
O que significa ser um bom pai? Para quase metade dos brasileiros, a resposta está menos no que ele consegue oferecer materialmente e mais naquilo que talvez seja o recurso mais disputado da vida moderna: presença.
Pesquisa inédita da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que 49% da população considera “ser presente no dia a dia” a principal característica de um bom pai. Em comparação, apenas 3% apontaram “oferecer segurança financeira” como o atributo mais importante.
Neste Dia dos Pais, o resultado permite olhar para a paternidade a partir das pequenas situações que fazem parte da rotina familiar. E algumas delas acontecem justamente no trânsito.
Levar ou buscar os filhos na escola, fazer uma viagem em família, caminhar pelo bairro, atravessar uma rua, andar de bicicleta ou simplesmente dirigir com uma criança no banco traseiro são situações comuns em que o comportamento dos adultos pode servir de referência.
Nesse contexto, respeitar as regras de trânsito deixa de ser apenas uma obrigação legal. Para quem exerce a paternidade, também pode representar uma forma cotidiana de ensinar cuidado, responsabilidade e respeito à vida.
Presença é o atributo mais valorizado pelos brasileiros
O levantamento mostra que a importância da figura paterna na criação dos filhos é amplamente reconhecida no país. Oito em cada dez brasileiros (76%) consideram alta ou muito alta a importância dos pais homens nesse processo.
A valorização é ainda maior entre os homens, chegando a 81%, e entre os jovens de 16 a 24 anos, com 82%.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela uma aparente contradição. Embora a importância da paternidade seja reconhecida, metade dos entrevistados (50%) considera que os pais de hoje participam menos dos cuidados cotidianos dos filhos do que os das gerações anteriores.
Entre as mulheres, essa percepção é ainda maior: 56% acreditam que os pais atuais são menos participativos. Já entre os homens há uma divisão: 44% consideram que a participação aumentou e outros 44% avaliam que ela diminuiu.
Conforme Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os resultados mostram uma mudança na própria concepção sobre o papel paterno.
“O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática”, avalia.
No trânsito, filhos também aprendem observando
Embora a pesquisa da Nexus não tenha investigado especificamente o comportamento no trânsito, o conceito de presença apontado pelo levantamento permite uma reflexão importante para a segurança viária: muitas das atitudes que crianças e adolescentes observam nos adultos acontecem durante situações comuns de mobilidade.
É nesse ponto que o exemplo ganha importância.
Um pai pode orientar o filho a usar o cinto de segurança, mas essa mensagem perde força se ele próprio deixa de utilizá-lo. Pode ensinar que é preciso respeitar o pedestre, mas contradizer a orientação ao não dar preferência quando necessário. Da mesma forma, falar sobre os riscos do celular enquanto dirige manuseando o aparelho transmite uma mensagem bastante diferente daquela pretendida.
O inverso também acontece. Colocar o cinto antes de iniciar o deslocamento, transportar as crianças corretamente, respeitar os limites de velocidade, aguardar o momento seguro para atravessar uma rua e demonstrar respeito por pedestres, ciclistas e motociclistas são comportamentos que fazem parte da rotina e podem funcionar como exemplos.
Não é preciso transformar cada viagem de carro em uma aula formal sobre legislação. Muitas vezes, a educação acontece justamente na repetição de comportamentos seguros.
Educação para o trânsito começa nas situações mais simples
A relação entre pais e filhos no trânsito não se restringe ao momento em que a criança começa a demonstrar interesse em dirigir. Muito antes disso, ela já participa da mobilidade como passageira, pedestre ou ciclista.
Por isso, atitudes aparentemente pequenas podem ajudar a construir referências sobre segurança.
Ao atravessar uma rua com uma criança, por exemplo, o adulto pode demonstrar a importância de observar o movimento dos veículos e procurar um local seguro. Dentro do carro, o uso correto do cinto e dos dispositivos de retenção adequados mostra que a segurança deve vir antes da pressa.
O mesmo vale para comportamentos relacionados à convivência. Evitar agressividade, não transformar pequenos conflitos em discussões e respeitar os usuários mais vulneráveis são maneiras de demonstrar que o trânsito é um espaço coletivo.
São ensinamentos que ultrapassam o conhecimento das placas e das regras. Eles envolvem percepção de risco, respeito e responsabilidade pelas próprias escolhas.
Ser pai presente também cabe nos deslocamentos cotidianos
Outro dado da pesquisa ajuda a compreender essa transformação. Enquanto 49% apontaram a presença cotidiana como principal característica de um bom pai, “educar/orientar com limites” aparece como o atributo mais importante para 21% dos homens e 17% das mulheres.
As duas características podem caminhar juntas quando o assunto é trânsito.
Orientar uma criança a colocar o cinto, explicar por que não se deve atravessar correndo ou demonstrar que chegar alguns minutos mais tarde é preferível a dirigir em velocidade incompatível são formas simples de unir presença e educação.
Não se trata de esperar que os pais sejam motoristas perfeitos. Trata-se de reconhecer que as escolhas feitas diante dos filhos também comunicam valores.
Um exemplo que pode permanecer por muitos anos
A pesquisa da Nexus ouviu 2.013 pessoas presencialmente entre 18 e 24 de julho de 2026. A amostra representa a população brasileira com mais de 16 anos e foi estratificada por sexo, idade, renda, escolaridade, religião e região do país.
Os resultados mostram que a sociedade brasileira valoriza cada vez mais uma paternidade associada à participação cotidiana. E o cotidiano também inclui o caminho para a escola, a viagem de férias, a caminhada até a padaria e tantos outros momentos vividos nas ruas.
Neste Dia dos Pais, essa percepção pode ganhar um significado especial para a segurança viária. Crianças observam muito mais do que aquilo que os adultos dizem diretamente a elas.
No trânsito, cada vez que um pai coloca o cinto, reduz a velocidade, guarda o celular, respeita uma travessia ou demonstra cuidado com quem está ao redor, existe também uma mensagem sendo transmitida.
Talvez o exemplo seja uma das formas mais simples de transformar presença em aprendizado — e cuidado em um comportamento que os filhos podem levar para toda a vida.