Notícias

Opinião

Estacionar em vagas preferenciais é roubar a mobilidade 

Estacionar em vagas preferenciais é roubar a mobilidade

Vagas preferenciais são desrespeitadas

Cena deprimente que assisti no estacionamento de um supermercado: uma mulher que não era deficiente física acompanhada da filha que aparentava ter uns 10 anos, estacionou o carro numa vaga para deficientes. Educadamente, o funcionário do hipermercado avisou que aquela era uma vaga preferencial e pediu que ela estacionasse mais adiante.

Isso foi o suficiente para que a “Sra Folgada” tivesse um ataque de fúria no estacionamento: a motorista apontou o dedo para o rapaz, gritou, xingou, ofendeu e ainda disse que ia reclamar para o gerente que foi maltratada, acreditam?

Sinceramente, a única deficiência perceptível nesta senhora foi a deficiência de respeito, de cidadania, de civilidade e de educação. Naquela de que o cliente sempre tem razão, o carro acabou ficando na vaga preferencial e para evitar barraco dentro da loja tentaram acalmar a mal educada.

Infelizmente, ver pessoas jovens, sem nenhuma deficiência física e mal educadas ocupando vaga de idosos e de deficientes é mais comum e revoltante do que se pensa.

O que tem a ver com vaga preferencial aquele moço ou aquela moça sem deficiência física, na flor da juventude, estacionando seus carros e motos em vaga exclusiva para cadeirantes? Querem a vaga, mas não querem estar na cadeira de rodas?

E aqueles que para tirar vantagem pegam o carro com o adesivo de vaga especial no vidro, mas não são deficientes e nem o estão transportando, e querem arrumar confusão no estacionamento para garantir a vaga?

O que tem a ver homens e mulheres jovens, em pleno vigor da idade, ocuparem vagas preferenciais destinadas a idosos, a pessoas com mobilidade reduzida que, muitas vezes, passam trabalho para entrar e sair do carro manuseando andadores, muletas, cadeira de rodas e bengalas? E mesmo que não necessitem desses acessórios, a vaga é preferencial, é deles, tem que respeitar! Se não porque é lei, mas porque deveria ser por respeito, por educação, por dever de cidadão!

E quando o “sujeito” estaciona em cima da sinalização para embarque e desembarque de cadeira de rodas? Como é que o cadeirante entra e sai do veículo? Ou não entra e nem sai até que o motorista abusado termine de fazer as compras?

Também é dever moral, de cidadania e de ofício dos proprietários, gerentes e responsáveis pelos estacionamentos, fiscalizar, botar ordem na casa, pedir que retire o veículo da vaga preferencial se não for idoso ou deficiente. Não basta abafar o caso, alisar o cliente mal educado que está tendo chiliques na loja e ser conivente com o desrespeito!

Pior ainda é quando os supermercados utilizam as vagas preferenciais para idosos e deficientes físicos para descarregar mercadorias, complicando ainda mais a situação de quem tem mobilidade reduzida. Simplesmente, o fim da picada!

Há municípios em que é lei: a vaga para gestantes e mulheres com crianças de colo é preferencial e estão cobrando mesmo: não importa a cara feia, se aumenta o tom de voz e quer fazer barraco!

O problema é que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) somente fiscaliza e pune com multa e até remoção os veículos estacionados em vagas preferenciais na via pública! Só que os estacionamentos de shoppings, supermercados, cinemas e afins, embora sejam públicos estão dentro de propriedade particular. Portanto, não é via pública e lá dentro agente de trânsito não pode fiscalizar e multar. Só quem pode fazer alguma coisa são os responsáveis e gerentes! Mas, muitos preferem dar razão ao cliente mal educado.

O certo é que as pessoas tivessem mais consciência, mais educação, mais cidadania, mais valores de convivência e respeitassem as vagas preferenciais.

O fato é que quem estaciona em vaga preferencial de idoso ou de deficiente físico sem precisar delas não rouba só a vaga, rouba a mobilidade do outro. Rouba a dignidade do outro, que é o mínimo existencial para que uma pessoa com mobilidade reduzida possa entrar e sair do veículo com o devido respeito à sua condição, com segurança e proteção.

Se o “Sr. Folgado” e a “Sra Folgada” entendem que estão acima das leis e das regras de convivência respeitosa em sociedade e querem usufruir de vaga preferencial sem precisar dela, imaginem o quanto é complicado, difícil e desumano para quem precisa dessa vaga.

Circula pelas redes sociais um cartaz acompanhado de um preservativo que diz: você não é e nem está acompanhando idoso ou deficiente físico, mas estacionou em vaga preferencial. Por favor, não se reproduza. A humanidade agradece.

O problema de se reproduzir é de gerar mais um mal educado que daqui a alguns anos vai imitar o comportamento dos pais sem educação e sem respeito ao próximo. Só que o único preservativo para evitar a reprodução da falta de respeito, de ética e de cidadania é a educação.

Educação para o trânsito na escola, voltada para os valores de convivência é fundamental para educar as novas gerações. Mas, aprender a conviver em sociedade e a respeitar os outros, principalmente quando os outros são aqueles que precisam das vagas preferenciais, se aprende em casa, de berço, na família. Pelo bom exemplo.

Que exemplo você está dando a seus semelhantes e aos seus filhos?

Artigos Recomendados Para Você

Deixe uma resposta

Campos obrigatórios *

Trocar a senha

Identifique-se para receber um e-mail com as instruções de nova senha.

[wp_user active='forgot']