Dispositivos tecnológicos agregam eficiência na segurança do trânsito


Por Mariana Czerwonka

Beatriz Souza – Assessoria de Imprensa

Dados da Setran de Curitiba apontam que, atualmente, os semáforos inteligentes podem beneficiar 160 mil idosos com o cartão de isento habilitado pela Urbs. Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Lombadas holográficas e pontos de ônibus com conexão Wi-Fi gerada a partir de energia solar. Os termos parecem saídos de tramas futuristas, mas já compõem a realidade de cidades norte-americanas como Filadélfia e São Francisco. Desenvolvidas para aprimorar aspectos como segurança, mobilidade e fiscalização no trânsito, as novas tecnologias são geralmente aplicadas por meio de dispositivos práticos, com design leve e interativo.

Antes de considerar o segmento para o qual irão levar benefícios, os projetos tecnológicos devem adequar-se aos moldes das cidades onde serão aplicados. “Cada lugar apresenta necessidades distintas, que variam, por exemplo, conforme a topografia e a densidade populacional. No caso de São Paulo, como o trânsito é parte essencial da rotina do cidadão, iniciativas que priorizem os transportes coletivos têm ainda mais importância”, ressalta Ricardo Simões, gerente de produtos da Perkons, empresa especializada em gestão de trânsito, que visualiza o uso de tecnologias como um grande aliado na gestão de trânsito.

De acordo com ele, conferir mais segurança aos deslocamentos – sejam eles realizados por ciclistas, pedestres ou motoristas -, é uma etapa estratégica para construção de cidades mais humanas, sustentáveis e que suportem as demandas de mobilidade dos seus habitantes. Contudo, o Brasil permanece com sinais de atraso evidentes neste quesito, consequência das carências de infraestrutura. “Muitas vezes a administração pública está preocupada prioritariamente, e com razão, em solucionar questões mais básicas antes de avançar em direção a tecnologias mais atuais”, pontua Simões.

Da teoria à prática: Integração é a chave

Em um cenário hipotético, onde os avanços tecnológicos compusessem a realidade do trânsito brasileiro, muitas adversidades cairiam por terra. Ainda assim, os esforços voltados à fiscalização não poderiam cessar, como indica o gerente. “Seria ainda mais necessária uma infraestrutura conceitual e de integração, desenhada por meio de padrões e protocolos determinados”, salienta Simões. É neste aspecto que trabalha o grupo de estudo CEE-127, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, muito focado em ações de gestão de trânsito capazes de integrar diferentes tecnologias para aprimorar a mobilidade e o convívio entre os cidadãos no trânsito.

Embora a passos tímidos, alguns projetos tecnológicos já estão em andamento em território brasileiro. Testado e licitado pela Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba (Setran), o projeto que inclui equipamentos no-break em alguns cruzamentos da cidade é um desses exemplos. O propósito é manter o funcionamento regular dos semáforos mesmo depois de quedas de energia. “Curitiba volta a ser vanguarda na área de trânsito, pois vem buscando soluções inteligentes para melhoria da mobilidade urbana, otimização de processos, garantia da segurança do trânsito e redução de impactos sociais e ambientais”, destaca o coordenador de fiscalização eletrônica do Setran e coordenador da Comissão de Análise de Novas Tecnologias de Trânsito, Marcio de Souza.

Na análise do coordenador, engenharia e fiscalização têm sido as áreas mais contempladas por propostas deste cunho, resultado das próprias tendências de mercado cada vez mais focadas em deslocamentos seguros. “Outra iniciativa em Curitiba que dialoga com esta premissa são os 120 semáforos inteligentes instalados em 31 cruzamentos. Eles podem ser acionados por meio do cartão de isento do transporte coletivo da cidade e estão localizados em trechos com grande fluxo de usuários com dificuldade de mobilidade, para assegurar uma travessia mais segura a eles”, informa.

Para a Presidente da Comissão de Sistema Inteligente de Transporte (ITS) da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Valeska Peres Pinto, embora tornem o translado mais tranquilo, alternativas como essas precisam de um respaldo consistente para serem funcionais. “A introdução deste tipo de semáforos, assim como de câmaras e painéis de mensagens variáveis, deve compor um sistema de gestão completo, com profissionais preparados, integração de todos os agentes e procedimentos de resposta a possíveis eventos, como acidentes”, ressalva.

Conforme destaca Simões, há uma diversidade de insights com este caráter espalhados por todo país, incluindo a utilização de ferramentas de ponta. “Esse “caldeirão efervescente” de ideias e iniciativas é natural neste momento e muito salutar. O que vemos necessidade é de um fio condutor, uma linha mestra para que todo esse capital intelectual venha a convergir para um aproveitamento mais efetivo”, finaliza.

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