Carro elétrico tem diferenças que todo motorista precisa conhecer; veja os principais cuidados

Bateria de alta tensão, frenagem regenerativa e baixo nível de ruído estão entre as características que exigem atenção de quem dirige um veículo elétrico.


Por Assessoria de Imprensa
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Apesar das diferenças, o professor ressalta que não há motivo para considerar os veículos elétricos mais perigosos do que os carros movidos a combustão. Foto: baranq para Depositphotos

O crescimento da presença dos carros elétricos nas ruas e rodovias brasileiras também traz novas situações para a rotina dos motoristas. A condução desses veículos apresenta particularidades em relação aos modelos a combustão, especialmente na aceleração, na frenagem e no baixo nível de ruído. Em caso de colisão, há ainda cuidados específicos relacionados à bateria de alta tensão.

Isso não significa, porém, que os veículos elétricos devam ser considerados mais perigosos. Conforme o professor especialista em tráfego Renato Gianolla, do setor de Engenharia Civil da UniFacens, a questão principal é conhecer as características dessa tecnologia e saber como agir diante de situações que fogem da normalidade.

Um dos pontos que merecem atenção é justamente a bateria. Se ela sofrer danos importantes em uma colisão, existe a possibilidade de ocorrer um fenômeno conhecido como fuga térmica.

“Se a bateria sofrer um dano mais forte, ela pode realmente gerar o fenômeno da fuga térmica, que é quando algumas células começam a aquecer de forma descontrolada. Isso pode provocar fumaça, gases e, em casos extremos, até um incêndio”, explica Gianolla.

Bateria danificada exige cuidados específicos

Diante de uma situação envolvendo danos ao veículo elétrico, a orientação do especialista é não tentar resolver o problema por conta própria.

Não é recomendado utilizar o extintor do próprio automóvel nem tocar em componentes danificados, como fios e cabos. Isso porque, sem conhecimento técnico, não é possível saber se o problema está restrito a outros componentes do veículo ou se envolve diretamente a bateria de alta tensão.

De acordo com Gianolla, incêndios relacionados às baterias podem ser prolongados e exigir grande quantidade de água, além da atuação de equipes treinadas para esse tipo de ocorrência.

Há ainda a possibilidade de reignição. “Se a bateria realmente estiver envolvida em um incêndio, mesmo que o fogo cesse, pode haver a possibilidade da reignição”, afirma.

Por isso, diante dessa situação, a prioridade deve ser afastar-se do automóvel e buscar atendimento especializado. “O ideal é se afastar do veículo e chamar o 193, o Corpo de Bombeiros. Eles estarão preparados para lidar melhor com essa situação”, orienta o professor.

Frenagem regenerativa muda a sensação ao dirigir

As diferenças dos veículos elétricos também aparecem em situações muito mais comuns do cotidiano, sem qualquer relação com emergências.

Uma delas está na frenagem regenerativa. Nesse sistema, o automóvel pode reduzir consideravelmente a velocidade quando o motorista simplesmente retira o pé do acelerador, de maneira mais perceptível do que ocorre em um carro a combustão.

Para quem está começando a dirigir um elétrico, a reação do veículo pode causar estranhamento.

Segundo Gianolla, porém, essa diferença demanda principalmente adaptação do condutor e não deve provocar maiores problemas depois que ele se familiariza com o comportamento do automóvel.

Silêncio exige atenção com pedestres e ciclistas

Outra característica dos carros elétricos está relacionada à interação com os demais usuários do trânsito.

Em baixas velocidades, esses veículos podem produzir menos ruído perceptível do que automóveis tradicionais. Com isso, pedestres e ciclistas podem ter mais dificuldade para perceber pelo som a aproximação do veículo.

A situação exige uma postura preventiva principalmente em locais com circulação mais intensa de pessoas e durante manobras.

“Os veículos elétricos são muito silenciosos. É preciso redobrar a atenção com pedestres e ciclistas ao fazer qualquer tipo de manobra”, alerta Gianolla.

Para o motorista, portanto, conhecer o comportamento do veículo é importante não apenas para aproveitar suas características, mas também para antecipar situações de risco envolvendo usuários mais vulneráveis do trânsito.

Carro elétrico não deve ser encarado com medo

Apesar dos cuidados específicos, Gianolla ressalta que as diferenças tecnológicas não são motivo para considerar os carros elétricos mais perigosos do que os veículos movidos a combustão.

A recomendação é buscar informação sobre o funcionamento do automóvel e, principalmente, conhecer os procedimentos adequados para situações de emergência.

Isso vale tanto para a adaptação às características da condução, como a frenagem regenerativa, quanto para situações menos comuns e potencialmente mais graves, como danos à bateria de alta tensão após uma colisão. “O carro elétrico possui diversos sistemas de proteção. É importante não ter medo desse tipo de motor, mas conhecer suas características”, conclui o especialista.

Para quem já dirige ou pretende adquirir um veículo elétrico, a principal diferença está justamente nesse aprendizado: a tecnologia muda algumas respostas do automóvel e também exige cuidados específicos, mas informação e adaptação ajudam o motorista a lidar de maneira mais segura com essas particularidades.

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