
Mais de 6 mil pessoas morreram nas rodovias federais brasileiras em 2025. Outras milhares ficaram feridas. São números que aparecem em relatórios, estatísticas e balanços anuais, mas que, para especialistas em segurança viária, correm o risco de se tornar apenas parte da rotina.
É justamente contra essa naturalização da violência no trânsito que o Maio Amarelo 2026 foi lançado oficialmente nesta semana pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Neste ano, a campanha traz como tema: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.
A proposta é simples na mensagem, mas ampla no objetivo: lembrar que decisões aparentemente pequenas — acelerar além do limite, usar o celular ao volante, ignorar uma faixa de pedestres ou pilotar sem proteção adequada — têm consequências reais e, muitas vezes, irreversíveis.
Um problema diário — não apenas estatístico
Os dados apresentados pela PRF durante o lançamento da campanha ajudam a dimensionar o cenário.
Somente em 2025, foram registrados 72.483 sinistros nas rodovias federais brasileiras, com 6.044 mortes e mais de 83 mil feridos.
Ao mesmo tempo, as infrações continuam crescendo. A PRF contabilizou mais de 10,2 milhões de autuações no ano passado — aumento de 7,79% em relação ao período anterior.
Por trás dos números estão comportamentos que seguem recorrentes nas vias brasileiras:
- excesso de velocidade;
- distração ao volante;
- embriaguez;
- ultrapassagens perigosas;
- desrespeito ao uso do capacete e do cinto de segurança.
“Segurança viária é preservar vidas”
Durante o lançamento da campanha, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Fernando Oliveira, afirmou que o foco das ações vai além da fiscalização.
Conforme ele, o objetivo é reforçar a ideia de que segurança viária significa garantir que as pessoas consigam concluir seus deslocamentos em segurança.
“Segurança viária é garantir que as pessoas concluam seus deslocamentos com proteção. O foco é preservar vidas”.
A campanha prevê operações educativas, ações de conscientização e reforço da fiscalização em rodovias federais ao longo de maio.
Motociclistas entram no centro do debate
O crescimento acelerado da frota de motocicletas também aparece entre as principais preocupações das autoridades.
Com milhões de motos sendo incorporadas às ruas brasileiras todos os anos, aumenta também o número de usuários vulneráveis expostos diariamente ao risco de lesões graves e mortes.
Durante o evento, o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou a importância da conscientização, especialmente em relação ao uso correto de equipamentos de proteção.
O desafio vai além da fiscalização
Embora operações policiais e multas sejam parte importante da estratégia de redução de acidentes, especialistas em mobilidade e segurança viária defendem que o problema exige mudanças mais profundas.
Infraestrutura inadequada, formação deficiente de condutores, imprudência e tolerância cultural ao risco seguem entre os fatores que ajudam a explicar os altos índices de violência no trânsito brasileiro.
Por isso, campanhas como o Maio Amarelo tentam ampliar o debate para além das estatísticas e aproximar a sociedade das consequências humanas dessas escolhas.
Maio termina. O problema não.
Criado a partir de iniciativa internacional ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), o Maio Amarelo se consolidou como um dos principais movimentos de conscientização sobre segurança viária no mundo.
No Brasil, a campanha se espalha por escolas, rodovias, empresas e órgãos públicos durante o mês. Mas o principal desafio continua sendo manter a discussão viva depois que maio acaba.
Porque, enquanto o trânsito continuar matando diariamente, segurança viária seguirá sendo um tema urgente — e coletivo.