Entenda o papel do transporte intermunicipal no cotidiano paulista

Idas e vindas entre interior e capital têm papel importante na economia, na educação e na saúde de milhões de paulistas.


Por Agência de Conteúdo
transporte intermunicipal
Segundo a Artesp, somente no ano de 2024 foram transportados mais de 50 milhões de passageiros ao longo de toda a malha rodoviária intermunicipal no estado. Foto: Divulgação ANTT

Um dos principais serviços oferecidos nas cidades, o transporte urbano é fundamental para fazer a economia girar. A passagem de ônibus para São Paulo vendida em uma rodoviária representa milhões de trabalhadores que se deslocam todos os dias nas estradas estaduais e intermunicipais, indo ou voltando da capital, a trabalho ou estudo.

A chamada migração pendular, isto é, aquela feita diariamente por contingentes de estudantes e trabalhadores, por exemplo, vindos do interior para a capital, é extremamente comum em São Paulo. Isso se dá principalmente pelo fato de a capital concentrar muitos serviços, como faculdades, consultas médicas especializadas, vagas de emprego, entre outras oportunidades. 

Segundo dados da Agência de Transporte do Estado de São Paulo, a Artesp, somente no ano de 2024 foram transportados mais de 50 milhões de passageiros ao longo de toda a malha rodoviária intermunicipal no estado. A agência regula cerca de 85 empresas, ao longo de cerca de 11 mil quilômetros de estrada, quase metade de toda a extensão rodoviária do estado.

Embora este fenômeno seja um reflexo do grande dinamismo econômico da capital, é também uma mostra da grande desigualdade entre municípios de uma mesma Unidade Federativa.

Afinal, é fato que a capital, com toda a sua complexidade, quando comparada com o interior, guarda uma infinidade de possibilidades, por vezes não presentes nas cidades afastadas.

Contudo, muitas pessoas ainda optam por viver no interior e se deslocar cotidianamente para a capital por diversas razões. Uma delas pode ser a falta de desejo de morar em um grande centro urbano, optando por uma cidade mais interiorana. O custo de vida, a tranquilidade e o próprio hábito de vida natural de quem não mora em um grande centro pesam na decisão.

Desta forma, para ter acesso a tudo que a capital tem a oferecer, precisam se deslocar até ela todos os dias. Boa parte deste transporte é feita via ônibus, pois trata-se de um modal que cobre muito mais vias de acesso. Vale lembrar que a malha rodoviária é muito mais extensa que a ferroviária. Esta quase não abrange o transporte de passageiros, uma vez que é mais restrita ao transporte de cargas.

Benefícios das trocas capital/interior

O transporte diário se reflete direta e indiretamente na economia das cidades interioranas. Em um primeiro momento, cria empregos na própria área do transporte. Empresas de ônibus, motoristas e rodoviárias: uma verdadeira rede de trabalhadores é criada em torno deste serviço, agora fundamental.

Em um segundo momento, os trabalhadores e estudantes que se deslocam até a capital trazem consigo conhecimento e renda, que serão revertidos nos comércios da sua própria região. Os estudantes, por sua vez, contribuem por meio de sua formação com o engrandecimento local nas suas respectivas áreas, seja ela a saúde, o direito, a docência, entre muitas outras.

Outro ponto é a busca por tratamentos médicos especializados disponíveis somente na capital. O deslocamento é muito comum, pois São Paulo concentra diversos serviços médicos de alta complexidade não disponíveis na maioria das cidades do país. Em muitas cidades do interior, há carência até mesmo de consultas e cirurgias eletivas, o que aumenta o fluxo para a capital.

As idas e vindas também reforçam a necessidade de manutenção constante nas estradas. Não à toa, São Paulo possui nove das dez melhores estradas do Brasil, segundo a Confederação Nacional do Transporte. Entre elas, importantes rodovias que ligam a capital ao interior, como a Rodovia Raposo Tavares, que passa por cidades como Sorocaba e Presidente Prudente, e a Rodovia dos Bandeirantes, que passa por Jundiaí e Campinas.

Muito embora sejam estradas operacionalizadas por concessionárias, a manutenção constante na pavimentação e na sinalização, além de todo o suporte no caso de emergências, é importante também para o transporte de cargas, o que faz deste cenário pedra angular para toda a economia nacional. 

Pontos negativos da migração pendular

Por outro lado, ela acaba encarecendo os custos do transporte, devido aos pedágios. Recentemente, a Artesp autorizou um aumento de até 18% nas passagens intermunicipais. Segundo a agência, o aumento está baseado na elevação dos custos operacionais das empresas, em insumos como pneus, que registraram alta acima da inflação.

Outro ponto negativo da migração pendular é seu reflexo no trânsito das grandes cidades. O fluxo constante de chegadas e saídas, principalmente nos horários de pico, causam engarrafamentos nas principais vias de acesso à região metropolitana. Além do tempo despendido no trânsito, há ainda o aumento do estresse e da poluição.

No mais, a migração pendular entre interior e capital é inevitável, e, embora caótica por vezes, é salutar para o crescimento econômico dos dois polos. Afinal, é por meio da demanda cada vez maior por passagem de ônibus para São Paulo que há geração de empregos, o que fortalece uma rede econômica que vai além da própria mobilidade.

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