Estepe fino pode acabar nos carros novos? PL quer proibir modelo temporário no Brasil

Motoristas que compram carros novos no Brasil podem voltar a receber apenas estepe convencional de fábrica, caso avance um projeto em análise na Câmara dos Deputados.


Por Mariana Czerwonka
estepe fino
A proposta determina que os automóveis saiam de fábrica com roda e pneu de especificações equivalentes às originais do veículo. Foto: belchonock para Depositphotos

O PL 1396/2026, apresentado pelo deputado Pastor Gil (PL/MA), propõe proibir a comercialização de veículos novos equipados com estepe temporário, estepe fino ou de uso limitado. A proposta determina que os automóveis saiam de fábrica com roda e pneu de especificações equivalentes às originais do veículo.

Na prática, o projeto mira modelos conhecidos popularmente como “estepe fino” ou “donut”, cada vez mais comuns em veículos novos.

O que o projeto exige

Pelo texto, todos os veículos automotores novos vendidos no país deverão ter:

A regra se aplicaria a:

Por que o estepe fino entrou na mira

Na justificativa, o autor afirma que o estepe temporário representa risco à segurança por ter largura menor, menor área de contato com o solo e limitação de velocidade.

Conforme o parlamentar, esse tipo de equipamento pode alterar o comportamento dinâmico do veículo, afetando:

No texto, ele sustenta que o modelo temporário “não mantém as características originais de estabilidade, frenagem, tração e distribuição de carga do veículo”.

Debate técnico envolve uso emergencial

Apesar das críticas presentes no projeto, o tema costuma gerar debate técnico no setor automotivo.

Os estepes temporários foram desenvolvidos para uso emergencial e por curta distância, permitindo que o motorista chegue com segurança até um ponto de reparo, desde que respeite velocidade máxima e orientações do fabricante.

Montadoras adotam esse modelo por razões como:

Especialistas lembram que, quando utilizado corretamente e dentro das limitações previstas, o equipamento tem função específica de emergência — e não substitui o pneu original para uso contínuo.

Realidade brasileira pesa no debate

O autor argumenta que a realidade viária brasileira exige cautela adicional.

Na justificativa, o deputado cita longas distâncias entre cidades, rodovias extensas, regiões rurais e áreas sem assistência rápida, fatores que poderiam tornar o estepe temporário menos adequado em determinadas situações.

Esse ponto tende a ganhar força no debate legislativo, especialmente para motoristas que trafegam longos trechos em estrada.

Penalidades previstas

Se aprovado, o projeto prevê sanções para fabricantes, importadores ou comerciantes que descumprirem a regra, como:

O texto também considera a ausência de estepe integral como possível vício do produto.

Próximos passos

O PL 1396/2026 ainda será analisado pelas comissões da Câmara antes de eventual votação.

Sair da versão mobile