Temporal na estrada: reduzir a velocidade nem sempre é suficiente

Alerta de tempestade em diferentes regiões do país exige atenção dos motoristas; chuva intensa, granizo, alagamentos e rajadas de vento podem tornar mais seguro interromper a viagem.


Por Redação
temporal na estrada
Para quem precisa enfrentar a estrada, reduzir a velocidade é indispensável, mas pode não ser suficiente. Foto: marinv para Depositphotos

Áreas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão sob alertas de tempestade nesta quinta-feira, 10 de setembro. A formação de um ciclone extratropical pode provocar chuva intensa, queda de granizo e rajadas de vento superiores a 100 km/h em alguns pontos, criando condições perigosas para quem precisa dirigir.

O alerta vermelho, nível mais grave emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), alcança áreas do Paraná, Santa Catarina, noroeste do Rio Grande do Sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul. Outras regiões, incluindo partes de São Paulo, também estão sob avisos de perigo.

Para quem precisa enfrentar a estrada, reduzir a velocidade é indispensável, mas pode não ser suficiente. Quando a visibilidade fica muito baixa, o vento compromete o controle do veículo ou a pista começa a alagar, interromper a viagem pode ser a decisão mais segura.

Quando é mais seguro parar?

O motorista deve avaliar continuamente as condições da via. Não existe uma velocidade considerada segura para qualquer temporal. Em algumas situações, mesmo trafegar lentamente representa risco.

É recomendável procurar um local protegido e fora da pista quando houver:

A parada deve ser feita em um posto de combustíveis, área de serviço, estacionamento ou outro local afastado do fluxo. O condutor não deve permanecer no acostamento, a menos que exista uma emergência que impeça o deslocamento até um ponto protegido.

Parar debaixo de árvores, postes, placas, estruturas metálicas ou coberturas frágeis também pode aumentar o risco durante ventos fortes e tempestades com raios.

Reduza a velocidade sem frear bruscamente

Ao perceber o início de uma chuva forte, o motorista deve reduzir gradualmente a velocidade e aumentar a distância em relação ao veículo da frente. Frenagens repentinas podem provocar perda de controle e colisões traseiras, especialmente quando o pavimento está molhado.

Os pneus demoram mais para recuperar a aderência e o veículo precisa de uma distância maior para parar. Por isso, não basta manter o mesmo espaço utilizado em uma pista seca.

Também é importante evitar mudanças repentinas de faixa, acelerações fortes e movimentos bruscos no volante. Todas as ações devem ser suaves e previsíveis.

Os faróis baixos precisam permanecer acesos. Além de melhorar a visibilidade, eles ajudam os outros usuários da via a identificar a presença e a posição do veículo.

Pisca-alerta não deve ser usado com o veículo em movimento

Alguns motoristas acionam o pisca-alerta enquanto continuam trafegando sob chuva intensa. Essa conduta pode confundir os demais condutores, pois o dispositivo é utilizado para indicar imobilização ou situação de emergência.

Com todas as luzes indicadoras piscando ao mesmo tempo, outros usuários podem interpretar que o automóvel está parado. O sistema também dificulta a comunicação de uma mudança de direção ou de faixa.

Durante o deslocamento, devem permanecer ligados os faróis baixos. O pisca-alerta deve ser acionado quando o veículo estiver imobilizado em uma emergência ou nas situações determinadas pela regulamentação da via.

Aquaplanagem exige calma

A aquaplanagem ocorre quando os pneus perdem contato com o pavimento por causa de uma camada de água. O risco aumenta com velocidade elevada, pneus desgastados e acúmulo de água na pista.

Se isso acontecer, o motorista deve manter o volante firme, retirar gradualmente o pé do acelerador e evitar frear ou girar o volante bruscamente. A desaceleração permite que os pneus recuperem o contato com a pista.

Depois que a aderência voltar, o condutor poderá corrigir a trajetória com movimentos suaves.

Manter os pneus calibrados e com sulcos em boas condições reduz o risco, mas não elimina a possibilidade de aquaplanagem. Mesmo pneus novos podem perder contato com o pavimento se houver muita água e velocidade incompatível.

Nunca tente adivinhar a profundidade de um alagamento

Uma área alagada pode esconder buracos, desníveis, objetos e trechos danificados. Além disso, a água pode estar mais profunda do que parece ou apresentar força suficiente para deslocar o veículo.

Por isso, o condutor não deve tentar atravessar quando não for possível avaliar com segurança a profundidade e a intensidade da correnteza. A referência fornecida por outros veículos também não é garantia: automóveis possuem alturas e capacidades diferentes.

Se a água estiver avançando sobre a pista, a orientação é retornar, quando isso puder ser feito com segurança, e procurar uma rota alternativa. Não se deve retirar cones, barreiras ou bloqueios instalados pelas autoridades.

Caso o veículo seja cercado por água e exista risco de ele ser arrastado, a prioridade passa a ser a preservação da vida. O motorista deve seguir as orientações dos serviços de emergência e evitar decisões que ampliem a exposição à correnteza.

Rajadas laterais afetam veículos de maneiras diferentes

Ventos fortes podem deslocar o veículo lateralmente, principalmente ao sair de áreas protegidas, atravessar pontes, ultrapassar veículos grandes ou passar por trechos abertos.

Motociclistas ficam especialmente expostos porque o vento pode alterar repentinamente a trajetória da motocicleta. Se as rajadas estiverem intensas, continuar a viagem pode deixar de ser seguro.

Caminhões, ônibus, vans e veículos que transportam cargas volumosas também exigem cuidado adicional. A maior área lateral funciona como uma espécie de “vela”, aumentando a ação do vento sobre o veículo. Caminhões vazios ou com carga leve podem ficar ainda mais suscetíveis à instabilidade.

Durante uma ultrapassagem, o automóvel pode sentir primeiro a proteção oferecida pelo veículo pesado e, logo depois, uma forte rajada lateral ao sair dessa área. Esse efeito exige distância, redução de velocidade e firmeza no volante.

Granizo pode comprometer completamente a visibilidade

Diante de granizo intenso, o condutor deve reduzir a velocidade gradualmente e procurar um local seguro para parar. Não é recomendável estacionar sob árvores, pois os ventos e o peso do gelo podem provocar a queda de galhos.

Também não se deve parar sobre a pista, em túneis, sob viadutos ou em locais que bloqueiem a circulação. Essas atitudes aumentam o risco de colisões e podem impedir a passagem de veículos de emergência.

Se não houver imediatamente um local protegido, o motorista deve manter distância dos outros veículos, acender os faróis baixos e seguir apenas enquanto houver condições de enxergar e controlar o automóvel.

Árvore ou fio caído na pista exige distância

Ao encontrar uma árvore, poste ou cabo elétrico sobre a via, o motorista deve parar a uma distância segura e não tentar remover o obstáculo.

Fios caídos podem estar energizados, mesmo que não produzam faíscas ou outros sinais visíveis. Também existe o risco de novos galhos, postes ou estruturas caírem sobre o local.

A ocorrência deve ser comunicada à autoridade responsável pela via. Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Cuidados antes de sair

Se houver previsão de temporal, adiar um deslocamento não essencial pode ser a decisão mais segura. Quando a viagem for necessária, o motorista deve verificar:

O celular deve estar carregado para permitir comunicação em caso de emergência, mas não pode ser manuseado enquanto o veículo estiver em movimento. Para consultar mapas ou alertas, o condutor precisa parar em local seguro.

Segurança deve vir antes do horário de chegada

Sob condições meteorológicas severas, insistir em cumprir o horário planejado pode expor o condutor e os passageiros a riscos desnecessários. Se o motorista não consegue enxergar a pista, manter o veículo em sua trajetória ou antecipar os obstáculos, não há velocidade capaz de tornar a condução segura.

O planejamento deve considerar a possibilidade de atrasar, alterar a rota ou interromper a viagem. Em um temporal, chegar depois pode ser muito mais seguro do que continuar a qualquer custo.

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