
Devolver um carro alugado não significa, necessariamente, que todas as pendências relacionadas à viagem estejam encerradas. Uma infração de trânsito registrada durante o período de locação pode ser notificada dias ou semanas depois, surpreendendo o motorista com uma cobrança que não estava prevista no orçamento.
O alerta é da Zapay, empresa de serviços digitais de pagamento de débitos veiculares que integra o ecossistema do Sem Parar. A empresa chama a atenção para a importância de acompanhar possíveis multas após a devolução do automóvel e de conhecer as condições previstas no contrato de locação.
A orientação ganha relevância diante do tamanho do mercado brasileiro. Segundo o Anuário ABLA 2026, da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, o setor encerrou 2025 com uma frota de 1.717.848 automóveis e comerciais leves, crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior.
Para quem utiliza carros alugados em viagens de férias, compromissos profissionais ou deslocamentos ocasionais, entender como funcionam as notificações e a responsabilidade pelas infrações pode evitar dúvidas e cobranças inesperadas.
Por que a multa pode chegar depois da devolução do carro?
Nem toda infração de trânsito é percebida pelo motorista no momento em que acontece.
O excesso de velocidade registrado por radares, por exemplo, pode gerar uma autuação sem que o condutor seja abordado por um agente de fiscalização.
Nessas situações, a notificação é expedida posteriormente pelo órgão responsável.
Como o veículo pertence à locadora, a comunicação normalmente é direcionada à empresa, que poderá identificar o motorista responsável pelo automóvel na data e no horário da infração.
Por isso, mesmo que a viagem tenha terminado e o carro já esteja com outro cliente, uma infração cometida durante a locação pode gerar consequências para quem estava dirigindo.
Quem paga a multa de um carro alugado?
Em regra, o motorista responsável por uma infração cometida durante o período de locação deve arcar com os custos correspondentes, observadas as disposições legais e contratuais.
As locadoras costumam estabelecer nos contratos os procedimentos para comunicação de infrações, identificação do condutor assim como eventual cobrança de valores.
Também podem existir taxas administrativas relacionadas ao processamento das notificações, conforme as condições contratadas.
Por isso, antes de efetuar o pagamento de uma cobrança recebida após a viagem, o consumidor deve conferir os dados da ocorrência e verificar se ela corresponde ao período em que estava utilizando o automóvel.
É importante observar a data, o horário, o local, a placa do veículo e a descrição da infração.
Caso encontre alguma divergência, o motorista deve procurar a locadora e solicitar esclarecimentos.
E os pontos na CNH, para quem vão?
A responsabilidade pelo pagamento da multa não deve ser confundida com a atribuição de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Nas infrações de responsabilidade do condutor, a identificação correta de quem dirigia o veículo é fundamental para a aplicação das consequências administrativas correspondentes.
A Resolução Contran nº 918/2022 disciplina procedimentos relacionados à autuação, à notificação e à identificação do condutor infrator.
Conforme a norma, quando a infração não é constatada mediante abordagem, a indicação do responsável deve observar o prazo informado na notificação e os procedimentos estabelecidos pelo órgão autuador.
Como as locadoras geralmente são pessoas jurídicas, a falta de identificação do condutor pode gerar consequências específicas para a empresa proprietária do veículo, inclusive a multa por não identificação do condutor, quando aplicável.
Para o motorista, é importante fornecer corretamente os dados solicitados bem como acompanhar eventuais comunicações sobre a infração.
Quanto pode custar uma multa por excesso de velocidade?
O excesso de velocidade é uma das infrações que podem ser registradas sem abordagem do condutor.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as penalidades variam conforme o percentual de velocidade excedido em relação ao limite regulamentado para a via.
Quando a velocidade considerada supera o limite em até 20%, a infração é média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH.
Se o excesso for superior a 20% e de até 50%, a infração é grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos.
Já quando a velocidade considerada ultrapassa o limite em mais de 50%, a infração é gravíssima, com multa de R$ 880,41 e penalidade de suspensão do direito de dirigir.
Essas consequências demonstram a importância de respeitar os limites de velocidade mesmo quando o motorista está utilizando um veículo alugado.
Como consultar multas depois da viagem?
A primeira providência é verificar as informações fornecidas pela locadora sobre o procedimento de comunicação de infrações.
O motorista também pode acompanhar notificações e informações relacionadas à sua habilitação pelos canais oficiais disponibilizados pelos órgãos de trânsito.
Outra possibilidade é utilizar serviços digitais que oferecem consulta e pagamento de débitos veiculares.
A Zapay, por exemplo, disponibiliza em seu aplicativo ferramentas para consulta de débitos, pagamento via Pix ou cartão de crédito e alertas sobre novas ocorrências.
No entanto, como o veículo alugado está registrado em nome da locadora, a consulta feita diretamente pelo motorista pode depender das informações disponíveis e das condições de acesso ao serviço.
Por isso, a comunicação com a empresa responsável pela locação continua sendo importante para confirmar eventuais cobranças.
Recebeu uma cobrança inesperada? Veja o que conferir
Ao receber uma comunicação sobre multa depois da devolução do carro, alguns cuidados podem ajudar a esclarecer a situação.
O primeiro é confirmar se a data e o horário da infração correspondem ao período de locação.
Também é importante verificar a identificação do veículo e o órgão responsável pela autuação.
O consumidor deve conferir se o valor cobrado corresponde à multa de trânsito ou se inclui alguma taxa administrativa prevista no contrato.
Outro ponto é solicitar os documentos e as informações que permitam identificar a origem da cobrança.
Se houver discordância em relação à infração, o motorista deve observar os procedimentos e prazos de defesa e recurso previstos na legislação de trânsito.
A contestação da autuação perante o órgão competente é diferente de uma eventual discussão contratual com a locadora sobre a cobrança.
Cuidados começam antes de retirar o veículo
Embora a atenção às multas seja importante depois da viagem, alguns cuidados devem ser adotados ainda no momento da contratação.
Antes de retirar o automóvel, o motorista deve ler as cláusulas relacionadas à responsabilidade por infrações, identificação do condutor e cobrança de taxas administrativas.
Também é recomendável verificar as condições gerais do veículo e registrar eventuais avarias identificadas na retirada.
Na devolução, guardar o comprovante de encerramento da locação e os documentos relacionados à contratação pode facilitar a solução de dúvidas posteriores.
Esses registros ajudam a comprovar o período em que o automóvel esteve sob responsabilidade do cliente.
Planejamento evita surpresas após a viagem
O crescimento do setor de locação amplia as possibilidades de deslocamento para motoristas que precisam de um veículo temporariamente.
Entretanto, a praticidade do serviço não elimina as responsabilidades relacionadas à condução e ao cumprimento das regras de trânsito.
Para quem alugou um carro, a principal orientação é não considerar a devolução das chaves como o encerramento automático de todas as obrigações.
Acompanhar possíveis notificações, guardar os documentos da locação e conferir as condições contratuais são medidas que ajudam a evitar transtornos.
Acima de tudo, respeitar os limites de velocidade, a sinalização e as demais normas de circulação continua sendo a melhor forma de prevenir infrações e contribuir para a segurança viária.