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Vou de táxi, mas só de cinto! 

Vou de táxi, mas só de cinto!

Vou de táxiPense em um apresentador de televisão famoso, que tem um programa em horário nobre de sábado e um quadro em que ele é o chofer e transporta os passageiros sem cinto de segurança e ele próprio, o condutor, usando um cinto de dois pontos. Isso mesmo: cinto de dois pontos no banco do motorista, o que leva a crer que seja um veículo mal adaptado ou o condutor tenha se sentido incomodado com o cinto passando pela sua cintura.

Agora pense na audiência deste programa, no público jovem que o assiste – aquele mesmo na faixa etária que mais morre em acidente de trânsito – vendo no formador de opinião o péssimo exemplo de não cumprir leis de trânsito.

Será que se um agente da autoridade de trânsito flagrasse a cena, autuaria este condutor famoso? Será que a produção do programa Vou de Táxi ia abafar o caso? Qual seria a justificativa do condutor?

Já tive a oportunidade de comentar em outra ocasião sobre o agora extinto quadro Ruim de Roda, em que pessoas com dificuldades para dirigir se prestavam à ridicularização em troca de alguns minutos de fama. O contrato dizia que o condutor vencedor da disputa de pior motorista ganharia como prêmio aulas na autoescola, mas nunca se mostrou tal resultado.

O fato é que artistas e apresentadores de televisão são formadores de opinião que influenciam desde o corte de cabelo, modelo de roupas, sapatos, cintos, maquiagem até estilo de vida. Cobram milhões para fazer comerciais e propagandas que tentam induzir as pessoas a comprarem todo o tipo de produto com a força da credibilidade desses artistas.

O fato é que o apresentador e motorista, Luciano Huck, ignora os princípios de segurança no trânsito, expõe a si mesmo a riscos ao usar o cinto de segurança de forma equivocada e também a seus passageiros e convidados, sem cinco no banco de trás. Isso, sem falar que comete descaradamente a infração ao art. 167 do CTB, considerada infração grave, com penalidade de multa e medida administrativa de retenção do veículo até colocação do cinto pelo infrator.

Em outra ocasião, foi ao ar tranquilamente, no mesmo quadro do mesmo programa, as cenas do mesmo apresentador fazendo ligações do celular enquanto dirigia e só depois que começou a falar é que decidiu estacionar o veículo em local proibido.

Diariamente, milhares de condutores são autuados por esta mesma infração que vira atração em programa de televisão. Quem sabe, muitos deles, sejam os mesmos que assistam o condutor famoso cometendo as mesmas infrações na televisão.

Diariamente, profissionais da segurança no trânsito se esfalfam para tentar colocar na cabeça dos condutores que o uso do cinto de segurança protege em 75% dos casos de acidentes graves, que o condutor é responsável pela sua própria vida e a de seus passageiros e que essa responsabilidade inclui o respeito às leis de trânsito e cumprimento do CTB.

Todo santo dia tem um condutor ou passageiro ejetado para fora do veículo atravessando o parabrisa porque não estava usando o cinto de segurança. O que se gasta em campanhas para o uso do cinto também não é pouco. E aí, um apresentador de televisão presta um desserviço desses em rede nacional com a condescendência da própria consciência, da produção e da emissora.

O apresentador simpático e com cara de bom moço também é o mesmo que se recusou a fazer o teste de etilômetro em uma blitz da Lei Seca. E o mesmo que tirou foto segurando uma camiseta do Movimento Internacional Maio Amarelo, em atenção à vida no trânsito, manifestando o seu apoio à segurança no trânsito.

O detalhe é que Maio Amarelo não é só para ser visto e ouvido ou até mesmo dar ibope: é para ser vivido, vivenciado, incorporado ao dia a dia.

O detalhe é que cuidar da própria vida e da vida dos outros no trânsito é dever de cada um e o CTB é para ser cumprido por quem quer que seja. Principalmente, por artistas, por formadores de opinião, por apresentadores de programas em rede nacional.

Espero que a produção do programa Vou de Táxi, o apresentador e executivos da própria emissora leiam esse post. Para que caia a ficha. Para que percebam o tamanho do desserviço que estão prestando aos telespectadores e a um país em que morrem, por ano, mais de 60 mil pessoas e deixa mais de meio milhão de sequelados em acidentes de trânsito. Muitos deles, porque não usavam cinto de segurança ou o faziam da forma errada como é mostrado sem qualquer critério na televisão.

 

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