
As mudanças recentes nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) alteraram a forma como muitos brasileiros enxergam o processo de formação de condutores. Com menos exigências e maior flexibilidade, cresce também a responsabilidade de candidatos e familiares na escolha do caminho até a primeira habilitação.
É esse o alerta feito pelo especialista em trânsito Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional. Em um vídeo direcionado a pais, responsáveis e familiares de futuros motoristas, publicado nas redes sociais, ele destaca que a formação recebida antes da primeira CNH pode fazer diferença durante toda a vida do condutor.
A escolha da formação também é responsabilidade da família
De acordo com Mariano, o Brasil já adotou regras mais rígidas para a formação de condutores e, embora o processo tenha se tornado mais acessível em diversos aspectos, isso não significa que o aprendizado deva ser tratado com menos atenção.
“O Brasil já teve normas bem mais rigorosas do que essas que estão em vigor hoje. O processo mudou, como um todo. E acabou, em muitos casos, ficando um pouco mais acessível do ponto de vista financeiro e das dificuldades de obter a habilitação.”
Na avaliação do especialista, a flexibilização exige que candidatos e familiares façam escolhas mais conscientes. “Mas a qualidade do curso ficou ameaçada nesse novo formato”, argumenta.
Buscar orientação de quem conhece o processo
Para Mariano, antes de decidir como será a preparação do futuro motorista, vale ouvir profissionais que atuam diariamente na formação de condutores. “Aconselhe, oriente, encaminhe essa pessoa para que ela ouça quem tem experiência na área”, diz o especialista.
Ele lembra que os instrutores dos Centros de Formação de Condutores acumulam décadas de experiência acompanhando as principais dificuldades enfrentadas pelos novos motoristas.
“Há quase três décadas, os profissionais dos Centros de Formação de Condutores se dedicam a isso, conhecem os desafios que o novo condutor vai enfrentar. Que eles sejam ouvidos e considerados”, orienta.
Na visão do especialista, mesmo diante das novas possibilidades previstas pela legislação, esses profissionais continuam sendo uma importante referência para quem busca uma formação consistente. “Eles continuam sendo as melhores referências quando o assunto é preparar novos condutores.”
A prova termina, mas os desafios começam
Celso Mariano ressalta que a aprovação nos exames representa apenas o início da experiência como motorista. “A importância de um bom curso teórico, de um bom curso prático fica evidente quando você percebe que, uma vez com a CNH na mão, essa pessoa estará sozinha na via.”
Conforme ele, é nesse momento que o condutor passa a enfrentar a realidade do trânsito brasileiro. “Ela estará enfrentando a dura realidade do trânsito brasileiro, cheio de estresse, riscos e estatísticas que se materializam em acidentes reais”, explica.
Para o especialista, a preparação adequada aumenta as chances de que o novo motorista saiba identificar riscos, tomar decisões seguras e desenvolver comportamentos responsáveis desde os primeiros quilômetros ao volante.
Uma decisão que pode refletir por toda a vida
Ao final da mensagem, Mariano reforça que a escolha sobre como o futuro motorista será preparado não deve ser baseada apenas no menor custo ou na facilidade do processo. “Independente das exigências legais — nem sempre conectadas com a realidade — considere as responsabilidades desse novo condutor.”
Ele lembra que familiares também têm papel importante nessa decisão. “E a sua, neste momento tão importante, de ajudar na decisão de como melhor trilhar o caminho até a CNH.”
O especialista encerra com uma reflexão dirigida não apenas aos candidatos, mas também a quem participa dessa etapa da vida.
“Primeira habilitação só acontece uma vez na vida: é preciso fazer bem feito. Pense nisso”, conclui.