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Ônibus, pra que te quero? 

Ônibus, pra que te quero?
A imagem diz tudo.

Hoje é aniversário de Curitiba (323 anos!) e, por isso, vou tomá-la como referência para falar de melhora da mobilidade nas cidades. E ônibus, é o modal de transporte de massa da capital paranaense, por isso vou tomá-lo como referência de transporte coletivo.

Convém lembrar, inicialmente, que há um consenso (um dos únicos!) dentre os entendidos e especialistas em trânsito, de que os modais para transporte individual estão fadados a migrarem para veículos de menor porte ou serem trocados por bicicletas, sob pena de não sobreviverem aos espaços cada vez menos disponíveis das vias de nossas cidades cada vez mais entupidas de gente. Nesta perspectiva, bom mesmo é voltarmos a andar à pé.

Também há que se considerar que nossas necessidades de mobilidade, não sendo atendidas por caminhadas ou pedaladas, precisamos de soluções efetivas e práticas. A outra parte deste raro consenso aponta para as opções de transporte coletivo como saída, se não única, a mais razoável.

Bem, enquanto não chegamos lá – e ficamos cada vez mais irritados com cada vez menos fluidez – bem que poderíamos retomar estímulos para a carona solidária e o maior uso de táxis (ou de uber’s). Se alguém ainda tem dúvidas sobre o uso racional do espaço nas vias, aí vai uma daquelas “imagens que valem mais do que mil palavras”:

A imagem diz tudo.
A imagem diz tudo.

Segmentar partes das vias para determinados tipos de veículos não é exatamente uma novidade em muitas cidades brasileiras. Especialmente em Curitiba, que dispõe de mais de 90 km de canaletas exclusivas para ônibus. As canaletas surgiram junto com o BRT – Bus Rapid Transit, na já distante década de 1970. Mas “faixas exclusivas”, que agora chegam a 6 km de extensão, são uma novidade.

Em 2014 foram implementados os primeiros trechos na capital paranaense, não sem gerar polêmica, como escreveu nosso Colunista do Portal, Dr. Marcelo Araújo, claro.

Há muitos benefícios nesta segmentação, se não forem cometidos erros na implementação. Ou na comunicação. Aliás, uma comunicação eficiente, não só baixaria as resistências, como colaboraria para que os bons resultados chegassem mais rápido e fossem mais duradouros. Apesar das falhas na comunicação (falei disso em várias ocasiões, tanto na implementação das Vias Calmas quanto nas Faixas Exclusivas), a experiência de Curitiba pode ser considerada muito boa. Estava previsto uma redução média de 30% no tempo de viagem dos ônibus. Acho que esta meta foi atingida, beneficiando uma parte dos 1,7 milhões de usuários diários do sistema.

Mas as resistências continuam aparecendo. Os programas de rádio e TV dão voz a cidadãos dispostos a lamentar, para todos ouvirem, que seus carros terão menos espaço para circular e que, por isso, o trânsito vai piorar. Acontece que, na prática, melhora para os carros porque os ônibus saem da sua frente, da sua faixa. Melhora para os ônibus também, pois só lhes restam outros ônibus pra dividir seu espaço.

Vivemos em um país que tem uma Lei de Mobilidade (Lei 12.587) e que trata Transporte Público como um Direito Social e Constitucional (PEC 90/11), embora a maioria absoluta das pessoas não tenha ouvido falar disso e, quando ouvir, talvez não entenda exatamente do que se trata. Ao lado do direito à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao lazer, à segurança, à previdência social, proteção à maternidade, proteção à infância e assistência aos desamparados, o direito ao transporte público eleva as soluções de mobilidade, como ônibus, ao patamar que lhe é devido. Táxi e Uber (por extensão) estão nessa: são opções de transporte público, embora sobre o segundo pairem muitas dúvidas.

Se em Curitiba, que tem um dos maiores índices de motorização do país, o transporte público é importante, imagina nas outras cidades brasileiras! Quanto mais as pessoas usarem ônibus, mais barato e melhor ele vai (pode, deve) ser.

E continuamos tendo dificuldades de deixar nossos carros apenas para os finais de semana ou deslocamentos menos ordinários do que ir e voltar do trabalho (escrevi sobre isso aqui no Portal)

O transporte coletivo tem que ser mais atrativo do que o particular: simples de dizer e entender, mas difícil de executar. E é um esforço para todos: quem puder deixar o carro para tomar o ônibus, estará favorecendo meio ambiente e a comunidade. Quem puder optar pela bike: tudo isso e mais sua própria saúde e bem estar. Quem puder compartilhar seu carro com amigos ou com eles pegar uma carona, aliviando a cidade de usar seu próprio carro, idem. Quem puder usar táxi de vez em quando, também.

Falei sobre a implementação de mais um trecho de Faixa Exclusiva para ônibus em Curitiba, na semana passada, na Rádio e-Paraná Educativa FM. Ouça aqui:


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