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Trânsito. Que fenômeno é esse? 

O que era para ser a realização de um sonho, uma satisfação, um objetivo alcançado, a aquisição de um automóvel ou de uma motocicleta, infelizmente, tal feito tem se transformado em uma das principais epidemias de mortes no mundo.

Essa busca desenfreada pela aquisição de um veículo, principalmente entre os jovens, traz uma realidade preocupante. Primeiramente podemos apontar que os meios para sua aquisição, são impressionantes, pois é comum vermos um jovem que mal adquiriu seu primeiro emprego, ainda no seus primeiros meses de experiência, ou seja, não está certo ainda que ficará trabalhando, mas, ele já pensa, ou melhor, já planeja a compra de seu veículo, mesmo que isso consuma 70% do seu salário.

Claro que há vários fatores para esse fenômeno, comportamental, psicológico e/ou estrutural. Mas, poderíamos destacar nesse primeiro momento a falta de qualidade em nosso sistema viário, mais precisamente o de transporte viário. Um modal muito utilizado que é transporte coletivo de passageiros, que além de ser ineficiente tem um preço elevado nas pequenas distâncias percorridas, desestimulando seu uso, fazendo com que o veículo individual, seja mais viável, mesmo sendo mais caro do que esperar por um ônibus e pagar um preço elevado da tarifa, que por si só, desencadeia uma série de outros fatores, como fator que impulsiona a aquisição do veículo que podemos citar é a sensação de poder que o mesmo produz combinado com o status.

Infelizmente nos dias atuais, vivemos uma inversão de valores, muitas pessoas acabam por valorizar aquilo que os outros tem e não de fato o que são, com isso, no trânsito, para uma sociedade sem valores definidos, o caos acaba por se instalar, e é exatamente o que estamos vivenciando.

Outro fator muito importante, se não o mais, é o paradoxo que paira na sociedade, que é a busca de um trânsito mais humano e seguro. É comum ouvirmos discursos emocionados de pais, familiares e também de amigos daqueles que são vítimas de acidente de trânsito, pedir justiça, e a grande questão é, por que após os acidentes é que se exige, ou se promete mudanças de atitude para com a segurança de uma forma em geral. Não é difícil encontrarmos em bares, festas, restaurantes, nas nossas próprias famílias, pessoas nos seus momentos de descontração, ingerindo bebidas alcoólicas, mesmo sabendo que vão ter que dirigir depois, ou falando ao celular, dirigindo sem o cinto de segurança, andando acima da velocidade máxima permitida, estacionando em locais proibidos, parando sobre a faixa de pedestres.

A sensação de insegurança que se tem, é motivada pelos próprios condutores e pedestres. A decisão da ONU em criar a Década de Ações para a Segurança no Trânsito, tem por mérito mudar o tratamento dos acidentes de trânsito como “fatalidades”. Para isso, precisamos envolver seis pilares estratégicos: gestão, fiscalização, educação, saúde, segurança viária e segurança veicular, para desenvolver um pleno efetivo de aplicabilidade.

Segundo a autora Maria Helena Hoffmann, que é psicóloga, Mestre e Doutora em Psicologia pela Universidad de Valencia, Espanha, diz que:

“Tradicionalmente, o sistema trânsito é considerado em termos de três componentes: o ambiente físico, o veículo e o condutor. Muitos ganhos de segurança têm sido conquistados pela redução das conseqüências de acidentes, por meio da melhoria do ambiente rodoviário e dos veículos. Como exemplos de tais medidas, destacam-se a introdução de barreiras de colisão nas rodovias, cintos de segurança e veículos que não se deformam na colisão. De fato, a maior parte da redução das mortes por acidentes nas estradas, em países industrializados, pode ser atribuída às referidas medidas. Em contrapartida, bem menos progresso tem sido alcançado em melhorias do potencial de segurança do próprio condutor. Na circulação humana, o comportamento do condutor é, sem dúvida, o mais importante fator contribuinte de acidentes, pois se estima que 90% das ocorrências sejam causadas por erros ou infrações às leis de trânsito”.

Tenho convicção que com efetivo envolvimento dos órgãos competentes, bem como o comprometimento da sociedade, nesta década vamos mudar nossa triste realidade. Emerson Luiz Andrade Especialista em Educação e Segurança no Trânsito.

Referência Bibliográfica:

1 – HOFFMANN, Maria Helena; CRUZ, Roberto Moraes; ALCHIERI, João Carlos. Comportamento humano no trânsito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003;

2 – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA; DEPARTAMENTO NACIONAL DE TRÂNSITO; ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS. Impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras. Relatório Executivo. Brasília, DF, 2006. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/destaque/impactos_acidentetransito%20(Livro%2001);

3 – BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de redução da morbimortalidade por acidentes e violências. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/portaria737.pdf; 4 – Psicologia: Pesquisa & Trânsito, v. 1, nº 1, p. 17-24, Jul./Dez. 2005.

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