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Informar, educar e formar 

Uma situação muito conhecida por quem atua na área de CFCs – Centro de Formação de Condutores (Auto-Escola) ilustra bem o quanto estamos despreparados para o assunto trânsito: o candidato à CNH – Carteira Nacional de Habilitação (Carteira ou Carta de Motorista) chega ao CFC contrariado com a idéia de ver-se obrigado a fazer um curso teórico e ainda ser submetido a uma prova!

Sequer sabe que a CNH não é um direito adquirido junto com o carro (ou com a maioridade) e sim uma permissão temporária que o Estado vai lhe conceder, ou não, conforme seu desempenho frente às exigências do CTB – Código de Trânsito Brasileiro. Por não ter recebido qualquer informação prévia (quem dirá EDUCAÇÃO!) sobre o assunto, o cara (ou “a” cara) pensa que dirigir é um direito que lhe assiste. O baque é inevitável. E triste. Deprimente, na verdade. É meio ridículo ver um “adolescente-candidato-a-adulto” reclamando porque “passou no vestiba, ganhou um carro do velho e agora quer dirigir por aí” criticando o que julga serem “exigências legais absurdas” para obter sua CNH. Isso acontece. E muito.

Imagine a trabalheira que o instrutor do CFC tem que enfrentar. Lidar com uma turma de candidatos à 1ª Habilitação é um desafio didático-pedagógico imenso, tanto por conta destes pré-conceitos, quanto pela própria heterogeneidade da turma: tem gente de outras faixas etárias, grau de escolaridade, condição sócio-econômica, expectativas e necessidades as mais diversas, todos na mesma sala de aula. A quase totalidade das pessoas não faz idéia da importância que um CFC tem para a sociedade. Também não imagina como é que funciona o processo de habilitação – ou como ele deveria funcionar.

Sofremos por falta INFORMAÇÃO que, cá entre nós, é o mínimo não é?! E por falta de educação, que é o mais triste de tudo. Com um bom trabalho com crianças e jovens (Educação para o Trânsito em casa e nas escolas), a nobre missão das Auto-Escolas (Formação de Condutores) seria facilitada: por um lado, porque não haveria distorções a serem corrigidas e o curso já poderia começar de um patamar mais evoluído e, por outro, os maus CFCs e Auto-Escolas simplesmente não sobreviveriam, pois seus clientes saberiam diferenciar os bons instrutores (e seus materiais didáticos, metodologia, infra-estrutura das salas, estado dos veículos, etc), da picaretagem que, acredite, existe – e MUITO – por aí.

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