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Traffic calming: medidas para acalmar o trânsito 

Traffic calming: medidas para acalmar o trânsito

Traffic calming: saiba mais

Cada vez mais carros nas ruas, vias públicas que não tem para onde serem ampliadas, uso e ocupação do solo no limite. Uma constatação diante de perguntas que muita gente já se fez, faz ou vai fazer: onde isso vai parar? Será que tem como acalmar o trânsito?

Traffic calming, como a tradução sugere, são medidas para acalmar o tráfego. Medidas construtivas em vez da constrição legal. O professor e gestor de trânsito Celso Franco afirma que tais medidas surgiram na Inglaterra, por Sir Alker Tripp, e tratam-se de medidas planejadas com colocação de redutores físicos de velocidade em vez de lombadas eletrônicas e pardais.

Em Belo Horizonte, a BHTRANS publicou o manual de medidas moderadores do tráfego como parte de uma política pública séria para o trânsito, o que falta em muitas cidades, e que em muitos países da Europa foram decorrência de políticas públicas voltadas para a segurança das pessoas. Mas, não de forma isolada: vai lá e coloca um redutor e pronto. São medidas combinadas com a leitura da realidade para se dar uma resposta adequada, ações de fiscalização e educação para o trânsito, informação, esclarecimento à população.

Na Alemanha, as medidas de traffic calming são combinadas com o aumento das áreas de pedestres nos centros das cidades e com um trabalho de formação de uma cultura voltada para a valorização das pessoas e não dos carros, e de uma plataforma cultural voltada para o respeito às questões ambientais.

Na Holanda, foram os engenheiros de tráfego e os profissionais envolvidos no planejamento das cidades que desenvolveram esse conceito aliado a um conceito de bem-estar que inclui as condições das vias próximas às residências.

Desenvolveu-se também na Holanda o conceito dos woonerf, que são os pátios residenciais em que a velocidade dos carros se dá em função do passo humano, sem separação entre pista e calçada. Pontos de encontro entre pessoas, com recreação, área de lazer, com suporte ao tráfego, mas sem tráfego de passagem.

As medidas de traffic calming incluem as técnicas tradicionais de engenharia, mas também medidas combinadas para reduzir a velocidade dos veículos e criar um ambiente que induza à direção segura.

As principais medidas de redução de velocidade dos carros são as deflexões verticais e horizontais na pista, rotatórias, redução do raio de giro, a regulamentação de prioridades e as marcas viárias, combinadas com medidas de apoio. São elas: largura ótica, estreitamento de pista, faixas de alinhamento, superfícies diferenciadas, entradas e portais e ilhas centrais. Incluem a criação de espaços compartilhados, ilhas e calçadas, mobiliário e iluminação, medidas de paisagismo e regulamentação.

A colocação desses dispositivos para acalmar o tráfego levam em conta a circulação e a segurança humana, mas também as características das vias para a escolha do melhor dispositivo, combinado com sinalização luminosa e sonora para avisar o motorista de que se trata de uma área de velocidade reduzida.

Os materiais para pavimentação são de cores e texturas diferenciadas; o mobiliário urbano, a vegetação e o paisagismo são utilizados para valorizar a paisagem e a identidade cultural. As vias são niveladas com as calçadas para reduzir ou eliminar a preferência dos carros sobre os pedestres e, o principal: parte do espaço viário é para a circulação de bicicletas. Tudo combinado com medidas de gerenciamento e direcionamento de fluxos dos veículos motorizados e outros dispositivos.

Resta saber se o poder público está a fim ou tem de coragem de comprar a briga com os motoristas, deixando bem claro que as pessoas e os veículos não motorizados, especialmente as bicicletas, terão preferência e prioridade.

Questões de uso e ocupação do solo, mobiliário urbano, mudanças de engenharia de tráfego, ações preventivas e educativas de trânsito para uma nova cultura voltada para as pessoas e não para os veículos, tudo isso conta.

Não acredito que implantar medidas de traffic calming isoladas de todo o contexto dê certo. Mas se o assunto for tratado de modo sério, apoiado numa política pública efetiva, em ações de engenharia, fiscalização e principalmente educação e prevenção para o trânsito, aí funciona.

Assim como o trânsito é um espaço coletivo, compartilhado por todos, a população precisa compreender o que são as medidas para acalmar o tráfego.

Por sua vez, o poder público precisa aprender a ouvir as pessoas, a interpretar os comportamentos por trás das estatísticas e começar a pensar seriamente no assunto.

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