Acidentes de trânsito podem causar ruptura da bexiga em motoristas com o órgão cheio

Dirigir com a bexiga cheia aumenta o risco de ruptura do órgão em acidentes de trânsito. Especialistas alertam que a complicação pode ser grave e até fatal.


Por Agência de Notícias
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Em um trauma abdominal, especialmente se a bexiga estiver muito cheia, essa região pode se romper. Foto: casarda para Depositphotos

Sofrer um acidente de trânsito estando com a bexiga cheia pode trazer riscos que vão além dos traumas mais conhecidos. A pressão gerada no impacto pode provocar a ruptura do órgão, um quadro grave e de difícil diagnóstico imediato. A informação foi divulgada em reportagem da Rádio Agência.

De acordo com o urologista Joabe Carneiro, a bexiga é naturalmente protegida pela cintura pélvica, formada por ossos e musculatura. Porém, existe uma região mais vulnerável, chamada cúpula vesical, localizada na parte superior do órgão.

“É uma parte livre da bexiga, que não tem nada em volta. Em um trauma abdominal, especialmente se a bexiga estiver muito cheia, essa região pode se romper”, explica o médico em entrevista à Rádio Agência.

As lesões de bexiga são consideradas pouco comuns nos traumas abdominais fechados, correspondendo a cerca de 2% dos casos, segundo dados também destacados pela reportagem. No entanto, o risco aumenta significativamente quando há fratura de bacia, já que os fragmentos ósseos podem perfurar o órgão.

Consequências podem ser fatais

Quando ocorre a ruptura, a urina extravasa para a cavidade abdominal e entra em contato com as alças intestinais. Esse processo gera irritação intensa e leva o paciente a apresentar um quadro conhecido como abdômen agudo traumático. Os sintomas incluem dor abdominal difusa, rigidez e sinais de irritação peritoneal, que muitas vezes confundem o diagnóstico.

Joabe Carneiro alerta que, além da dor intensa, a complicação pode evoluir para uma infecção generalizada, já que a urina, em contato com o ambiente interno, favorece a proliferação de bactérias. “Em situações assim, pode ser necessária cirurgia de emergência. Se não tratado rapidamente, o quadro pode ser fatal”, reforça.

Caso real em Salvador

A gravidade do problema foi vivida pelo contador Antônio Cláudio Gaurão, que sofreu um acidente há três anos na Avenida Paralela, em Salvador. Em entrevista à Rádio Agência, ele relatou que teve a bexiga rompida no impacto e precisou passar por um procedimento cirúrgico de urgência.

“A recuperação é complicada. Fiquei com duas bolsas coletoras por cerca de 30 dias. Foi muito difícil, mas aprendi a lição: nunca mais dirijo com a bexiga cheia. É algo sério e que pode custar a vida”, relatou.

Prevenção: um hábito simples que salva

Embora pouco comentada, a recomendação é simples: esvaziar a bexiga antes de viagens de carro ou de trajetos longos. Mesmo deslocamentos curtos, quando associados a engarrafamentos, podem aumentar o risco, já que o órgão fica sobrecarregado.

Além disso, especialistas lembram que o uso correto do cinto de segurança também é fundamental. Ele ajuda a conter o corpo no impacto, mas, se a bexiga estiver muito cheia, a pressão exercida pela faixa abdominal pode potencializar o risco de rompimento.

Atenção redobrada no trânsito

Casos como o de Antônio Cláudio reforçam a importância de adotar cuidados preventivos que vão além da direção defensiva. Manter o organismo em condições adequadas para enfrentar imprevistos no trânsito é parte da segurança viária.

“Pode parecer um detalhe, mas não é. Assim como descansamos antes de pegar a estrada e evitamos dirigir sob efeito de álcool ou remédios, esvaziar a bexiga também deve fazer parte da rotina de segurança do motorista”, conclui o urologista Joabe Carneiro, em fala registrada pela Rádio Agência.

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