente circulando sem capacete, quatro em cima da moto e, ainda, crianças sendo levadas sem a menor proteção.

A médica Júlia Greve, que estuda o assunto, alerta que a frota de motos já é quase a metade da de carros no país e que a falta de respeito às regras é geral, não só dos motociclistas.

“Eu acho que parte do comportamento inadequado dos nossos condutores de maneira geral se deve basicamente porque eles sabem que não estão sendo fiscalizados e existe uma sensação de impunidade em relação a isso”, afirma a professora da faculdade de medicina Júlia Greve.

Já Sérgio Ejzenberg, especialista em trânsito, diz que hoje morrem mais motociclistas do que pedestres no Brasil. Um dos motivos é a falta de campanhas educativas.

“Nas cidades, existe um pouco mais de consciência em relação ao pedestre, as campanhas fizeram isso. Mas parece que para os motociclistas a coisa está rolando muito solta em muitas e vastas regiões do país”, defende Sérgio Ejzenberg.

Mesmo depois de uma fratura exposta e duas cirurgias, Reginaldo diz que vai voltar a andar de moto. Mas vai ter que esperar. Por enquanto o veículo dele é um par de muletas.

Fonte: Jornal Nacional

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