
Motoristas que possuem passagens pendentes em sistemas de pedágio eletrônico Free Flow precisam ficar atentos ao calendário. A janela criada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para a regularização sem aplicação de multas termina em 16 de novembro de 2026. A partir do dia 17, débitos não regularizados voltam a sujeitar o condutor às penalidades previstas.
A multa informada é de R$ 195,23, acompanhada do registro de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A penalidade pode ser aplicada a cada passagem que não tenha sido regularizada.
O fim do prazo ganha importância diante da rápida expansão do Free Flow pelas rodovias brasileiras. Entre 2024 e 2026, o volume de transações realizadas nesse modelo aumentou 174%. Atualmente, são 74 pórticos distribuídos por 15 concessionárias, em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Rondônia.
Com mais trechos adotando o pedágio sem cancela, acompanhar as passagens e os respectivos pagamentos passa a exigir mais atenção, especialmente de quem circula frequentemente por diferentes rodovias.
Por que o Free Flow exige atenção do motorista?
Ao contrário de uma praça de pedágio convencional, o Free Flow não exige que o veículo pare para efetuar o pagamento no momento da passagem.
Essa característica torna a circulação mais fluida, mas transfere ao usuário a necessidade de acompanhar as cobranças e realizar o pagamento dentro do prazo.
Desde o início da implantação do modelo no país, foram emitidas aproximadamente 3,1 milhões de multas por evasão, segundo os dados apresentados. Apenas 7% delas teriam sido efetivamente pagas, acumulando um passivo estimado em R$ 563 milhões.
Nesse cenário, esquecer uma passagem ou deixar de verificar a existência de uma cobrança pode resultar em uma pendência.
A situação exige atenção ainda maior de empresas com vários veículos em circulação, já que o acompanhamento precisa ser feito para cada placa e cada passagem registrada.
Novas regras para o Free Flow
A expansão ocorre também em meio a mudanças regulatórias. A Resolução ANTT nº 6.079/2026 estabeleceu novos requisitos para a operação do sistema, incluindo índices de leitura automática de placas superiores a 95% e confiabilidade de processamento de 99%.
A regulamentação também prevê interoperabilidade obrigatória entre operadores, requisitos mínimos de disponibilidade dos sistemas e oferta de diferentes meios de pagamento.
Para Pedro Hermano, CEO do Pedágio Eletrônico, a evolução do modelo faz com que o desafio passe gradualmente da instalação dos equipamentos para a gestão das cobranças.
“Os primeiros anos do Free Flow foram marcados pela implantação da infraestrutura. Agora entramos em uma nova etapa, em que a prioridade passa a ser facilitar a vida do motorista e garantir que o pagamento aconteça de forma simples, integrada e segura. O grande desafio do mercado deixou de ser instalar pórticos e passou a ser oferecer uma experiência eficiente para quem utiliza as rodovias.”
Frotas precisam redobrar o controle
Se um único motorista já precisa acompanhar suas passagens, o desafio se multiplica em empresas responsáveis por dezenas ou centenas de veículos.
“Uma passagem esquecida já gera transtornos para um motorista. Em uma operação com dezenas ou centenas de veículos, controlar manualmente os pagamentos passa a ser praticamente inviável. À medida que o Free Flow se expande, cresce também a necessidade de plataformas capazes de centralizar essa gestão e evitar que pendências se transformem em multas e custos operacionais”, afirma Hermano.
É nesse mercado que começam a surgir ferramentas destinadas a concentrar a gestão das cobranças.
Uma delas é o Pedágio Eletrônico, plataforma desenvolvida pela Movvia, empresa do Grupo Pumatronix. A ferramenta reúne consulta de passagens, verificação de débitos e pagamento das tarifas de concessionárias parceiras integradas.
Atualmente, a plataforma opera nas rodovias administradas pela Novo Litoral, em São Paulo, e Caminhos da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. A Via Campo tem integração prevista para os próximos meses, enquanto outras concessionárias estão em processo de adesão.
A ferramenta oferece pagamentos por PIX e cartão de crédito, carteira com saldo para quitação automática, cadastro de vários veículos, histórico de viagens e emissão de comprovantes. Também possui aplicativo para Android e iOS, com notificações sobre passagens e débitos pendentes.
Expansão aumenta a importância de acompanhar as passagens
À medida que o Free Flow chega a novas rodovias, o motorista precisa incorporar um novo cuidado à rotina de viagem: não basta passar pelo pórtico e seguir viagem; é necessário verificar a cobrança e garantir que a tarifa tenha sido quitada no prazo.
Para Hermano, essa transformação tende a criar uma estrutura de pagamentos cada vez mais integrada.
“O Free Flow não representa apenas uma mudança na forma de cobrar pedágio. Estamos vendo nascer uma nova infraestrutura de pagamentos para rodovias, baseada em interoperabilidade, integração entre sistemas e diferentes meios de pagamento. Quanto maior for a adoção desse modelo, mais importante será oferecer plataformas que simplifiquem essa experiência para motoristas, transportadoras e concessionárias”, conclui.
Para quem já possui passagens pendentes, porém, a informação mais imediata é o calendário: a janela de regularização termina em 16 de novembro. Com a retomada das penalidades informada para 17 de novembro, conferir eventuais débitos antes do encerramento do prazo pode evitar multas e pontos na CNH.