Home office reduz congestionamentos? Queda de 70% no trânsito de São Paulo reacende debate sobre trabalho híbrido

Com a flexibilização da jornada durante o jogo da Seleção Brasileira, capital paulista registrou um dos menores índices de lentidão do mês. Estudo mostra que deslocamento é um dos principais fatores que levam trabalhadores a preferirem modelos híbridos ou remotos.


Por Assessoria de Imprensa
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A redução de quase 70% nos congestionamentos em São Paulo durante o jogo da Seleção reforçou o debate sobre como modelos de trabalho mais flexíveis podem influenciar a mobilidade urbana e a qualidade de vida dos trabalhadores. Foto: xload para Depositphotos

Uma coincidência entre futebol e mobilidade urbana chamou a atenção nesta semana. Com o jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, muitas empresas flexibilizaram o expediente ou adotaram o home office, e o reflexo apareceu rapidamente nas ruas de São Paulo.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a capital registrou 122 quilômetros de congestionamento durante a manhã — uma redução de quase 70% em relação à segunda-feira anterior, quando haviam sido contabilizados 421 quilômetros de lentidão no mesmo horário.

Embora a mudança tenha sido pontual, os números reacenderam uma discussão que vem ganhando espaço desde a pandemia: até que ponto modelos de trabalho mais flexíveis podem contribuir para reduzir congestionamentos, melhorar a mobilidade urbana e aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores?

Um estudo nacional da WeWork, realizado com 2.500 trabalhadores brasileiros em parceria com a Offerwise, ajuda a explicar por que um único dia de trabalho remoto pode produzir efeitos tão perceptíveis no trânsito das grandes cidades.

O presencial voltou, mas nem todos querem esse modelo

A pesquisa mostra que o retorno aos escritórios já é uma realidade consolidada. Atualmente, 63% dos profissionais trabalham de forma totalmente presencial, enquanto os modelos híbrido e remoto representam uma parcela menor da força de trabalho. Além disso, entre quem atua presencialmente, 79% seguem políticas definidas pelas empresas, demonstrando que a volta ao escritório deixou de ser uma fase de transição e passou a integrar a estratégia organizacional de muitas companhias.

Por outro lado, quando os trabalhadores são questionados sobre o formato que preferem, o cenário muda significativamente.

Apenas quatro em cada dez afirmam que escolheriam o trabalho totalmente presencial. Os demais optariam por alguma modalidade mais flexível: cerca de 30% preferem o modelo híbrido e outros 30% escolheriam trabalhar remotamente. Na prática, seis em cada dez profissionais demonstram preferência por um formato que não exige presença diária no escritório.

Esse descompasso entre o modelo adotado pelas empresas e a preferência dos trabalhadores ajuda a entender por que alterações pontuais na rotina corporativa podem produzir impactos relevantes no trânsito das grandes cidades.

O deslocamento pesa na decisão

Boa parte dessa preferência está diretamente ligada à mobilidade. Entre as principais desvantagens apontadas pelos entrevistados em relação ao trabalho presencial, 65% citam o tempo gasto nos deslocamentos. Outros 53% mencionam o custo do transporte, enquanto 43% afirmam perder tempo que seria possível dedicar à vida pessoal. Também aparecem entre as preocupações a redução do tempo de descanso, a insegurança durante os deslocamentos e a maior exposição a doenças.

Os resultados dialogam diretamente com o que se observou em São Paulo durante a partida da Seleção. Menos pessoas precisaram se deslocar ao mesmo tempo, reduzindo a demanda sobre o sistema viário e diminuindo significativamente os congestionamentos.

Embora um único dia não seja suficiente para estabelecer uma relação definitiva entre trabalho remoto e melhoria da mobilidade, ele funciona como um exemplo prático de como pequenas mudanças na distribuição dos deslocamentos podem influenciar o trânsito em grandes centros urbanos.

Nem tudo favorece o trabalho remoto

Ao mesmo tempo em que reduz deslocamentos, o home office também apresenta desafios.

O levantamento mostra que o ambiente presencial continua sendo valorizado por favorecer a integração entre equipes, fortalecer relacionamentos profissionais, facilitar a comunicação e ampliar a percepção de produtividade. Para muitos profissionais, o escritório continua exercendo um papel importante na construção de vínculos e na colaboração entre colegas.

Já se associa o trabalho remoto principalmente à economia de tempo, maior flexibilidade de horários, redução de custos e melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Em contrapartida, os entrevistados também apontam riscos como isolamento profissional, dificuldades de colaboração, perda do senso de pertencimento e impactos na saúde mental.

Esses resultados reforçam que a discussão deixou de ser uma disputa entre trabalho presencial e remoto.

O desafio é encontrar equilíbrio

De acordo com a pesquisa, o mercado ainda busca um modelo capaz de equilibrar produtividade, colaboração e qualidade de vida.

Quatro em cada dez trabalhadores aumentaram a frequência de idas ao escritório em relação ao ano passado, enquanto outros quatro em cada dez mantiveram a rotina sem alterações. O cenário indica que empresas e profissionais ainda estão ajustando suas políticas de trabalho.

O próprio estudo conclui que o futuro do trabalho não passa pela escolha exclusiva entre escritório ou home office, mas pela construção de modelos híbridos que conciliem os benefícios da interação presencial com a flexibilidade desejada pelos trabalhadores.

No caso da mobilidade urbana, episódios como o registrado durante o jogo da Seleção reforçam que políticas de flexibilização da jornada — mesmo quando adotadas de forma ocasional — podem contribuir para distribuir melhor os deslocamentos ao longo do dia, reduzindo congestionamentos e seus impactos sobre a qualidade de vida da população.

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