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Perfeccionistas são mais suscetíveis ao medo de dirigir 

Dirigir é um ato simples e automatizado para muitos, mas pode se tornar um desafio a quem se sente bloqueado por algum trauma ou fobia relacionados ao volante. A origem do medo pode ser um acidente, por exemplo. “Se a pessoa passou por um trauma, a marca faz com que se tenha medo de sentir aquilo de novo”, diz a psicóloga Cecilia Bellina, especializada em trânsito. A personalidade também influencia. “Quem é perfeccionista ou sofre demais ao errar na frente dos outros costuma ter dificuldades para se desenvolver ao volante”, afirma a psicóloga.

Esse é o perfil do supervisor de vendas Rubens Carmo Becker, 52, que está tirando agora a carteira de habilitação. Becker já havia tentado outras vezes, mas, segundo ele, sempre ocorria um problema na hora do exame prático. Ele considera que as faltas e as distrações eram atos falhos. “Não tinha medo do trânsito. Minha preocupação estava no julgamento do outro”, avalia. Após algumas tentativas, ele se resignou. “Sempre andei de táxi ou no banco do motorista, com minha mulher dirigindo. Coloquei na cabeça que não precisava guiar.”

Durante um processo de terapia, Becker chegou à conclusão de que poderia -e queria- ter habilitação. Foi então que procurou uma autoescola que oferecia tratamento para o medo de dirigir. Ele passou a fazer aulas práticas de direção juntamente com a terapia e, em novembro, passou no exame. Para Cecilia Bellina, o medo de dirigir é um dos mais difíceis de curar, pois, devido à dinâmica do trânsito, não é possível enfrentá-lo sozinho. “É um temor que incomoda, porque as pessoas precisam dirigir todos os dias, não é algo esporádico.”

Outra característica comum àqueles que passam pelo problema é a ansiedade. “O trânsito oferece condições de estresse que geram ansiedade, principalmente em quem não consegue enfrentar riscos”, afirma o psiquiatra Júlio César Fontana Rosa, professor da Faculdade de Medicina da USP e integrante da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego). Segundo ele, alguns apresentam sintomas como palidez e taquicardia. Para Fontana Rosa, certo temor no motorista o faz ficar alerta, mas não pode chegar ao nível de tirar a tranquilidade mínima necessária. Para Patrícia Leme, 28, o medo de dirigir é coisa do passado. Ela foi habilitada aos 20 anos, mas sempre arrumava desculpas para não guiar e chegou a deixar o carro que ganhou do pai um ano na garagem. “Minhas pernas tremiam e eu suava frio só de dar a partida”, relembra. Cansada de passar 1h30 no ônibus de casa para o trabalho, decidiu procurar ajuda. Após um ano e dois meses de tratamento em uma clínica, onde fazia terapia em grupo, conseguiu superar o medo. “Sou muito tímida e hoje ganhei confiança. Pego até estrada.”

Fonte: Folha.com

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