Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais estão entre os estados brasileiros atravessados por importantes corredores do transporte rodoviário de cargas. Rodovias como a BR-101, a BR-116 e a BR-381 concentram intenso movimento de caminhões e apresentam trechos que exigem atenção especial dos condutores, seja pelo volume de sinistros, pelas características da infraestrutura ou pelas condições de circulação.
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, a BR-101 e a BR-116 estiveram entre as rodovias federais com maior número de sinistros registrados no Brasil. Já a BR-381, especialmente em Minas Gerais, chama atenção pelas ocorrências envolvendo veículos pesados.
O cenário reforça a importância de medidas de prevenção que vão além da identificação dos trechos com mais acidentes. Para empresas de transporte e gestores de frotas, compreender os fatores que aumentam os riscos durante as viagens pode contribuir para decisões mais seguras.
É nesse contexto que a Geotab, empresa especializada em soluções de gestão de frotas, destaca o uso da telemetria, da videotelemetria e da inteligência artificial como ferramentas de apoio à segurança viária.
“Não basta saber quais são as rodovias mais críticas. Para uma operação de transporte eficiente e segura, é fundamental entender o que acontece em tempo real na frota durante cada viagem e identificar comportamentos e situações de risco que antecedem o acidente”, afirma Eduardo Canicoba, vice-presidente da Geotab no Brasil.
BR-101: Santa Catarina está em um dos principais corredores de risco
A BR-101 é uma das rodovias mais importantes do país, ligando diferentes regiões e concentrando intenso fluxo de veículos de passeio, ônibus e caminhões.
Conforme o Anuário Estatístico 2025 da PRF, a rodovia registrou 13.014 sinistros ao longo do ano, o maior número absoluto entre as rodovias federais brasileiras.
Em Santa Catarina, a BR-101 possui papel estratégico na circulação de mercadorias, especialmente pela ligação entre centros urbanos, regiões industriais e estruturas portuárias.
O intenso movimento de veículos pesados, somado ao tráfego urbano e intermunicipal em determinados trechos, exige atenção à distância de segurança, às mudanças de faixa e às condições de circulação.
Dados apresentados em levantamento com informações da PRF apontaram 987 sinistros e 25 mortes na BR-101 catarinense entre janeiro e março de 2025.
A concentração de ocorrências reforça a necessidade de planejamento e prevenção, mas é importante considerar que o número absoluto de sinistros também é influenciado pela extensão da rodovia e pelo volume de veículos que circulam por ela.
Por isso, os registros não significam, isoladamente, que todos os trechos da BR-101 apresentem o mesmo nível de risco.
BR-116: Paraná abriga trecho estratégico para o transporte de cargas
A BR-116 aparece em segundo lugar no número absoluto de sinistros entre as rodovias federais brasileiras, com 11.021 ocorrências registradas em 2025, conforme dados da PRF.
A rodovia atravessa diferentes estados e inclui corredores importantes para a economia nacional, como a Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro, e a Régis Bittencourt, que conecta São Paulo ao Sul do país.
No Paraná, a BR-116 integra esse eixo estratégico e recebe grande movimentação de veículos de carga.
O trecho da Régis Bittencourt é conhecido pela presença de segmentos de serra, curvas e declives que exigem atenção especial, principalmente dos condutores de caminhões.
Nessas condições, a escolha de uma velocidade compatível com a via, o respeito à distância de segurança e o uso adequado dos sistemas de frenagem são fundamentais.
O planejamento da viagem também deve considerar as condições meteorológicas, especialmente em situações de chuva e baixa visibilidade.
Em operações de transporte pesado, a manutenção preventiva dos freios, pneus e demais componentes mecânicos assume importância ainda maior diante das características desses trajetos.
BR-381: Minas Gerais concentra ocorrências com veículos pesados
Em Minas Gerais, a BR-381 é outro corredor que exige atenção especial do transporte rodoviário de cargas.
A rodovia desempenha papel importante na ligação entre centros industriais, regiões metropolitanas e áreas de distribuição de mercadorias.
Um levantamento com dados da PRF apontou 3.137 sinistros envolvendo veículos pesados na BR-381, com 116 mortes e 1.492 pessoas feridas.
De acordo com o mesmo levantamento, mais de 60% das ocorrências se concentraram no trecho entre Contagem e Extrema, em Minas Gerais.
Esse segmento inclui a ligação com São Paulo pela Rodovia Fernão Dias, utilizada diariamente por caminhões e outros veículos de transporte de cargas.
As características da via e o volume de tráfego tornam especialmente importantes os cuidados com a velocidade, a distância entre veículos e as condições de funcionamento dos caminhões.
Em trechos com aclives e declives, a condução adequada também depende do uso correto das marchas e dos sistemas de frenagem, evitando situações que possam comprometer o controle do veículo.
O que os dados mostram sobre os riscos nas rodovias?
Os registros da PRF permitem identificar rodovias e situações que merecem atenção, mas a quantidade de sinistros não deve ser interpretada como um indicador único de periculosidade.
Uma rodovia extensa e com grande circulação de veículos pode registrar mais ocorrências do que uma via de menor movimento, sem necessariamente apresentar risco proporcionalmente maior.
Para compreender melhor as condições de segurança, é necessário considerar fatores como volume de tráfego, características da infraestrutura, tipos de veículos envolvidos, condições meteorológicas e gravidade das ocorrências.
Além disso, os números apresentados para a BR-101 e a BR-116 se referem aos totais nacionais de 2025, enquanto os dados específicos da BR-381 abrangem sinistros envolvendo veículos pesados em um levantamento distinto.
Ainda assim, as informações ajudam a demonstrar a importância de medidas preventivas em corredores estratégicos para o transporte brasileiro.
Comportamento dos condutores também influencia a segurança
Além das condições das rodovias, o comportamento dos condutores é um dos fatores que precisam ser considerados na prevenção de sinistros.
Dados nacionais da PRF referentes a 2025 mostram que a ausência de reação do condutor esteve associada a 11.469 ocorrências, enquanto a reação tardia ou ineficiente apareceu em 10.799 registros.
Essas situações reforçam a importância da atenção permanente à condução e da capacidade de identificar riscos antes que se transformem em acidentes.
No transporte de cargas, o uso do celular ao volante, a distração, a fadiga e a velocidade incompatível com as condições da via podem comprometer a segurança das operações.
A prevenção depende de medidas que envolvem tanto o condutor quanto as empresas responsáveis pelo planejamento e acompanhamento das viagens.
Como a inteligência artificial pode ajudar a prevenir sinistros?
O avanço das tecnologias de monitoramento permite que empresas de transporte acompanhem determinados eventos relacionados à condução e utilizem essas informações para orientar ações preventivas.
A videotelemetria combina imagens captadas por câmeras instaladas nos veículos com dados de telemetria, permitindo identificar e classificar situações específicas durante as viagens.
Dependendo das características do sistema, a tecnologia pode reconhecer comportamentos como uso do celular ao volante, distrações e outros eventos considerados de risco.
A Geotab desenvolveu a solução GO Focus Plus, que utiliza inteligência artificial embarcada para analisar eventos diretamente no veículo.
Quando identifica determinados comportamentos, o sistema pode emitir alertas de voz na cabine, orientando o condutor durante a viagem.
Para os gestores, os registros permitem acompanhar situações recorrentes e direcionar treinamentos de acordo com as necessidades identificadas.
Conforme a empresa, em um projeto-piloto, uma frota registrou redução de 95% nos eventos de uso do celular ao volante após a implementação dos alertas por voz.
Esse resultado se refere à experiência apresentada pela Geotab e não representa, necessariamente, o desempenho da tecnologia em todas as operações.
Dados podem orientar treinamentos e decisões preventivas
Uma das possibilidades oferecidas pela videotelemetria é identificar padrões de comportamento ao longo das viagens.
Em vez de analisar apenas um evento isolado, os gestores podem acompanhar situações que se repetem em determinados trajetos ou condições de operação.
Essas informações podem contribuir para o planejamento de treinamentos, a orientação dos condutores e o aperfeiçoamento dos procedimentos de segurança.
A tecnologia também permite priorizar eventos de maior gravidade e acompanhar comportamentos recorrentes, facilitando a atuação das equipes responsáveis pela gestão das frotas.
Para Eduardo Canicoba, a utilização dessas ferramentas deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de prevenção.
“A segurança viária precisa estar no centro da estratégia de negócios de qualquer operação. Com a videotelemática com IA, conseguimos dar mais previsibilidade ao gestor, identificando comportamentos de risco e reconhecendo padrões recorrentes. A tecnologia também alerta o motorista na cabine no momento em que os comportamentos de risco acontecem, apoiando uma operação mais segura, rentável e resiliente no Brasil”, conclui.
Segurança nas rodovias depende de diferentes medidas
Embora o uso de dados e tecnologias embarcadas possa contribuir para a prevenção, a redução dos sinistros depende de um conjunto de medidas.
A conservação das rodovias, a sinalização adequada, a fiscalização e as intervenções de infraestrutura continuam sendo fundamentais.
Da mesma forma, a manutenção dos veículos, a formação dos condutores e o respeito aos períodos de descanso são indispensáveis para a segurança do transporte rodoviário de cargas.
Em corredores como a BR-101, em Santa Catarina, a BR-116, no Paraná, e a BR-381, em Minas Gerais, essas medidas ganham relevância diante do intenso fluxo de veículos e das características específicas de cada trecho.
Para as empresas de transporte, conhecer os riscos das rotas e acompanhar as condições das viagens pode contribuir para decisões mais seguras.
Já para os condutores, a atenção à velocidade, à distância de segurança, às condições do veículo e às características da via continua sendo essencial.
A combinação entre infraestrutura, fiscalização, manutenção, formação e uso responsável da tecnologia é um caminho para reduzir riscos e preservar vidas nas rodovias brasileiras.