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O que faz um educador de trânsito 

O que faz um educador de trânsito

Educador de trânsito no BrasilEssa é uma pergunta que tem sido feita com frequência por e-mails, mensagens e postagens nas páginas que administro nas redes sociais com o trabalho voluntário de Educação Para o Trânsito online (EPTon), desde 2008. As pessoas, muitas por curiosidade, querem saber como se tornar um educador de trânsito, que curso fazer, onde fazer, quanto tempo demora, qual a melhor instituição, e por aí vai.

No meio da imprensa, costuma-se dizer que o bom jornalista já nasce pronto, se aperfeiçoa e fica melhor ainda com o tempo. Quando o assunto é educação para o trânsito a pergunta também não é difícil de responder.

Alguns diriam que para ser educador de trânsito tem que ser professor por conta da formação em Pedagogia e na arte e ofício de ensinar. Outros, atribuem o papel de educador de trânsito ao instrutor de CFC, seja ele teórico ou prático. Há quem diga que para ser educador de trânsito tem que ter diploma de especialização na área de educação para o trânsito enquanto outros dizem que qualquer um pode ser educador de trânsito, desde que se dedique.

Mas o que realmente faz o educador de trânsito (no sentido de fazer, de realizar, mas também no que tange à sua essência) não é essencialmente o diploma, haja vista que vemos tantos professores que sequer buscam trabalhar o trânsito como tema transversal em suas aulas.

Por outro lado, também temos instrutores teóricos e práticos de CFC focados mais no ato de instruir para dirigir enquanto treinamento para realização de tarefas mecânicas e repetitivas do que nos verdadeiros valores trabalhados por um educador de trânsito.

O diploma de especialização na área de educação para o trânsito sempre é bem vindo diante da necessidade de formação específica, mas isso não garante o verdadeiro educador de trânsito.

Na verdade, ser educador de trânsito começa por saber diferenciar entre educar, formar e instruir. Educar é despertar aptidões naturais e orientar para o aprimoramento; formar é evocar o processo de fazer aflorar o conhecimento e orientar condutas, ao passo que instruir continua sendo sinônimo de treinamento para executar tarefas que se já conhece e aprimorá-las.

O que faz o educador de trânsito é a sua certeza de que viverá eternamente por uma causa: a causa humanitária de salvar a vida de outras pessoas no trânsito. E para isso, ele terá que ser ativista e saber que terá pela frente uma luta que muitas vezes parecerá inglória por mais que doe tudo de si e faça o seu melhor porque anualmente no Brasil morrem cerca de 57 mil pessoas em acidentes e mais de 444 mil ficam sequeladas temporárias ou permanentes.

Para ser educador de trânsito tem que estudar muito, o tempo todo, a vida toda, para conhecer a legislação de trânsito, suas portarias, resoluções, jurisprudências e atualizações diárias. Mas, não basta ser um acervo jurídico ambulante: tem que ter alma de educador de trânsito. Tem que ter valores e conduta de educador de trânsito para ser o primeiro a fazer aquilo que ensina.

Para ser educador de trânsito tem que exercer o sacerdócio da educação para o trânsito, tem que amar o que faz, tem que estar disposto a ser voluntário, a trabalhar de graça muitas vezes, e nesse mundo competitivo o trânsito como profissão tem se destacado mais, para muitos, como oportunidade de emprego e pauta frequente na mídia.

Para ser educador de trânsito tem que ter criatividade para lidar com pouco dinheiro para colocar em prática as suas ideias, projetos e ações transformadoras. Mas, também tem que saber lidar com o próprio ego e o ego dos outros nessa imensa e ardente fogueira das vaidades.

Tem que aprender que muitas vezes não vai importar se o seu projeto é transformador e salvará vidas de verdade porque as portas se fecharão na sua cara, seja porque você não é amigo do Executivo ou porque muita gente não se importa mesmo.

Para ser educador de trânsito tem que aprender a conhecer e se defender das intenções capciosas, dos interesses políticos e não permitir que o seu trabalho por uma causa humanitária seja feito de palanque e “mise-em-scène” eleitoreiro.

Tem que ter ética, caráter e compromisso existencial para saber que num evento voltado para salvar a vida das pessoas o seu lugar não é debaixo do holofote, mas nas ruas, na via pública, abordando as pessoas, dialogando, explicando, mostrando e tentando conscientizar da importância dos autocuidados para se manter vivo no trânsito.

Tem que entender que educação para o trânsito pode até te dar visibilidade, fama, trazer oportunidades, e quem sabe algum emprego público de cargo comissionado, embora nunca te fará rico financeiramente com isso. Porque a sua maior riqueza será doar a sua vida para salvar outras vidas nesse exercício diário de ser um herói anônimo. Ou, pelo menos, que espere recompensas.

Se você consegue praticar a empatia, se tem paixão pelo trânsito, pela sua vida e pela vida de outras pessoas; se você está disposto a estudar muito, a dar o melhor de si sem esperar nada em troca, e se não vai sentir vergonha de admitir que salvar a vida das pessoas no trânsito é a causa da sua vida, parabéns! Você tem alma de educador de trânsito.

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