
O alerta vermelho de tempestade emitido para áreas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul nesta segunda-feira (31) exige atenção redobrada de quem precisa pegar a estrada. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há possibilidade de chuva superior a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros ao longo do dia, ventos que podem ultrapassar 100 km/h e queda de granizo.
O aviso de grande perigo alcança centenas de municípios dos dois estados e aponta riscos de alagamentos, queda de árvores, interrupção no fornecimento de energia e transtornos no transporte rodoviário. A previsão oficial indica que agosto termina com tempestades e granizo no Sul, enquanto outras regiões do país enfrentam calor intenso e baixa umidade.
Mais do que acompanhar a previsão, entretanto, quem pretende viajar precisa entender o nível de risco e avaliar se é possível adiar o deslocamento.
Alerta vermelho indica grande perigo
Os avisos meteorológicos do Inmet são classificados por cores. O amarelo indica perigo potencial; o laranja representa perigo; e o vermelho sinaliza grande perigo, com maior probabilidade de danos e acidentes.
Diante de um alerta vermelho, a primeira recomendação é verificar se a viagem é realmente necessária. Quando houver possibilidade de adiar a saída ou alterar o trajeto, essa pode ser a decisão mais segura.
Antes de sair, o motorista deve consultar a previsão para todo o percurso, e não somente para a cidade de origem ou destino. Também é importante acompanhar os canais da Defesa Civil, da Polícia Rodoviária Federal, dos órgãos rodoviários estaduais e das concessionárias responsáveis pelas vias.
O que fazer se a chuva forte começar durante a viagem?
Caso o motorista seja surpreendido por uma tempestade na estrada, deve reduzir gradualmente a velocidade, aumentar a distância em relação ao veículo da frente e manter os faróis baixos acesos.
Mudanças bruscas de direção e frenagens repentinas devem ser evitadas. A pista molhada reduz a aderência dos pneus e aumenta o espaço necessário para parar o veículo.
Também é importante:
- manter o para-brisa desembaraçado;
- utilizar os limpadores em velocidade compatível com a chuva;
- segurar o volante com as duas mãos;
- evitar ultrapassagens;
- observar possíveis acúmulos de água;
- manter distância de caminhões e ônibus, que levantam grande quantidade de água e reduzem a visibilidade;
- acompanhar as luzes dos veículos à frente sem utilizá-las como única referência.
O pisca-alerta não deve ser acionado com o veículo em movimento apenas porque está chovendo. O uso inadequado pode confundir os outros condutores e dificultar a identificação de uma parada ou emergência real.
Quando é mais seguro interromper a viagem?
Se a chuva estiver tão intensa que não seja possível enxergar a pista, as faixas ou os veículos adiante, insistir em continuar pode ser mais perigoso do que interromper o deslocamento.
O motorista deve procurar um local seguro fora da rodovia, como um posto de combustíveis, uma base da concessionária ou um ponto de apoio. Parar sobre a pista ou no acostamento deve ser evitado, pois a baixa visibilidade aumenta o risco de colisões traseiras.
Ao encontrar um local protegido, o condutor deve aguardar a redução da tempestade e consultar as condições do trecho antes de retomar a viagem. A orientação oficial para situações de visibilidade muito baixa é buscar um ponto seguro fora da rodovia. Agência SP.
Como agir em caso de aquaplanagem?
A aquaplanagem acontece quando os pneus perdem o contato com o pavimento por causa de uma camada de água. A direção pode ficar repentinamente leve e o motorista perder temporariamente o controle do veículo.
Caso isso aconteça, a Polícia Rodoviária Federal orienta a segurar firmemente o volante, mantê-lo reto e retirar gradualmente o pé do acelerador. O condutor não deve frear bruscamente nem fazer movimentos repentinos até que os pneus recuperem a aderência. PRF.
Para reduzir o risco, é fundamental diminuir a velocidade antes de chegar a trechos com água acumulada e manter os pneus em boas condições, com sulcos adequados e calibragem correta.
Ventos fortes podem desestabilizar os veículos
Rajadas superiores a 100 km/h podem alterar a trajetória dos veículos, especialmente em pontes, viadutos, áreas abertas e saídas de túneis. Caminhões, ônibus, motocicletas, veículos com reboque e automóveis que transportam cargas no teto são ainda mais vulneráveis.
Nessas condições, o motorista deve reduzir a velocidade, manter as duas mãos no volante e evitar manobras abruptas. Também é necessário aumentar a distância lateral ao ultrapassar veículos grandes, porque o deslocamento de ar pode afetar a estabilidade.
Se a ventania estiver muito forte, a orientação é interromper o deslocamento em um local seguro. O veículo não deve ser estacionado sob árvores, postes, outdoors, placas ou estruturas que possam cair.
Onde parar durante uma chuva de granizo?
Ao perceber a aproximação de uma chuva de granizo, o motorista deve procurar uma área coberta e segura, localizada fora da pista. Postos de combustíveis e estabelecimentos às margens da rodovia podem servir de abrigo, desde que o acesso possa ser feito sem manobras repentinas.
Não se deve parar sob árvores, estruturas frágeis ou sobre a pista. Também é perigoso permanecer embaixo de viadutos ou túneis bloqueando faixas e acostamentos, pois essa conduta pode provocar engavetamentos e impedir a passagem de veículos de emergência.
Se não houver um abrigo próximo, o mais seguro é reduzir a velocidade, manter distância e procurar um ponto adequado para sair da rodovia.
Nunca atravesse um trecho alagado
O motorista não consegue avaliar com segurança a profundidade da água, a força da correnteza nem as condições do pavimento em um trecho alagado. A pista pode ter cedido ou estar escondendo buracos e obstáculos.
Mesmo veículos maiores podem ser arrastados. Por isso, ao encontrar uma área inundada, a recomendação é não avançar. O condutor deve retornar, procurar uma rota alternativa e respeitar eventuais bloqueios das autoridades.
Planejamento pode evitar que o motorista fique exposto
Além de acompanhar os alertas meteorológicos, alguns cuidados antes da viagem reduzem os riscos:
- verificar pneus, freios, limpadores e iluminação;
- abastecer o veículo antes de entrar em trechos mais isolados;
- manter o celular carregado;
- informar a alguém o trajeto previsto;
- evitar horários de maior intensidade da tempestade;
- conhecer pontos de apoio ao longo da rota;
- não seguir aplicativos de navegação por vias alagadas ou interditadas.
Em caso de emergência em rodovia federal, o motorista pode acionar a PRF pelo telefone 191. O Corpo de Bombeiros atende pelo 193 e a Defesa Civil pelo 199. Nas rodovias concedidas, o número de emergência costuma estar informado em placas ao longo do percurso.
Diante de um alerta vermelho de tempestade, chegar mais tarde ou adiar a viagem pode ser a escolha mais prudente. Nenhum compromisso compensa o risco de enfrentar chuva extrema, granizo, alagamentos e rajadas de vento sem condições seguras de circulação.