5 atitudes que você acha seguras no trânsito, mas não são

Nem tudo que parece seguro no trânsito realmente é. Veja 5 atitudes comuns que passam despercebidas, mas aumentam o risco de acidentes.


Por Mariana Czerwonka
Atitudes no trânsito
O perigo não está apenas em quem desrespeita regras. Ele também pode estar em quem acredita, sinceramente, que já faz tudo certo. Foto: legion_satanic@hotmail.com para Depositphotos

Nem todo comportamento perigoso no trânsito parece imprudente. Pelo contrário: muitas atitudes que aumentam o risco de sinistros são socialmente aceitas, repetidas todos os dias e até vistas como sinal de experiência ou responsabilidade ao volante.

O problema é que o trânsito não reage à intenção do condutor, mas às consequências das escolhas feitas em frações de segundo. E, nesse cenário, o que parece seguro nem sempre é.

Em um momento em que o Brasil passa por mudanças no modelo de formação de condutores, com maior flexibilização de etapas e redução da mediação profissional, identificar esses falsos comportamentos seguros se torna ainda mais importante.

Veja cinco atitudes comuns que parecem inofensivas — mas não são.

1. “Dirijo devagar, então estou seguro”

Velocidade reduzida nem sempre é sinônimo de segurança. Circular muito abaixo do fluxo da via, frear sem necessidade ou hesitar excessivamente em cruzamentos pode surpreender outros condutores e provocar colisões.

Segurança no trânsito está ligada à previsibilidade. Quando um motorista foge do comportamento esperado para aquela via, mesmo em baixa velocidade, ele cria risco.

Dirigir bem não é apenas ir devagar, mas adequar a condução ao contexto, respeitando limites, fluxo e condições da via.

2. Confiar demais na tecnologia do veículo

Freios ABS, controle de estabilidade, assistentes de faixa, sensores e alertas sonoros são avanços importantes — mas não substituem o condutor.

O risco surge quando a tecnologia passa a ser vista como garantia absoluta de segurança. Sistemas falham, têm limites e dependem da correta interpretação humana.

Especialistas alertam que a excessiva confiança em recursos eletrônicos pode levar à distração, à redução da atenção e à falsa sensação de controle, especialmente entre motoristas menos experientes.

3. Dirigir cansado porque “não bebi”

A comparação é comum — e equivocada. Embora o álcool seja amplamente reconhecido como fator de risco, o cansaço extremo pode comprometer a condução de forma semelhante.

Reflexos lentos, lapsos de atenção, dificuldade de julgamento e até episódios de microsono fazem parte da fadiga ao volante. Ainda assim, dirigir cansado segue socialmente tolerado.

Em processos de formação mais rápidos ou superficiais, esse tipo de risco tende a ser subestimado, já que nem sempre recebe a devida ênfase educativa.

4. Fazer tudo “dentro da lei”, mas sem atenção real

Cumprir regras formais — como usar cinto, respeitar limites e não usar o celular — é essencial, mas não garante segurança plena quando feito de forma automática e desatenta.

O condutor que dirige no “piloto automático”, sem leitura ativa do ambiente, demora mais para reagir a pedestres, ciclistas, motociclistas ou mudanças repentinas na via.

Trânsito seguro exige presença mental, percepção de risco e capacidade de antecipação — habilidades que precisam ser trabalhadas desde a formação inicial.

5. Achar que experiência substitui formação contínua

“Aprendi na prática”, “nunca precisei de curso” ou “dirijo assim há anos” são frases que escondem um risco relevante: a desatualização.

O trânsito muda, os veículos mudam, as vias mudam — e o comportamento seguro precisa acompanhar essas transformações. Quando o condutor deixa de refletir sobre suas práticas, erros passam a ser repetidos como hábito.

De acordo com Celso Mariano, esse é um dos maiores desafios da segurança viária.

“O que mata no trânsito não é apenas a imprudência explícita, mas a soma de comportamentos aparentemente corretos, repetidos sem reflexão crítica”, costuma alertar.

Quando o risco se disfarça de normalidade

Atitudes perigosas nem sempre chamam atenção. Muitas vezes, elas se escondem justamente naquilo que parece correto, confortável ou já incorporado à rotina.

Em um cenário de flexibilização das regras de habilitação, cresce a responsabilidade individual de reconhecer limites, revisar comportamentos e compreender que segurança no trânsito não é apenas seguir normas, mas entender riscos.

O perigo não está apenas em quem desrespeita regras. Ele também pode estar em quem acredita, sinceramente, que já faz tudo certo.

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