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Uma atitude que leva poucos segundos pode evitar colisões, reduzir conflitos e até salvar vidas no trânsito. O Departamento Estadual de Trânsito de Detran-MS fez um alerta recente aos condutores sobre a obrigatoriedade do uso da seta sempre que houver mudança de direção ou deslocamento lateral do veículo.
Apesar de parecer um detalhe básico da condução, deixar de sinalizar ainda está entre os comportamentos mais recorrentes nas vias urbanas e rodovias brasileiras — e também entre as causas frequentes de sinistros, especialmente colisões laterais em mudanças de faixa e conversões.
O que diz o Código de Trânsito Brasileiro
A exigência não é apenas uma recomendação de bom senso. Está prevista em lei.
O Código de Trânsito Brasileiro determina, no artigo 35, que o condutor deve indicar previamente, por meio de sinalização adequada, toda manobra que implique deslocamento lateral ou mudança de direção.
Já o artigo 196 do CTB classifica como infração grave deixar de indicar com antecedência a manobra pretendida. A penalidade prevista é multa de R$ 195,23, além do registro de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Ou seja: não usar a seta não é apenas falta de educação no trânsito — é infração.
Antecedência é parte essencial da regra
Conforme o alerta do Detran-MS, não basta acionar a seta no exato momento da conversão. A norma exige antecedência suficiente para que outros condutores, ciclistas e pedestres possam compreender a intenção do motorista e reagir de forma segura.
Sinalizar tardiamente compromete o objetivo preventivo da regra. Em vias de maior fluxo, como avenidas movimentadas e rodovias, mudanças de faixa sem aviso prévio elevam significativamente o risco de colisões laterais e engavetamentos.
No contexto nacional, dados históricos de órgãos de fiscalização mostram que grande parte dos sinistros decorre de falhas humanas — e a comunicação inadequada está entre elas. A seta é, na prática, uma ferramenta básica de convivência viária.
Comunicação no trânsito vai além da seta
Especialistas em segurança viária lembram que dirigir é, antes de tudo, um exercício constante de comunicação. Além do uso correto da seta, fazem parte desse processo:
- redução gradual da velocidade antes da manobra;
- utilização adequada das luzes indicadoras;
- respeito à distância de segurança;
- previsibilidade nas ações ao volante.
Mudanças bruscas, freadas repentinas e decisões inesperadas são fatores que aumentam o risco de colisões, principalmente em ambientes urbanos.
O próprio Detran-MS reforça que, embora a fiscalização caiba aos órgãos competentes de trânsito, a conscientização é parte fundamental do trabalho educativo desenvolvido pelas instituições do Sistema Nacional de Trânsito.
Educação e formação: um desafio permanente
O alerta também reacende um debate importante no cenário brasileiro: a qualidade da formação de condutores e o papel da educação continuada.
Em um momento em que o processo de habilitação passa por mudanças estruturais em diversos Estados — com flexibilizações em etapas de exame e ajustes nas diretrizes de avaliação — especialistas têm reforçado que simplificar procedimentos não pode significar enfraquecer a cultura de segurança.
Sinalizar corretamente uma manobra é um dos primeiros conteúdos ensinados na formação de novos motoristas. No entanto, a prática cotidiana revela que muitos condutores deixam de aplicar princípios básicos aprendidos no processo de habilitação.
A comunicação clara no trânsito reduz conflitos, melhora a fluidez e contribui diretamente para a prevenção de acidentes. Não se trata apenas de evitar multa ou pontos na CNH, mas de preservar vidas.
Pequenas atitudes, grandes impactos
O alerta do Detran-MS serve como lembrete para condutores de todo o país: atitudes simples fazem diferença.
Acionar a seta com antecedência é um gesto rápido, mas que demonstra respeito, responsabilidade e compromisso com a segurança coletiva.
Em um sistema viário cada vez mais complexo, previsibilidade é sinônimo de proteção. E comunicar a própria intenção ao volante continua sendo uma das regras mais básicas — e mais ignoradas — do trânsito brasileiro.