
O início do período de declaração do Imposto de Renda (IRPF 2026) costuma gerar dúvidas entre motoristas de aplicativo. Diferentemente de trabalhadores com carteira assinada, esses profissionais precisam organizar a própria apuração dos rendimentos assim como fazer o recolhimento do imposto por conta própria.
Isso acontece porque as plataformas apenas intermediam a relação entre motorista e passageiro, cobrando uma taxa pelo serviço, mas não atuam como empregadoras. Assim, a responsabilidade de apurar e recolher o imposto é do próprio motorista, por meio do carnê-leão, com recolhimento mensal.
Nem todo o valor recebido entra no cálculo do imposto
Uma regra importante que muitos motoristas desconhecem é que nem toda a receita recebida entra como rendimento tributável.
Para fins de cálculo, motoristas e taxistas podem deduzir 40% da receita bruta como despesas operacionais, como combustível, manutenção e depreciação do veículo. Os 60% restantes compõem a base de cálculo do imposto.
Caso esse valor tributável ultrapasse R$ 35.584 por ano, a declaração passa a ser obrigatória. Se o motorista tiver outras fontes de renda, elas devem ser somadas à parcela tributável para verificar a obrigatoriedade.
Carnê-leão deve ser preenchido mensalmente
O carnê-leão, disponível no sistema Meu Imposto de Renda da Receita Federal, deve ser preenchido mês a mês com os valores recebidos. Declarar os ganhos apenas na declaração anual pode gerar multa.
A multa é de 0,33% por dia de atraso, limitada a 20% do imposto devido, além de juros de 1% ao mês.
Na declaração anual, deve-se informar os 60% tributáveis na ficha “Rendimentos recebidos de pessoa física”, enquanto os 40% restantes entram como “Rendimentos isentos e não tributáveis”. Quem já realizou os lançamentos mensais pode importar os dados diretamente, reduzindo o risco de erros.
Renda varia conforme cidade e jornada
De acordo com levantamento da fintech GigU, a renda líquida dos motoristas varia de acordo com a cidade e a carga horária de trabalho.
Em São Paulo, um motorista que trabalha cerca de 60 horas por semana tem lucro médio de R$ 4.252,24 após custos como combustível e IPVA. No Rio de Janeiro, a média é de R$ 3.304,93 para uma jornada de 54 horas semanais. Em Belo Horizonte, o lucro médio gira em torno de R$ 3.554,58 na mesma carga horária.
Conforme Luiz Gustavo Neves, cofundador e CEO da plataforma, a atividade tem atraído trabalhadores pela flexibilidade e renda.
“É uma atividade que exige bastante, mas a autonomia e a rentabilidade, superiores às de algumas ocupações tradicionais, acabam sendo um grande atrativo”, afirma.
Organização financeira virou parte da profissão
O crescimento do trabalho por aplicativo também trouxe uma nova realidade: além de dirigir, o motorista precisa cuidar da própria gestão financeira, tributária e documental.
Na prática, entender como funciona o Imposto de Renda, controlar ganhos e despesas e preencher corretamente o carnê-leão passou a ser parte da rotina desses profissionais — ou seja, ela é tão importante quanto planejar rotas, controlar combustível e manter o veículo em boas condições.