
O feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na próxima segunda-feira (12), deve levar muitas famílias às estradas durante o fim de semana prolongado. Como a data também marca o Dia das Crianças, parte dos veículos viajará com mais passageiros, bagagens, brinquedos e, em alguns casos, animais de estimação. O risco, porém, não está apenas na rodovia: objetos soltos ou mal acomodados dentro do automóvel podem causar ferimentos em uma freada brusca ou colisão.
Uma garrafa, um celular, uma bolsa ou um brinquedo deixado sobre o banco continua em movimento quando o veículo para repentinamente. Por isso, mesmo itens aparentemente inofensivos podem ser projetados contra os ocupantes.
Antes da viagem, além de verificar as condições do automóvel, o motorista deve reservar alguns minutos para organizar o interior, distribuir corretamente a bagagem e garantir que cada passageiro tenha um assento equipado com cinto de segurança.
Bagagem deve ficar no porta-malas
Malas, bolsas e outros objetos pesados devem ser transportados no porta-malas. Os volumes maiores e mais pesados devem ficar na parte inferior e, preferencialmente, mais próximos do encosto do banco traseiro.
Essa organização ajuda a evitar que a carga se desloque em curvas, acelerações e frenagens, além de distribuir melhor o peso. Objetos menores podem ocupar os espaços restantes, desde que não fiquem soltos.
Conforme o especialista e diretor do Portal do Trânsito, Celso Mariano, a organização das bagagens faz parte da segurança da viagem.
“Não basta fazer todas as malas caberem no carro. Os volumes precisam estar distribuídos de maneira equilibrada, respeitar a capacidade indicada pelo fabricante e permanecer abaixo da linha dos encostos, sem prejudicar a visão do motorista. Uma bagagem mal acomodada pode se deslocar e atingir os ocupantes justamente no momento em que eles mais precisam estar protegidos”, explica.
Se o carro não tiver uma separação rígida entre o porta-malas e o espaço dos passageiros, como ocorre em alguns veículos utilitários, a carga deve ser presa com redes, cintas ou outros dispositivos adequados.
Não empilhe objetos acima do encosto
A tentativa de aproveitar todo o espaço disponível pode levar o motorista a empilhar malas até a altura do teto. Além de prejudicar a visão traseira, essa prática deixa os objetos mais expostos a deslocamentos.
Volumes colocados acima da linha do encosto podem ser arremessados para a frente em caso de impacto. A cobertura retrátil do porta-malas, quando existente, também não deve ser utilizada como prateleira para bolsas, alimentos ou objetos pesados.
Se a bagagem não couber de maneira segura, a solução não é ocupar os bancos nem bloquear os vidros. O motorista deve reduzir a quantidade de itens, utilizar um equipamento externo apropriado ou reconsiderar a distribuição entre os veículos da viagem.
Garrafas e celulares também oferecem risco
Os cuidados não devem se limitar às malas. Durante uma viagem em família, é comum que o interior do automóvel acumule:
- garrafas e copos;
- celulares e tablets;
- brinquedos;
- livros;
- bolsas;
- caixas de alimentos;
- carregadores portáteis;
- guarda-chuvas;
- objetos comprados durante o trajeto.
Esses itens devem permanecer em compartimentos fechados, porta-objetos ou bolsas devidamente guardadas. Garrafas deixadas no assoalho também podem rolar e alcançar a região dos pedais, interferindo na condução.
O painel do veículo não é um local seguro para armazenar objetos. Além da possibilidade de queda, eles podem atingir os ocupantes e interferir no funcionamento do airbag. “Em uma freada brusca, tudo o que não está preso continua em movimento. Uma garrafa, um celular ou um brinquedo rígido pode ser lançado contra uma criança ou outro passageiro. Por isso, organizar o interior do veículo não é apenas uma questão de conforto, mas uma medida de segurança”, alerta Celso Mariano.
Atenção aos brinquedos das crianças
Para entreter as crianças durante o percurso, a preferência deve ser por objetos leves e macios, compatíveis com a idade. Brinquedos rígidos, pesados ou com pontas podem provocar ferimentos se forem projetados durante uma freada.
Quando não estiverem em uso, os brinquedos devem ser guardados. Também é importante evitar que objetos fiquem espalhados perto dos pés do motorista ou sejam entregues por um passageiro da frente enquanto o veículo está em movimento.
A criança deve permanecer corretamente acomodada no dispositivo de retenção adequado à idade, ao peso e à altura, conforme as regras do Conselho Nacional de Trânsito. Brinquedos, mantas ou bolsas não podem comprometer o ajuste do cinto ou do equipamento de retenção.
Bagagem no colo não substitui espaço adequado
Viajar com uma mala, caixa ou animal no colo pode prejudicar o funcionamento do cinto de segurança. A faixa deve permanecer posicionada diretamente sobre o corpo, de acordo com a orientação do fabricante, sem objetos entre o ocupante e o equipamento.
Também não é seguro colocar bagagens sobre bancos que deveriam ser utilizados por passageiros. O artigo 100 do Código de Trânsito Brasileiro determina que o veículo não pode circular com lotação ou peso superiores aos limites estabelecidos pelo fabricante.
A capacidade de carga não considera apenas as malas: o peso dos ocupantes e dos demais itens transportados também deve ser levado em conta. Essa informação pode ser consultada no manual do proprietário e nos dados técnicos do veículo.
Carro carregado exige pressão correta nos pneus
Alguns veículos possuem recomendações diferentes de pressão dos pneus para uso normal e para situações de carga máxima. A informação costuma estar no manual, na coluna da porta do motorista ou na tampa do compartimento de combustível.
O motorista deve seguir a indicação do fabricante para a quantidade de passageiros e bagagens transportadas. A calibragem deve ser feita, preferencialmente, com os pneus frios.
Não se deve utilizar um valor genérico nem aumentar a pressão por conta própria apenas porque o automóvel está cheio. Pressão inadequada pode alterar o comportamento do veículo, aumentar o desgaste dos pneus e comprometer a estabilidade.
Celso Mariano ressalta que um veículo carregado apresenta comportamento diferente daquele observado no uso cotidiano.
“O peso dos passageiros e das bagagens interfere nas acelerações, nas frenagens e nas curvas. O motorista deve consultar o manual, utilizar a pressão de pneus indicada pelo fabricante para aquela condição de carga e adotar uma condução mais suave, com maior distância do veículo à frente”, orienta.
Bagageiro de teto requer cuidado adicional
Quando o porta-malas não comporta todos os volumes, o bagageiro de teto pode ser uma alternativa, desde que seja compatível com o veículo e instalado corretamente.
É necessário respeitar os limites de peso definidos pelo fabricante do automóvel, do suporte e do próprio compartimento. A carga deve ficar bem presa, sem pontas ou partes soltas, e não pode comprometer a identificação, a iluminação ou a estabilidade do veículo.
A bagagem no teto aumenta a altura do automóvel e pode alterar sua resposta ao vento e nas curvas. Por isso, o motorista deve reduzir a velocidade, ampliar a distância de segurança e redobrar a atenção em acessos a garagens, estacionamentos e locais com limitação de altura.
Animal não deve viajar solto
O animal de estimação também precisa ser transportado com segurança. Deixá-lo solto no banco ou circulando pelo interior pode distrair o motorista e colocar o próprio animal e os demais ocupantes em risco.
Entre as opções estão a caixa transportadora fixada ao veículo, o cinto próprio acoplado a um peitoral ou o assento específico para animais, conforme o porte e as características do pet. O dispositivo deve ser adequado e permitir que o animal permaneça protegido sem interferir na condução.
O CTB proíbe transportar animais à esquerda do motorista, entre os braços ou as pernas, assim como nas partes externas do veículo.
Durante viagens longas, devem ser planejadas paradas para oferecer água e permitir que o animal se movimente em local seguro. Ele nunca deve ser deixado sozinho dentro do carro fechado.
Cada pessoa precisa de um assento e de um cinto
O número de ocupantes não pode ultrapassar a capacidade indicada no documento do veículo. Crianças não devem viajar no colo, mesmo em percursos curtos, e nenhum passageiro pode dividir o mesmo cinto com outra pessoa.
O uso do cinto é obrigatório para todos, inclusive no banco traseiro. A infração por deixar de utilizá-lo é de natureza grave, conforme o artigo 167 do CTB.
Antes de sair, o motorista deve conferir se as bagagens não cobrem os fechos dos cintos, não impedem o uso dos dispositivos de retenção infantil e não reduzem o espaço necessário para os passageiros viajarem corretamente sentados.
Faça uma última conferência antes de partir
Depois de fechar o porta-malas, vale observar o interior do veículo e fazer algumas perguntas:
- todos os passageiros possuem assento e cinto?
- as crianças estão nos dispositivos adequados?
- há algum objeto solto sobre os bancos ou o painel?
- as garrafas estão longe dos pedais?
- a bagagem está abaixo da linha dos encostos?
- a visão pelos vidros e espelhos está preservada?
- o animal está protegido por um dispositivo apropriado?
- a calibragem dos pneus corresponde à carga transportada?
Organizar o carro pode exigir retirar itens ou mudar a distribuição das malas, mas essa decisão faz parte da segurança da viagem. No feriado, o objetivo não deve ser apenas fazer tudo caber: passageiros, animais e bagagens precisam chegar protegidos ao destino.