
Os motoristas que passam por diferentes pedágios Free Flow deverão ganhar uma forma centralizada de consultar as cobranças. A CNH do Brasil vai reunir as passagens registradas em concessões de rodovias federais, estaduais e municipais, permitindo ao usuário verificar os registros e, a partir da plataforma, realizar o pagamento referente ao trecho percorrido.
Conforme o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, a solução já está pronta e deverá ser lançada em breve. O anúncio ocorreu durante a 6ª edição do Panorama de Veículos, realizada em São Paulo.
De acordo com Catão, todas as concessionárias envolvidas já estão integradas ao sistema e homologadas pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e os respectivos atos de homologação já foram publicados no Diário Oficial.
A mudança busca enfrentar uma dificuldade que ganhou importância com a expansão do pedágio sem cancela no Brasil: o motorista precisa identificar por qual concessão passou para então localizar o ambiente adequado para consultar e pagar a tarifa.
CNH do Brasil vai concentrar passagens do Free Flow
Diferentemente das praças convencionais de pedágio, o Free Flow não possui cabines ou cancelas para pagamento no momento da passagem. O sistema identifica automaticamente os veículos que circulam pelos pórticos instalados nas rodovias.
Com diferentes concessões adotando a tecnologia, porém, a consulta das passagens e o pagamento das tarifas podem ocorrer em ambientes distintos. “O cidadão achava muito complexo, e é de fato complexo, ter que procurar onde pagar, onde fazer o pagamento, porque, como todos sabem, o Free Flow não tem cancela, não tem onde você pagar fisicamente. Isso gerava um estresse muito grande”, afirmou Adrualdo Catão.
Com a centralização, o motorista poderá consultar suas passagens pela CNH do Brasil e, a partir dali, realizar o pagamento correspondente ao trecho utilizado na rodovia concedida.
A proposta é que o mesmo ambiente reúna registros provenientes de concessões nas diferentes esferas — federal, estadual e municipal.
Free Flow avança pelas rodovias brasileiras
A criação de uma ferramenta centralizada ocorre em um momento de expansão do pedágio eletrônico no país.
Entre 2024 e 2026, o volume de transações realizadas pelo Free Flow cresceu 174%. Atualmente, existem 74 pórticos em operação, distribuídos entre 15 concessionárias.
Quanto maior o número de rodovias que adotam o modelo, maior também é a necessidade de o usuário acompanhar as passagens realizadas e os respectivos pagamentos.
A situação ganha uma dimensão adicional para empresas e motoristas que percorrem diferentes concessões com frequência. No caso das frotas, acompanhar passagens, vencimentos e pagamentos em diversos ambientes pode aumentar o risco de perda de prazos, retrabalho e pendências financeiras.
A centralização na CNH do Brasil pretende justamente reduzir essa fragmentação.
Dados também poderão auxiliar decisões sobre infraestrutura
A integração das informações do Free Flow deverá ter outra finalidade além de facilitar a vida do motorista.
De acordo com Adrualdo Catão, a concentração dos registros dará ao Sistema Nacional de Trânsito um conjunto de dados que poderá subsidiar decisões relacionadas à infraestrutura brasileira.
O secretário também associou o modelo à segurança viária. Na avaliação apresentada por ele, a passagem livre proporcionada pelo sistema evita sinistros que podem ocorrer nas praças físicas de pedágio.
Sem a necessidade de parar diante de uma cabine ou passar por uma cancela, o fluxo ocorre diretamente pelos pórticos instalados sobre ou ao lado da rodovia.
Centralização acompanha crescimento do pedágio sem cancela
Para Cintia Falcão, diretora-executiva da Acrefi, a expansão do Free Flow aumenta a necessidade de tornar o funcionamento do sistema mais simples para quem utiliza as rodovias.
“Quanto mais o Free Flow avança, mais importante se torna garantir que a experiência seja simples e transparente para o usuário. Integrar as informações é fundamental para que o ganho de eficiência da tecnologia também seja percebido na ponta”, afirma.
A centralização anunciada pela Senatran busca, portanto, acompanhar uma mudança que já está em andamento nas rodovias brasileiras.
Com 74 pórticos em funcionamento e crescimento de 174% no volume de transações entre 2024 e 2026, o Free Flow deixa de ser uma experiência restrita a poucos trechos. Nesse cenário, oferecer ao motorista um ponto único para localizar as passagens pode simplificar uma etapa que hoje exige atenção para identificar a concessionária responsável pela cobrança.
A ferramenta, entretanto, ainda não foi lançada. A informação divulgada pela Senatran é de que a solução está pronta, as concessionárias estão integradas e homologadas e a disponibilização deverá ocorrer em breve.