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Comunicação no trânsito é fundamental – II 

Comunicação no trânsito é fundamental – II
O brasileiro no geral não faz o gênero belicoso, briguento. A não ser que estejamos falando de trânsito.
Comunicação no trânsito
O brasileiro no geral não faz o gênero belicoso, briguento. A não ser que estejamos falando de trânsito.

Tenho tido várias oportunidade de conversar com jornalistas cada vez mais interessados e ligados no assunto trânsito. Considero a comunicação no trânsito fundamental. Já falei sobre isso aqui no Portal. Um dos bons papos que tive recentemente foi com Marcelo Fachinello, no programa Papo em Dia, da TVE do Paraná. Ele começou falando sobre trânsito e mobilidade serem assuntos que envolvem saúde e educação e que, por essas e outras, diz respeito a toda coletividade. Eu adorei essa abordagem, claro.

A tendência das pessoas tratarem trânsito de forma individual, restrita e egoística, é uma das principais dificuldades para o enfrentamento deste problemão e para a busca inteligente de soluções. Comemoro quando percebo a evolução que nossa sociedade está demonstrando em relação aos problemas de mobilidade. E as abordagens dos jornalistas são um ótimo termômetro para isso.

Lembrei logo do antropólogo Roberto DaMatta*, uma das pessoas que mais entende da alma do brasileiro, que nos diz que no trânsito, em especial, se manifesta um conflito entre um “Brasil antigo”, do tempo da monarquia, que ainda fala alto em cada um de nós, onde queremos ser “amigos do Rei”, e um “novo Brasil”, a partir da república, onde somos pretensa e forçosamente “democráticos”. O conflito vem dessa polarização, da dificuldade de lidarmos com esses extremos opostos.

No trânsito esta dicotomia se manifesta plenamente quando queremos, sim, o rigor da lei de trânsito, mas para os outros. Para nós mesmos, queremos tolerância, indulgência e perdão. É difícil de entender isso. O brasileiro no geral não faz o gênero belicoso, briguento. A não ser que estejamos falando de trânsito. Lá ficamos irritados, nos sentimos invadidos, desrespeitados e perdemos a esportiva. O brasileiro não é frio, não é egoísta, mas no trânsito ele manifesta egoísmos inconfessáveis e comportamentos que em outros ambientes reprimiríamos sem maiores dificuldades.

E sofremos muito por querermos benefícios individuais num ambiente onde forçosamente tudo é democrático. Mas não só por isso. Há um sofrimento que sentimos na carne: matamos mais de 40 mil pessoas/ano. Em números “não-oficiais”, passa de 60 mil mortos. A cada 10 ou 11 minutos alguém morre no trânsito brasileiro. E umas 500 mil pessoas ficam feridas em acidentes de trânsito a cada ano. Sem falar em umas, talvez, 150 mil vítimas que ficam com sequelas graves e permanentes. O que leva a um terceiro nível de sofrimento, na área econômica e na previdência, pois estes sequelados serão um sobre-peso que país nenhum merece, na divisão do bolo da aposentadoria.

Não merecemos, mas fazemos por onde. Temos inúmeras falhas na concepção, infraestrutura, regras, fiscalização, administração e políticas de nossa mobilidade. Exigimos consumo zero de álcool para quem vai dirigir, mas não temos bafômetros – ou agentes de trânsito – suficientes para fiscalizar. Contemplamos números que deixam muito clara a contundente participação do fator comportamento nos acidentes de trânsito, mas não levamos educação para o trânsito à sério. E por aí vai.

Mas há quem seja otimista e não pare de tentar. Estou neste grupo. E parte da minha conversa neste episódio de estréia do programa Papo em Dia, foi sobre os projetos Salvando Vidas no Trânsito e Transitare Mobilidade. O primeiro é do Rotary, com participação do Instituto Prevenir, e o segundo é da Tecnodata Educacional. Ambos têm o apoio da Câmara Setorial de Trânsito da Associação Comercial do Paraná.

O Projeto Salvando Vidas no Trânsito instrumentaliza escolas com material didático e treinamento de professores para o desenvolvimento de um Programa Educacional consistente e duradouro, além de uma série de ações como palestras e mini-seminários em empresas, escolas, clubes e outras instituições, além do próprio Rotary. O Transitare Mobilidade estende um sucesso comprovado na primeira habilitação para quem já tem CNH, mas não tem oportunidade de reencontrar os conhecimentos essenciais para o trânsito seguro, a menos que seja condenado a um curso de reciclagem de condutores infratores. Ambos visam promover a cultura da segurança no trânsito.

No dia desta gravação (09/05/16) eu estava com a agenda muito lotada. E é claro que o Maio Amarelo foi o tema ambientador da pauta.  Assista e comente:

*Para ler: Fé em Deus e pé na tábua: como e por que o trânsito enlouquece no Brasil – 2011, Roberto DaMatta

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