
A Região Metropolitana de Curitiba poderá ampliar significativamente sua rede de transporte público coletivo de média e alta capacidade nas próximas décadas. É o que aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades, que projeta a expansão da malha de 114 quilômetros para 206 quilômetros.
Conforme o levantamento, a ampliação poderá ser viabilizada por sete projetos que incluem a implantação de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), metrô e a implantação e extensão de corredores de ônibus do tipo BRT (Bus Rapid Transit). O estudo estima investimentos entre R$ 11,73 bilhões e R$ 22,74 bilhões, com potencial para atender cerca de 915,2 mil passageiros por dia.
Além do aumento da capacidade do sistema, o estudo projeta impactos positivos para a mobilidade urbana da capital paranaense, como, por exemplo, redução de 24% no tempo médio de deslocamento da população e a possibilidade de evitar cerca de 1.065 vítimas de sinistros de trânsito por ano.
Estudo reúne projetos para transformar o transporte coletivo
O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana é resultado de um trabalho desenvolvido entre 2024 e 2026 pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades. A iniciativa reúne diagnósticos, propostas e projetos voltados à expansão e qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade em 21 regiões metropolitanas brasileiras.
A consolidação de todas as informações estão no portal Mobilidade Brasil, que reúne os projetos previstos para cada região estudada.
“O ENMU reúne diagnósticos, propostas e uma carteira de projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas principais regiões metropolitanas do país”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Banco de dados reúne 187 projetos em todo o país
O relatório final do estudo apresenta um banco de dados composto por 187 projetos de mobilidade urbana, que somam mais de 3 mil quilômetros de infraestrutura voltada ao transporte coletivo, incluindo metrôs, BRTs, trens urbanos e sistemas de VLT.
Cada proposta foi analisada com base em mais de 100 indicadores técnicos, operacionais, econômico-financeiros, socioambientais e urbanísticos. Entre os critérios avaliados estão a demanda prevista, o investimento necessário, os impactos ambientais, a redução de emissões de gases de efeito estufa, os benefícios para a segurança viária e o potencial de embarques diários.
Benefícios previstos vão além da mobilidade
De acordo com o levantamento, caso se implemente todos os projetos previstos para as 21 regiões metropolitanas, os impactos poderão ir além da melhoria do transporte público.
A expectativa é evitar cerca de 27 mil vítimas de sinistros de trânsito por ano, reduzir em aproximadamente 3 milhões de toneladas anuais as emissões de dióxido de carbono (CO₂), diminuir em 11% o custo das viagens e reduzir em 16% o tempo médio de deslocamento da população.
O estudo também estima benefícios sociais superiores a R$ 400 bilhões, além do potencial de mobilizar mais de 1 milhão de empregos e estimular a demanda por até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 veículos metroferroviários.
Planejamento para os próximos 30 anos
A elaboração do ENMU ocorreu considerando projeções populacionais assim como de demanda para um horizonte de 30 anos. O objetivo é oferecer subsídios técnicos para que estados e municípios possam planejar sistemas de transporte mais integrados, eficientes e sustentáveis.
De acordo com o Ministério das Cidades, o estudo busca fortalecer a política nacional de mobilidade urbana e servir como ferramenta para apoiar a estruturação de projetos capazes de melhorar os deslocamentos diários da população, ampliar o acesso ao emprego, à educação, à saúde e a outros serviços essenciais, além de contribuir para a redução das desigualdades urbanas.
Embora apresente um cenário de potencial expansão, o levantamento não representa a execução imediata das obras. Os projetos ainda dependem de planejamento, definição de prioridades, disponibilidade de recursos e das etapas técnicas e administrativas necessárias para que possam sair do papel.
Com informações da Agência BNDES de Notícias