Tirar a CNH ficou mais fácil, mas aprender a dirigir continua sendo um desafio, alerta especialista

Mudanças nas regras simplificaram parte do processo de habilitação, mas formação adequada segue sendo essencial para a segurança no trânsito, afirma Celso Mariano.


Por Mariana Czerwonka
Tirar a CNH
Conhecimento, prática, metodologia e um bom instrutor continuam sendo fundamentais para formar condutores realmente preparados para o trânsito. Foto: Criação de IA

As recentes mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) reduziram algumas exigências do processo de formação de condutores. Apesar disso, quem acredita que aprender a dirigir ficou fácil pode estar se enganando. O alerta é do especialista em trânsito Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Mariano reconhece que o processo de obtenção da CNH passou por simplificações, mas faz um contraponto importante: a facilidade burocrática não elimina a complexidade de aprender a conduzir um veículo com segurança.

“Tirar carteira ficou mais fácil. É verdade. Mas aprender a dirigir continua sendo relativamente difícil”, afirma.

Muito além de conhecer as regras

Conforme o especialista, dirigir exige muito mais do que decorar placas de trânsito ou memorizar artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O futuro motorista precisa adquirir conhecimentos técnicos e desenvolver habilidades motoras que demandam tempo, prática e orientação adequada. “É preciso adquirir vários conhecimentos novos, em um bom curso teórico ou com muito autoestudo. Também é preciso desenvolver habilidades neuromotoras novas e específicas”, explica.

Para ilustrar essa dificuldade, Mariano compara o aprendizado da direção com outras atividades que exigem coordenação e repetição.

“É como aprender a andar de bicicleta, tricotar ou tocar um instrumento musical. E não me diga que é possível aprender qualquer uma dessas atividades bem, com apenas uma ou duas horinhas de dedicação”, alerta o especialista.

Na avaliação dele, algumas pessoas conseguem aprender mais rapidamente, mas isso não representa a realidade da maioria dos candidatos. “É o tipo de esforço que é relativamente fácil para alguns, mas sabidamente difícil para a maioria”, analisa.

Um ambiente adequado faz diferença

O especialista destaca que aprender a dirigir envolve controlar um veículo enquanto se toma decisões em um ambiente dinâmico, repleto de riscos e regras que muitas vezes são desconhecidas pelo candidato. “Imagine aprender a dirigir, controlar um veículo enquanto circula por aí, com regras que você nem imaginava que existiam e compartilhando, disputando espaço com vários outros veículos e pedestres”, diz.

Por isso, ele defende que o processo de aprendizagem deve ocorrer em condições que favoreçam a segurança e a formação consistente.

“Aprender isso pode ser muito crítico sem metodologia adequada, ambiente — e veículo — seguro e, claro, instrutor preparado.”

A observação ganha relevância em um momento em que as novas normas ampliaram as possibilidades de formação fora dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), permitindo diferentes modelos de ensino, desde que cumpridos os requisitos legais.

Burocracia continua sendo obstáculo

Embora algumas etapas tenham sido flexibilizadas, Mariano afirma que a burocracia ainda representa um desafio para quem busca a primeira habilitação. “Tudo isso sem falar da paciência e dedicação necessários para enfrentar a burocracia, que continua sendo um obstáculo. Em certos pontos, até piorou com o novo sistema”, esclarece o especialista.

Desde a entrada em vigor das novas regras, diferentes estados brasileiros ainda passam por adaptações em seus sistemas, o que tem provocado dúvidas e, em alguns casos, dificuldades operacionais para candidatos e profissionais envolvidos no processo.

Primeira habilitação merece atenção

Ao final da mensagem, o especialista reforça que a primeira habilitação representa um momento único na formação do motorista e não deve ser encarada apenas como uma etapa burocrática.

“Não subestime o desafio de se habilitar, de verdade, como condutor de veículos. Primeira habilitação só acontece uma vez na vida: é preciso fazer bem feito”, conclui Mariano.

Para o especialista, independentemente das mudanças nas normas, a qualidade da formação continua sendo um dos fatores mais importantes para preparar condutores capazes de tomar decisões seguras e contribuir para um trânsito com menos acidentes.

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