
O transporte rodoviário de passageiros voltou a ganhar relevância no planejamento de deslocamentos dentro do Brasil. Isso pode ter ocorrido principalmente entre pessoas que buscam opções acessíveis com passagens de ônibus baratas.
Segundo os dados de um balanço da plataforma de vendas de passagens rodoviárias online ClickBus, 2025 encerrou com as viagens de ônibus em um crescimento de 46% em comparação com 2024, podendo refletir o aquecimento do turismo doméstico e a migração dos passageiros para canais digitais de compra.
Esse movimento ocorre em um contexto no qual fatores econômicos e comportamentais influenciam as escolhas de deslocamento, principalmente para trajetos dentro do território nacional.
O papel do transporte rodoviário no turismo doméstico
De acordo com reportagem do Correio Braziliense, com pesquisa realizada pela FlixBus em março de 2025, 60% das intenções de viagem registradas no levantamento tinham como principal motivação a visita a amigos e familiares. Esse fator supera férias, viagens de fim de semana e deslocamentos a trabalho.
Além disso, esse comportamento indica que, além de uma questão econômica, a escolha pelo ônibus está relacionada a fatores culturais e sociais, como a manutenção de vínculos familiares e afetivos em contextos de viagem.
Aspectos econômicos e comparação de custos
A relação entre custo e benefício é um dos principais motivos pelos quais os viajantes retomaram os deslocamentos por estrada. Em trajetos comuns no país, optar por ônibus pode representar economia significativa em comparação ao custo associado a um veículo particular ou até mesmo a outros modais.
Segundo reportagem publicada no portal Mercado e Eventos, em simulações de trechos como São Paulo–Rio de Janeiro, os gastos com combustível e pedágios para um veículo particular podem ser substancialmente maiores do que o valor de uma passagem rodoviária.
De acordo com um comparativo de custos divulgado em 2022 pela plataforma Wemobi e repercutido pelo portal Mercado e Eventos, em simulações de rotas como São Paulo – Rio de Janeiro e São Paulo – Curitiba, a diferença entre viajar de carro e optar pelo ônibus chegou a se aproximar de 90%. Esse valor considera gastos com combustível e pedágio versus o valor das passagens rodoviárias naquele período.
O levantamento foi baseado em preços praticados à época e representa estimativas pontuais de trajetos específicos, não um retrato estatístico amplo do setor em anos posteriores.
Essa diferença é mais evidente em trajetos populares e com forte competição entre horários e rotas, onde a oferta de bilhetes com preços mais baixos tende a ser maior.
Comparação com outros modais
O modal rodoviário também pode apresentar vantagem de custo frente ao transporte aéreo em muitos trechos.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), tarifas rodoviárias de curtas e médias distâncias podem ser até cerca de 90% mais baixas do que tarifas aéreas em trajetos de até 12 horas. Um cenário comum para deslocamentos interestaduais no Brasil.
Por exemplo, no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro, a viagem de ônibus pode representar uma economia de cerca de 92% em comparação ao custo médio de uma passagem aérea. Entre Rio de Janeiro e Vitória a diferença chega a 89%.
Já em trechos nordestinos como Natal–Fortaleza, a economia é da ordem de 86% na comparação de valores dos bilhetes rodoviários e aéreos.
Conectividade, capilaridade e comportamento do viajante
Outro fator que pode contribuir para o aumento da preferência pelo transporte por ônibus é a capilaridade da malha rodoviária brasileira. O país possui uma extensa rede de estradas que interligam cidades de diferentes portes, alcançando destinos que muitas vezes não contam com oferta aérea regular.
Ainda, a preferência dos viajantes por ônibus também se reflete no perfil de uso: muitos consumidores valorizam a oferta de horários variados e a posição central das rodoviárias nas cidades, o que reduz a necessidade de deslocamentos adicionais e custos extras de transporte local.
Nesse contexto, a procura por passagem de ônibus barata surge como um indicativo claro de que muitos brasileiros estão atentos às opções de deslocamento mais acessíveis disponíveis no mercado.
A influência da digitalização
A migração para canais digitais de compra tem facilitado a comparação de preços e a organização de itinerários, o que também contribui para a escolha pelo ônibus como meio de deslocamento. A ampla oferta de rotas online, aliada à facilidade de compra antecipada, permite que o passageiro encontre oportunidades de bilhetes com melhor custo-benefício.
Além disso, esse processo de digitalização pode ser um dos fatores que reforçam a competitividade do modal, ampliando o acesso a informações e possibilitando decisões mais informadas por parte dos viajantes.
Diante desse cenário, o transporte rodoviário volta a ocupar um lugar de destaque entre os brasileiros que buscam alternativas mais acessíveis para se deslocar pelo país. A combinação entre baixos custos, fortalecimento do turismo e avanço da digitalização na venda de passagens tem posicionado o ônibus como uma opção competitiva.