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Os nossos substitutos 

Os nossos substitutos
Clones no trânsito
Foto: Divulgação autor.

Com a correria que a vida moderna nos impõe, quem nunca pensou em ter um clone pra ajudar nas rotinas diárias? De forma bem humorada, já tratei do assunto em ESTÁ PRONTO PARA DEIXAR SUA CASA NAS MÃOS DE UM ROBÔ?. O fato é que, em função da atual quarentena à qual fomos submetidos devido à pandemia do coronavírus, um clone para nos substituir naquela arriscada saidinha não seria uma ideia de todo ruim.

Esta questão me reporta ao filme de ficção científica Substitutos (Surrogates, 2009), protagonizado por Bruce Willis. Baseado em uma história em quadrinhos, mesmo não sendo um grande filme, traz uma ideia bastante interessante: o enredo se dá no ano de 2054, em uma sociedade em que as pessoas, quase na sua totalidade, trocam sua existência diária presencial por uma virtual. Para tanto, elas se utilizam de androides substitutos, os quais podem ser controlados de uma confortável poltrona instalada na segurança do lar do usuário, bem ao estilo Matrix (1999) ou Avatar (2009).

Assim, esses se encontram livres de qualquer tipo de violência ou contaminação, já que nada que aconteça com seus robôs pode afetá-los. E o melhor de tudo: esses robôs substitutos poderiam ter a aparência que seus usuários bem entendessem, podendo até mesmo ser do sexo oposto.

Como ver um filme assim e não pensar nos dias de hoje? Guardadas as proporções, já não temos nossos “substitutos” disseminados através da internet? O que dizer do polêmico Second Life (Segunda Vida)? Alguém se lembra desse famoso programa criado em meados dos anos 2000, que para muitos era tratado como um jogo, para outros um simulador e para outros tantos uma rede social, no qual se podia simular uma vida em paralelo? Muitos dos seus usuários acabaram migrando para outras redes sociais, como Facebook, Instagram e Twiter. “Lugar” onde os usuários costumam mostrar a vida que a eles convém mostrar, ou seja, viagens, festas, momentos felizes, conquistas…

Exatamente como os robôs da ficção científica, sempre belos, saudáveis e felizes.

Mesmo ainda distantes dessa realidade tecnológica, já há algumas décadas buscamos nossos substitutos, não em robôs ou androides, mesmo antes do advento de qualquer rede social virtual já dirigíamos “vidas paralelas”, sentados confortavelmente em bancos de couro climatizados, na segurança de um habitáculo projetado com o que havia de mais avançado na área da engenharia, atrás de vidros escuros que nos protegiam da violência urbana, mas que, ambiguamente, já nos punha sem percebermos em isolamento social. Essas máquinas incríveis, que ganharam as ruas e que aos poucos foram ganhando cada vez mais espaço nas cidades modernas, são as mesmas que, além de nos transportarem para locais onde antes nos eram inalcançáveis, também nos protege dos riscos de cidades que há tempos já não são pensadas para nossa circulação, mas para a deles. Sem mencionar a capacidade que elas têm de nos deixar significativamente mais belos…

O único inconveniente que esses substitutos ainda não sanaram é que, diferentemente daqueles do filme, o que acontece a eles nas ruas ainda segue afetando os seus usuários, tanto quanto (ou mais que) a atual pandemia.


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