A viagem de volta começa antes de entrar no carro: 7 erros cometidos no último dia do feriadão

Pressa para aproveitar até o último minuto, cansaço e falta de planejamento podem transformar o retorno para casa em uma viagem mais arriscada.


Por Mariana Czerwonka
Viagem de volta
Planejar o retorno não significa abrir mão do último dia de descanso, mas aproveitá-lo sem transformar a volta para casa em uma corrida contra o relógio. Foto: AdobeStock

Muitos brasileiros aproveitaram o fim de semana prolongado do feriadão da Independência do Brasil 2026 para viajar. Na preparação, porém, o planejamento geralmente se concentra na ida: revisão do veículo, escolha do trajeto, organização das malas e definição do horário de saída. A viagem de volta, porém, nem sempre recebe o mesmo cuidado. Na tentativa de aproveitar o feriado até o último minuto, alguns motoristas deixam o retorno para o fim do dia e entram na rodovia já cansados, preocupados com o horário e diante de um fluxo mais intenso de veículos.

O risco, portanto, pode começar antes mesmo de o motorista ligar o carro. Dormir pouco, consumir bebida alcoólica no almoço, realizar atividades desgastantes durante o dia ou adiar repetidamente a partida são decisões capazes de comprometer a segurança no trajeto.

Conforme o Panorama CNT de Acidentes Rodoviários, o Brasil registrou 72.476 sinistros nas rodovias federais em 2025, com 6.040 mortes. Os dados reforçam a importância de evitar comportamentos que favoreçam erros, reações tardias e decisões arriscadas ao volante.

Veja sete erros comuns no último dia do feriadão e como evitá-los.

1. Tentar aproveitar o destino até o último minuto

    A ideia de permanecer “só mais um pouco” pode fazer com que a viagem comece muito mais tarde do que o planejado. Com isso, o motorista pode encontrar trânsito intenso, dirigir à noite ou se sentir pressionado a acelerar para chegar mais cedo.

    Antes mesmo de sair de casa, o ideal é estabelecer um horário-limite para o retorno e considerar o tempo necessário para organizar as malas, abastecer o veículo e acomodar todos os passageiros.

    Se houver atraso, a orientação é recalcular a previsão de chegada, e não tentar recuperar o tempo aumentando a velocidade ou realizando ultrapassagens arriscadas.

    2. Confundir um dia sem dirigir com um dia de descanso

      Nem sempre o último dia do passeio é realmente um período de recuperação. Praia, piscina, trilhas, passeios prolongados, exposição ao calor e atividades físicas também podem provocar desgaste.

      Além disso, dormir pouco durante o feriado pode resultar em um cansaço acumulado que se manifesta justamente durante a viagem de volta.

      Bocejos frequentes, dificuldade para manter os olhos abertos, perda de concentração, irritabilidade, esquecimento dos últimos quilômetros percorridos e dificuldade para manter o veículo dentro da faixa são sinais de alerta. Ao perceber qualquer um deles, o motorista deve parar em um local seguro e descansar.

      Abrir a janela, aumentar o volume do rádio, conversar com os passageiros ou consumir café e energéticos não substitui o sono adequado.

      3. Consumir bebida alcoólica porque a viagem será apenas algumas horas depois

        O almoço de despedida do feriado pode se tornar uma armadilha quando o motorista pretende pegar a estrada no mesmo dia. Não existe uma conta simples e segura que permita determinar quando uma pessoa estará completamente livre dos efeitos do álcool.

        A velocidade de metabolização varia de acordo com diversos fatores individuais. Além disso, café, banho, alimentação ou algumas horas de espera não dão ao condutor a garantia de que estará em condições de dirigir.

        No Brasil, a legislação adota tolerância zero para a combinação entre álcool e direção. Por isso, se ainda houver viagem programada, a decisão segura é não beber. Caso o consumo tenha ocorrido, outra pessoa habilitada e em condições deve assumir a condução, ou o retorno precisa ser adiado.

        4. Arrumar tudo somente na hora de sair

          Deixar malas, documentos e objetos pessoais para a última hora aumenta o estresse e pode atrasar a partida. A pressa também favorece esquecimentos e uma acomodação inadequada da bagagem.

          Objetos soltos dentro do habitáculo podem ser projetados contra os ocupantes em uma frenagem brusca ou colisão. As malas devem ser transportadas preferencialmente no porta-malas, sem comprometer a visibilidade do motorista nem ultrapassar os limites do veículo.

          Documentos, chaves, meios de pagamento e itens necessários durante o trajeto devem ser separados com antecedência. Crianças e animais também precisam ser transportados nos dispositivos ou condições adequadas.

          5. Sair sem consultar as condições do caminho

            Mesmo quando o trajeto é conhecido, as condições da rodovia podem ter mudado. Obras, acidentes, chuva, interdições e congestionamentos podem alterar significativamente o tempo de viagem.

            Antes da partida, vale consultar os canais oficiais das concessionárias, da Polícia Rodoviária Federal, dos departamentos rodoviários e dos órgãos de trânsito responsáveis pelo trecho.

            A consulta deve ser feita antes de colocar o veículo em movimento. Durante a condução, o celular não pode ser manuseado pelo motorista. Se for necessário alterar o trajeto, a operação deve ficar sob responsabilidade de um passageiro ou ser realizada com o veículo estacionado em local seguro.

            6. Deixar para abastecer durante o retorno

              Em horários de movimento intenso, postos localizados nas rodovias e em suas proximidades podem apresentar filas. Além disso, congestionamentos, desvios ou bloqueios podem elevar o consumo e aumentar a distância até o próximo ponto de abastecimento.

              A recomendação é iniciar a viagem com combustível suficiente para o percurso e conhecer previamente os locais disponíveis para paradas. No caso de veículos elétricos, é importante verificar a autonomia e planejar os pontos de recarga, considerando que eles poderão estar mais disputados durante o feriado.

              O planejamento também deve incluir alimentação, hidratação e locais seguros para descanso.

              7. Insistir em dirigir porque é preciso trabalhar no dia seguinte

                O compromisso de retornar ao trabalho, levar os filhos à escola ou cumprir outros horários não torna o motorista mais resistente ao sono. Pelo contrário: a preocupação com a chegada pode incentivar decisões perigosas, como dirigir por muitas horas, deixar de fazer pausas ou aumentar a velocidade.

                A Polícia Rodoviária Federal alerta que dirigir cansado ou com sono aumenta a possibilidade de erros e recomenda programar paradas durante o percurso. Em viagens mais longas, também é importante dividir a condução, desde que o outro motorista seja habilitado, esteja descansado e não tenha consumido bebida alcoólica.

                Se não houver condições seguras para continuar, o correto é interromper o trajeto e descansar. Chegar depois do planejado é sempre preferível a seguir viagem sem condições físicas e mentais para dirigir.

                Como planejar uma volta mais segura

                Algumas providências simples podem reduzir a pressa e o desgaste no retorno:

                A segurança da volta também faz parte da viagem

                Planejar o retorno não significa abrir mão do último dia de descanso, mas aproveitá-lo sem transformar a volta para casa em uma corrida contra o relógio.

                Ao definir antecipadamente quando sair, quem irá dirigir e onde serão feitas as paradas, o motorista reduz a pressão durante o percurso e evita que o cansaço, a pressa ou um imprevisto determinem suas decisões.

                A viagem só termina quando todos chegam em segurança.

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