Maioria dos brasileiros apoia toxicológico para tirar CNH de carro e moto, diz pesquisa

Levantamento nacional indica apoio amplo à exigência do exame toxicológico para primeira habilitação nas categorias A e B, enquanto governo ainda avalia implementação.


Por Mariana Czerwonka
toxicológico CNH
A exigência do exame toxicológico já ocorre desde 2015 para condutores das categorias C (caminhões), D (ônibus e vans) e E (veículos com reboque). Foto: © Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Uma pesquisa de opinião divulgada no último domingo (26) pela Agência Brasil indica que a maioria da população brasileira é favorável à exigência do exame toxicológico para quem pretende tirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B, destinadas a motocicletas e automóveis. Conforme o levantamento, 86% dos entrevistados apoiam a medida.

O estudo foi encomendado pela Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox) e realizado pelo Instituto Ipsos-Ipec. Ao todo, foram ouvidas 2 mil pessoas em 129 municípios brasileiros. Os resultados foram divulgados na última sexta-feira (24).

A discussão interessa diretamente milhões de brasileiros que pretendem conquistar a primeira habilitação, especialmente jovens e trabalhadores que dependem da CNH para mobilidade e geração de renda.

O que muda para quem quer tirar CNH

Atualmente, já se exige o exame toxicológico de condutores habilitados nas categorias C, D e E, utilizadas para caminhões, ônibus, vans e veículos com reboque. A proposta amplia essa obrigação também para candidatos às categorias A e B, voltadas a motos e carros de passeio.

Na prática, se houver a implementação da exigência, futuros condutores precisariam apresentar resultado negativo no exame para concluir o processo de habilitação.

A categoria A permite conduzir motocicletas, motonetas e ciclomotores. Já a categoria B se destina a automóveis, utilitários e caminhonetes.

Apoio aparece em todas as regiões

De acordo com a pesquisa, o apoio à medida aparece de forma consistente em todas as regiões do país. O registro dos maiores índices aconteceu no Norte e Centro-Oeste, com 88%, seguidos do Nordeste, com 87%. Sudeste e Sul registraram 84% de aprovação.

O levantamento também apontou respaldo semelhante entre diferentes perfis sociais:

Entre as faixas etárias, os maiores índices favoráveis aparecem entre pessoas de 25 a 34 anos (88%) e de 35 a 44 anos (87%).

Segurança pública também entra no debate

Além da questão viária, o estudo mostra que 68% dos entrevistados acreditam que a exigência do exame toxicológico para obtenção da CNH A e B pode contribuir para o combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.

Esse dado reforça que o debate em torno da medida extrapola o processo de habilitação e envolve temas como segurança pública, fiscalização e políticas preventivas.

Lei existe, mas aplicação ainda depende de definição

A inclusão da exigência no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ocorreu pela Lei nº 15.153/2025, em vigor desde dezembro do ano passado. Apesar disso, a aplicação prática ainda não começou em todo o país.

Conforme o Ministério dos Transportes, o tema segue em análise na Câmara Temática de Saúde para o Trânsito (CTST), que avalia como acontecerá a implementação da regra.

Ou seja: embora a previsão legal exista, ainda restam definições operacionais importantes, como procedimentos, integração com os Detrans e cronograma nacional.

O que o cidadão precisa acompanhar

Para quem pretende iniciar o processo de habilitação em 2026, o cenário exige atenção. Como a regulamentação ainda está em estudo, candidatos devem acompanhar informações oficiais dos órgãos de trânsito para saber se haverá mudança imediata nas exigências.

Caso a regra avance, o exame toxicológico poderá representar uma nova etapa no custo e no planejamento para tirar a CNH. Ao mesmo tempo, defensores da medida argumentam que a exigência amplia o controle preventivo e pode contribuir para a segurança no trânsito.

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