
Só em 2012, mais de um motociclista morreu por dia nas ruas da cidade de São Paulo: foram 438 mortes. Em todo o estado, as quedas de moto foram responsáveis por mais de 18 mil internações.
Passar apenas uma manhã na ala de ortopedia de um hospital público já é suficiente para descobrir as histórias por trás da frieza dos números. Um levantamento feito pelo Hospital das Clínicas revela que 45% das vítimas de trânsito que passaram pela ortopedia no ano passado eram motociclistas.
O estudo mostra ainda que nos últimos dez anos, aumentou a gravidade dos acidentes. Os pacientes com mais de uma fratura passaram de 26% para 31% do total. Já as fraturas mais complexas, em várias partes do corpo, cresceram 7%.
“Isso é por causa, em geral, da velocidade com que essas pessoas estão se locomovendo no trânsito. Maior energia no acidente, devido a velocidade maior com que as pessoas estão utilizando a motocicleta, obviamente vão acarretar lesões mais graves e múltiplas lesões”, explica Jorge dos Santos Silva, diretor-clínico do Instituto de Ortopedia do HC.
O motofretista Romário Castro do Nascimento já sofreu quatro acidentes. O último deles foi o mais delicado. “Dói mesmo e não tem como. Você grita, você chora, você geme. Se eu tivesse medo, eu tinha parado já de andar de moto. Já é o quarto, eu já tinha parado de andar de moto”.
As lesões mais comuns em quem sofre um acidente de moto são as fraturas na perna e na bacia. “Está muito relacionado com o mecanismo que acontecem as lesões. Por exemplo, as lesões são colisões de moto com automóvel, o membro inferior e o que está mais exposto, obviamente ele vai ser mais atingido numa primeira etapa do acidente, mas normalmente o impacto é na perna. A mesma coisa um atropelamento, um atropelamento a pessoa é atingida nos membros inferiores”, revela Jorge dos Santos Silva.
Foi o que aconteceu com José Antônio do Nascimento. Uma moto que furou o sinal vermelho atingiu o caldereiro quando ele ia para o trabalho. “Só escutei o barulho de um chicote, no ouvido, o cara me jogou uma base de uns cinco metros. Aí quando eu bati a cabeça no asfalto aí me veio na mente “eu sofri um acidente”, aí apagou tudo, eu só vim despertar depois de quatro dias no hospital”.
Depois de quatro cirurgias e oito meses puxados de fisioterapia, ele só deseja uma coisa: “Eu espero voltar a andar, tocar a minha vida e está bom demais”.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) disse que trabalha pra reduzir o número de acidentes com motociclistas na cidade, e que já houve uma redução de 2011 para 2012.
A CET informou ainda que oferece cursos gratuitos de pilotagem segura para motociclistas e que aumentou a fiscalização para combater o excesso de velocidade das motos.
Fonte: G1 Notícias