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Quem pode apitar no trânsito? 

Quem pode apitar no trânsito?

O que está acontecendo no trânsito da capital paranaense é um péssimo sintoma da preocupante situação geral em que se encontra o trânsito brasileiro. Estamos em plena Década de Ações pela Segurança do Trânsito. Só 20% das cidades brasileiras cumprem o CTB no quesito Municipalização do Trânsito. E nas que criaram sua estrutura municipal de trânsito, improvisos, amadorismos e alguma desorganização. Muitas prefeituras municipalizaram o trânsito mais por motivos econômicos, pela possibilidade de arrecadar com estacionamento e multas, do que pelo defensável propósito de controlar, organizar e humanizar o trânsito. Mas, que me perdoem os curitibanos que estão embalados nas críticas ao nosso órgão de trânsito: esse não é o caso da URBS. Sejamos justos. Podemos – e devemos, como cidadãos – discutir o ponto central apontado pelo Tribunal de Justiça do Paraná, que condena o aspecto da constituição da Urbanização de Curitiba SA, com seus zero virgula alguma coisa % de capital privado, mas não sua competência técnica. Muito menos se o trânsito melhoraria sem fiscalização. Isso sim um verdadeiro absurdo. Acontece que essa decisão do TJ-PR, saiu atrasadíssima: demorou 15 anos para considerarem que a URBS não pode fazer o que faz. O jornalista Álvaro Borba escreveu em seu perfil no Facebook: “ é incrível a bagunça que esses burocratas fazem quando tentam organizar nossas vidas”. Bagunça mesmo. E dúvidas. E insegurança. A notícia saiu dia 16 de setembro, às vésperas do início da Semana Nacional de Trânsito. Mas a publicação aconteceu no dia 28. Naquele dia falei sobre o assunto na RPCTV. De lá para cá, o delicado equilíbrio entre a ação fiscalizadora e o comportamento dos usuários do trânsito ficou bem mais complicado do que já era. Os ânimos ficaram perigosamente aguçados por parte daqueles que parecem felizes com a possibilidade de poderem sair às ruas sem fiscalização nenhuma, comportamento lamentável, triste. Onde está a cidadania? Discute-se muito quem pode – e deve – ter e ser a autoridade de trânsito, mas não sua necessidade. Ouvi muitas críticas pelo que eu disse na TV. Posso até ter exagerado, mas não estou só. A psicóloga Alessandra Bianchi, da UFPR, falou no rádio que “considerava esta indecisão prejudicial para o trânsito pois, fiscalização é fundamental.” O antropólogo Roberto Da Matta em seu livro Fé em Deus e Pé na Tábua, diz que nós brasileiros “na fila de banco, nos tornamos amistosos; na fila do semáforo, agressivos”. Dá medo de um certo caos, não dá? E há perguntas inquietantes: se a URBS não pode multar daqui prá frente, antes podia? Será uma longa discussão. Pois a URBS e a justiça que acertem seus ponteiros. O que não pode é ficar assim, essa situação onde se questiona a autoridade de quem está instituído como autoridade. O trânsito precisa de um ambiente seguro, supervisionado, controlado. E precisa, sobretudo, de comportamento adequado, educado, civilizado de seus usuários. Que falta faz um processo decente de educação! Pensando de forma ampla, bem que a justiça poderia investigar questões do tipo “como, onde e quando estão sendo aplicados os recursos para educação de trânsito”. Há grandes dúvidas sobre o destino daqueles 5% das multas, o famoso e indecifrável FUNSET. E sobre os outros 95% arrecadados, então? Como estão sendo aplicados? É demonstração desejável de cidadania questionar e exigir que os operadores do trânsito estejam devidamente habilitados. Claro! Mas é ainda mais desejável que as leis e regras sejam respeitadas. Por ambas as partes. Links desse assunto: Rádio Trânsito 19/09/11 Rádio Trânsito 03/10/11

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