
Quando se fala em eleições, assuntos como saúde, educação e segurança pública costumam dominar o debate. Mas outro tema também afeta diariamente a vida de milhões de brasileiros e deve ser levado em conta nas Eleições 2026: o trânsito.
As decisões tomadas pelos futuros presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais podem influenciar desde mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) até investimentos em rodovias, políticas de segurança viária, educação para o trânsito e o funcionamento dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).
Por isso, conhecer as atribuições de cada cargo e analisar as propostas apresentadas pelos candidatos é uma forma de exercer o voto de maneira mais informada.
Mas o que observar em um plano de governo ou nas promessas de campanha?
Confira sete perguntas que podem ajudar nessa avaliação.
1. O candidato apresenta metas para reduzir mortes e lesões no trânsito?
Prometer “melhorar o trânsito” ou “aumentar a segurança” é importante, mas essas afirmações precisam ser acompanhadas de objetivos concretos.
Vale verificar se o candidato apresenta metas para reduzir o número de mortes e feridos, indica prazos para alcançá-las e explica como pretende medir os resultados.
Propostas baseadas em indicadores costumam permitir que a população acompanhe, ao longo do mandato, se os compromissos assumidos estão sendo cumpridos.
2. As propostas vão além da fiscalização?
A fiscalização é uma ferramenta importante para reduzir infrações e salvar vidas, mas ela não resolve, sozinha, os problemas do trânsito.
Uma política eficiente costuma combinar diferentes estratégias, como:
- educação para o trânsito;
- engenharia e melhoria da infraestrutura;
- fiscalização;
- planejamento viário;
- campanhas de conscientização;
- atendimento às vítimas de sinistros.
Quando uma proposta se limita apenas ao aumento das multas ou da fiscalização, vale analisar se ela contempla os demais fatores que influenciam a segurança viária.
3. O plano contempla os usuários mais vulneráveis?
Motociclistas, pedestres e ciclistas estão entre os usuários mais expostos aos riscos do trânsito.
Por isso, é importante observar se as propostas incluem medidas voltadas à proteção desses grupos.
Entre elas podem estar:
- programas de redução de mortes;
- melhorias na infraestrutura viária;
- ações de educação para o trânsito;
- campanhas voltadas aos motociclistas;
- incentivo à mobilidade segura;
- intervenções em trechos com elevado número de sinistros.
4. O candidato explica como pretende colocar as propostas em prática?
Boas ideias precisam ser acompanhadas de planejamento. Ao analisar um plano de governo, vale procurar respostas para perguntas como:
- quais órgãos serão responsáveis pela execução?
- haverá integração entre União, estados e municípios?
- existe previsão de investimentos?
- há cronograma para implantação das medidas?
Quanto mais detalhadas forem essas informações, maior a possibilidade de acompanhar sua execução.
5. O candidato promete algo que realmente pode fazer?
Nem todas as promessas relacionadas ao trânsito dependem da autoridade que está sendo eleita.
Mudanças no Código de Trânsito Brasileiro, por exemplo, dependem da atuação do Congresso Nacional.
Já a administração dos Detrans é responsabilidade dos governos estaduais, enquanto políticas nacionais são coordenadas pelo Governo Federal.
Conhecer essas diferenças ajuda o eleitor a identificar quando uma proposta está de acordo com as competências do cargo disputado.
6. As propostas são baseadas em dados ou apenas em promessas?
Boas políticas públicas costumam utilizar estatísticas, estudos técnicos e indicadores para identificar os principais problemas e definir prioridades.
Vale observar se o candidato apresenta diagnósticos sobre segurança viária, menciona metas relacionadas à redução de sinistros ou explica como pretende avaliar a eficácia das ações ao longo do mandato.
Propostas genéricas ou sem fundamentação técnica podem ser mais difíceis de implementar e acompanhar.
7. Como os resultados poderão ser acompanhados?
Transparência também faz parte de uma boa política pública. Por isso, é importante verificar se o plano de governo prevê mecanismos para divulgar indicadores, prestar contas à população e permitir o acompanhamento das ações durante o mandato.
Sem metas claras e indicadores públicos, torna-se mais difícil avaliar se as promessas feitas durante a campanha realmente saíram do papel.
Desconfie de soluções simples para problemas complexos
O trânsito é resultado da combinação de diversos fatores, como comportamento humano, infraestrutura, fiscalização, legislação, planejamento e educação.
Por isso, é preciso analisar com cautela promessas como “acabar com os congestionamentos”, “eliminar todas as multas”, “zerar os acidentes” ou “resolver definitivamente os problemas do trânsito”.
A experiência mostra que avanços consistentes na segurança viária dependem de planejamento de longo prazo, investimentos contínuos e integração entre diferentes políticas públicas.
Mais do que discursos de impacto, vale observar se as propostas são tecnicamente viáveis, apresentam objetivos claros e estão dentro das atribuições do cargo disputado.
O que cada cargo pode fazer pelo trânsito?
Melhorar o trânsito não depende apenas de quem administra rodovias ou fiscaliza veículos. Muitas mudanças exigem a criação ou alteração de leis, a aprovação de recursos no orçamento e a fiscalização das políticas públicas. Por isso, compreender o papel de cada cargo ajuda o eleitor a avaliar melhor as promessas feitas durante a campanha.
| Cargo | Como pode influenciar o trânsito e a segurança viária |
|---|---|
| Presidente da República | Coordena a política nacional de trânsito, define prioridades para investimentos em rodovias federais, supervisiona órgãos federais como a Senatran e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pode encaminhar projetos de lei ao Congresso Nacional. |
| Governador | Administra o Detran estadual, coordena políticas voltadas às rodovias estaduais, promove programas de educação para o trânsito, investe em infraestrutura viária e desenvolve ações estaduais de segurança viária. |
| Senador | Analisa, propõe e vota projetos de lei que alteram o CTB e outras normas relacionadas ao trânsito, além de fiscalizar políticas públicas e discutir recursos destinados à infraestrutura e à segurança viária. |
| Deputado Federal | Apresenta, debate e vota projetos de lei relacionados ao trânsito, fiscaliza a atuação do Governo Federal e pode destinar emendas parlamentares para obras e projetos de infraestrutura viária. |
| Deputado Estadual | Fiscaliza a atuação do Governo do Estado e de órgãos como o Detran, propõe leis de competência estadual relacionadas à mobilidade e pode destinar recursos para programas e obras de segurança viária por meio de emendas parlamentares. |
O voto também influencia o futuro do trânsito
Grande parte das mudanças na legislação de trânsito aprovadas nos últimos anos passou pelo Congresso Nacional. Da mesma forma, investimentos em rodovias, programas de segurança viária e a gestão dos Detrans dependem das decisões tomadas pelos governantes eleitos.
Por isso, conhecer as atribuições de cada cargo e analisar criticamente as propostas apresentadas durante a campanha ajuda o eleitor a diferenciar promessas viáveis de discursos genéricos.
Mais do que escolher um candidato, votar de forma consciente também significa avaliar quem apresenta planejamento, metas, compromisso com a redução de mortes no trânsito e respeito às competências previstas na Constituição.