Vídeo de acidente reforça a importância da cadeirinha e do cinto para crianças

Caso que vitimou uma criança na Paraíba reacende o alerta para um erro que ainda coloca milhares de crianças em risco todos os dias: o transporte inadequado dentro dos veículos.


Por Redação
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O transporte de crianças deve ocorrer sempre utilizando o dispositivo de retenção adequado à idade, peso e altura. Foto: Kryzhov para Depositphotos

Um vídeo que mostra o momento de um acidente de trânsito em João Pessoa (PB), no qual uma criança de 3 anos foi arremessada para fora do veículo e morreu, voltou a chamar a atenção para um tema que nunca deixa de ser atual: a segurança no transporte infantil. No mesmo veículo também estava outra criança, de 2 anos, que ficou ferida e recebeu atendimento médico. As circunstâncias do acidente seguem sendo apuradas pelas autoridades.

Veja o vídeo completo no G1.

Independentemente da dinâmica da colisão, o caso reforça uma orientação repetida há anos por especialistas em segurança viária: crianças devem ser transportadas sempre utilizando o dispositivo de retenção adequado à idade, peso e altura. Mais do que uma exigência prevista na legislação, trata-se de uma medida capaz de reduzir significativamente o risco de lesões graves e fatais em caso de colisão.

A cadeirinha não é um detalhe: ela salva vidas

Em um impacto, mesmo em velocidades relativamente baixas, o corpo dos ocupantes é projetado para a frente pela força da inércia. No caso das crianças, esse risco é ainda maior, já que elas possuem estrutura física mais frágil e não é possível protegê-las adequadamente apenas pelo cinto utilizado pelos adultos.

É justamente para reduzir esse risco que existem os dispositivos de retenção infantil, popularmente conhecidos como cadeirinhas, assentos de elevação e bebê-conforto.

Quando corretamente instalados e utilizados, esses equipamentos mantêm a criança presa ao banco do veículo e distribuem melhor as forças provocadas pela colisão, reduzindo a probabilidade de ejeção e de traumatismos graves.

O que diz a legislação

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que crianças de até 10 anos que não tenham atingido 1,45 metro de altura devem ser transportadas no banco traseiro, utilizando o dispositivo de retenção adequado às suas características.

A Resolução Contran nº 819/2021 estabelece as regras para cada faixa etária e de desenvolvimento:

Mais importante do que a idade é observar sempre os limites de peso e altura indicados pelo fabricante do equipamento.

O erro acontece, principalmente, nos trajetos curtos

Um dos comportamentos mais comuns entre pais e responsáveis é flexibilizar o uso da cadeirinha em deslocamentos rápidos.

Frases como “é logo ali”, “vamos só até a escola” ou “não precisa prender porque é pertinho” ainda fazem parte da rotina de muitas famílias.

No entanto, boa parte dos sinistros de trânsito acontece justamente em áreas urbanas e em trajetos cotidianos, quando os motoristas tendem a baixar a guarda.

A duração da viagem não altera os riscos envolvidos em uma colisão.

Não basta comprar a cadeirinha

Ter o equipamento dentro do veículo não garante proteção. A eficácia depende da instalação correta, do ajuste adequado dos cintos internos e da utilização de um dispositivo compatível com as características da criança.

Também é importante verificar se a cadeirinha está firmemente presa ao banco do veículo e se o sistema de retenção está devidamente ajustado ao corpo da criança, sem folgas excessivas.

Outro erro relativamente comum é antecipar a troca de fase, colocando a criança apenas com o cinto de segurança antes que ela tenha altura suficiente para utilizá-lo corretamente.

Criança nunca deve viajar no colo

Apesar de parecer um gesto de proteção, transportar uma criança no colo é uma das práticas mais perigosas dentro de um veículo.

Em uma colisão, o peso do corpo aumenta de forma significativa devido à desaceleração brusca, tornando impossível que um adulto consiga segurar a criança apenas com a força dos braços.

Além disso, o próprio adulto pode ser lançado contra a criança durante o impacto, aumentando a gravidade das lesões.

Todos precisam usar o cinto

A proteção das crianças também depende do comportamento dos demais ocupantes do veículo.

Motoristas e passageiros devem utilizar corretamente o cinto de segurança durante todo o trajeto. Em caso de colisão, uma pessoa sem cinto pode ser arremessada dentro do veículo e atingir outros ocupantes, inclusive crianças transportadas corretamente.

Deve-se encarar a segurança, portanto, como uma responsabilidade compartilhada.

Um alerta que vai além de um caso específico

O acidente que aconteceu na Paraíba ainda passará por esclarecimentos pelas investigações. No entanto, as imagens que circularam nos últimos dias servem como um lembrete da importância de nunca abrir mão das medidas básicas de proteção no trânsito.

Utilizar corretamente a cadeirinha, ajustar os cintos, escolher o dispositivo adequado e garantir que todos os ocupantes estejam protegidos são atitudes simples, mas que podem fazer a diferença entre um susto e uma tragédia.

Quando o assunto é transporte infantil, não existe trajeto curto nem exceção. A proteção das crianças deve começar antes mesmo de o veículo sair da garagem.

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