
Muitos brasileiros aproveitaram o fim de semana prolongado do feriadão da Independência do Brasil 2026 para viajar. Na preparação, porém, o planejamento geralmente se concentra na ida: revisão do veículo, escolha do trajeto, organização das malas e definição do horário de saída. A viagem de volta, porém, nem sempre recebe o mesmo cuidado. Na tentativa de aproveitar o feriado até o último minuto, alguns motoristas deixam o retorno para o fim do dia e entram na rodovia já cansados, preocupados com o horário e diante de um fluxo mais intenso de veículos.
O risco, portanto, pode começar antes mesmo de o motorista ligar o carro. Dormir pouco, consumir bebida alcoólica no almoço, realizar atividades desgastantes durante o dia ou adiar repetidamente a partida são decisões capazes de comprometer a segurança no trajeto.
Conforme o Panorama CNT de Acidentes Rodoviários, o Brasil registrou 72.476 sinistros nas rodovias federais em 2025, com 6.040 mortes. Os dados reforçam a importância de evitar comportamentos que favoreçam erros, reações tardias e decisões arriscadas ao volante.
Veja sete erros comuns no último dia do feriadão e como evitá-los.
1. Tentar aproveitar o destino até o último minuto
A ideia de permanecer “só mais um pouco” pode fazer com que a viagem comece muito mais tarde do que o planejado. Com isso, o motorista pode encontrar trânsito intenso, dirigir à noite ou se sentir pressionado a acelerar para chegar mais cedo.
Antes mesmo de sair de casa, o ideal é estabelecer um horário-limite para o retorno e considerar o tempo necessário para organizar as malas, abastecer o veículo e acomodar todos os passageiros.
Se houver atraso, a orientação é recalcular a previsão de chegada, e não tentar recuperar o tempo aumentando a velocidade ou realizando ultrapassagens arriscadas.
2. Confundir um dia sem dirigir com um dia de descanso
Nem sempre o último dia do passeio é realmente um período de recuperação. Praia, piscina, trilhas, passeios prolongados, exposição ao calor e atividades físicas também podem provocar desgaste.
Além disso, dormir pouco durante o feriado pode resultar em um cansaço acumulado que se manifesta justamente durante a viagem de volta.
Bocejos frequentes, dificuldade para manter os olhos abertos, perda de concentração, irritabilidade, esquecimento dos últimos quilômetros percorridos e dificuldade para manter o veículo dentro da faixa são sinais de alerta. Ao perceber qualquer um deles, o motorista deve parar em um local seguro e descansar.
Abrir a janela, aumentar o volume do rádio, conversar com os passageiros ou consumir café e energéticos não substitui o sono adequado.
3. Consumir bebida alcoólica porque a viagem será apenas algumas horas depois
O almoço de despedida do feriado pode se tornar uma armadilha quando o motorista pretende pegar a estrada no mesmo dia. Não existe uma conta simples e segura que permita determinar quando uma pessoa estará completamente livre dos efeitos do álcool.
A velocidade de metabolização varia de acordo com diversos fatores individuais. Além disso, café, banho, alimentação ou algumas horas de espera não dão ao condutor a garantia de que estará em condições de dirigir.
No Brasil, a legislação adota tolerância zero para a combinação entre álcool e direção. Por isso, se ainda houver viagem programada, a decisão segura é não beber. Caso o consumo tenha ocorrido, outra pessoa habilitada e em condições deve assumir a condução, ou o retorno precisa ser adiado.
4. Arrumar tudo somente na hora de sair
Deixar malas, documentos e objetos pessoais para a última hora aumenta o estresse e pode atrasar a partida. A pressa também favorece esquecimentos e uma acomodação inadequada da bagagem.
Objetos soltos dentro do habitáculo podem ser projetados contra os ocupantes em uma frenagem brusca ou colisão. As malas devem ser transportadas preferencialmente no porta-malas, sem comprometer a visibilidade do motorista nem ultrapassar os limites do veículo.
Documentos, chaves, meios de pagamento e itens necessários durante o trajeto devem ser separados com antecedência. Crianças e animais também precisam ser transportados nos dispositivos ou condições adequadas.
5. Sair sem consultar as condições do caminho
Mesmo quando o trajeto é conhecido, as condições da rodovia podem ter mudado. Obras, acidentes, chuva, interdições e congestionamentos podem alterar significativamente o tempo de viagem.
Antes da partida, vale consultar os canais oficiais das concessionárias, da Polícia Rodoviária Federal, dos departamentos rodoviários e dos órgãos de trânsito responsáveis pelo trecho.
A consulta deve ser feita antes de colocar o veículo em movimento. Durante a condução, o celular não pode ser manuseado pelo motorista. Se for necessário alterar o trajeto, a operação deve ficar sob responsabilidade de um passageiro ou ser realizada com o veículo estacionado em local seguro.
6. Deixar para abastecer durante o retorno
Em horários de movimento intenso, postos localizados nas rodovias e em suas proximidades podem apresentar filas. Além disso, congestionamentos, desvios ou bloqueios podem elevar o consumo e aumentar a distância até o próximo ponto de abastecimento.
A recomendação é iniciar a viagem com combustível suficiente para o percurso e conhecer previamente os locais disponíveis para paradas. No caso de veículos elétricos, é importante verificar a autonomia e planejar os pontos de recarga, considerando que eles poderão estar mais disputados durante o feriado.
O planejamento também deve incluir alimentação, hidratação e locais seguros para descanso.
7. Insistir em dirigir porque é preciso trabalhar no dia seguinte
O compromisso de retornar ao trabalho, levar os filhos à escola ou cumprir outros horários não torna o motorista mais resistente ao sono. Pelo contrário: a preocupação com a chegada pode incentivar decisões perigosas, como dirigir por muitas horas, deixar de fazer pausas ou aumentar a velocidade.
A Polícia Rodoviária Federal alerta que dirigir cansado ou com sono aumenta a possibilidade de erros e recomenda programar paradas durante o percurso. Em viagens mais longas, também é importante dividir a condução, desde que o outro motorista seja habilitado, esteja descansado e não tenha consumido bebida alcoólica.
Se não houver condições seguras para continuar, o correto é interromper o trajeto e descansar. Chegar depois do planejado é sempre preferível a seguir viagem sem condições físicas e mentais para dirigir.
Como planejar uma volta mais segura
Algumas providências simples podem reduzir a pressa e o desgaste no retorno:
- defina antecipadamente o horário da partida;
- durma o suficiente na noite anterior;
- evite atividades muito cansativas antes da viagem;
- não consuma bebida alcoólica se ainda for dirigir;
- organize malas e documentos com antecedência;
- consulte o trânsito, o clima e as condições da rodovia;
- abasteça antes do período de maior movimento;
- identifique locais seguros para alimentação e descanso;
- mantenha uma margem de tempo para imprevistos;
- não estabeleça um horário de chegada que exija pressa.
A segurança da volta também faz parte da viagem
Planejar o retorno não significa abrir mão do último dia de descanso, mas aproveitá-lo sem transformar a volta para casa em uma corrida contra o relógio.
Ao definir antecipadamente quando sair, quem irá dirigir e onde serão feitas as paradas, o motorista reduz a pressão durante o percurso e evita que o cansaço, a pressa ou um imprevisto determinem suas decisões.
A viagem só termina quando todos chegam em segurança.