21 de setembro de 2026

Brasil registra 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade em apenas dois meses

Dados de janeiro e fevereiro também mostram mais de 600 mil autuações pelo uso de celular ao volante e 384 mil pela falta do cinto de segurança.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 21/09/2026 às 17h30
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excesso de velocidade dois meses
O risco de morte de um pedestre atropelado aumenta 4,5 vezes quando a velocidade passa de 50 km/h para 65 km/h. Foto: Divulgação

O Brasil registrou mais de 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade em apenas dois meses. Os registros, referentes a janeiro e fevereiro de 2026, representam quase metade das 15,9 milhões de infrações contabilizadas no país no mesmo período, segundo dados do Registro Nacional de Infrações de Trânsito (Renainf) e da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Os números chamam atenção especialmente durante a Semana Nacional do Trânsito, realizada entre 18 e 25 de setembro, período dedicado a ampliar o debate sobre comportamentos que colocam em risco motoristas, passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres.

E o problema não está apenas na velocidade. Nos mesmos dois meses, foram contabilizadas 601.349 autuações pelo uso de celular ao volante e outras 384.070 pela falta do cinto de segurança.

Os três comportamentos têm algo em comum: podem reduzir a margem disponível para evitar ou minimizar as consequências de um sinistro.

Por que alguns quilômetros por hora fazem diferença?

A relação entre velocidade e gravidade das ocorrências é um dos principais pontos de atenção para a segurança viária.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cada aumento de 1% na velocidade média está associado a uma elevação de 4% no risco de sinistro fatal e de 3% no risco de sinistro grave.

Para os usuários mais vulneráveis, a diferença pode ser ainda maior. Conforme os dados, o risco de morte de um pedestre atropelado aumenta 4,5 vezes quando a velocidade passa de 50 km/h para 65 km/h.

Isso acontece porque a velocidade interfere tanto no tempo e no espaço disponíveis para reagir quanto na energia envolvida em uma eventual colisão.

O alerta está alinhado à discussão proposta durante a Semana Nacional do Trânsito. Neste ano, uma das campanhas desenvolvidas para o período pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) utiliza o tema “O que a pressa não deixa você ver”, chamando atenção para velocidade, distração e percepção de risco.

Celular ao volante também aparece entre as infrações

Os mais de 600 mil registros de uso do celular ao volante nos dois primeiros meses do ano acrescentam outro componente à discussão.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), motoristas que utilizam o celular enquanto dirigem têm cerca de quatro vezes mais chance de se envolver em um sinistro.

“A velocidade e a distração reduzem justamente aquilo que o motorista mais precisa no trânsito: tempo e capacidade para perceber o ambiente, interpretar uma situação de risco e reagir. Quando olhamos para milhões de autuações em apenas dois meses, fica evidente que não estamos falando de comportamentos isolados. O desafio é combinar conscientização, fiscalização e infraestrutura capaz de gerar informações continuamente sobre o que acontece nas vias”, afirma Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia e Produtos da Pumatronix.

Inteligência artificial amplia monitoramento nas rodovias

Ao mesmo tempo em que os números mostram a dimensão das infrações, novas tecnologias vêm ampliando a capacidade de monitorar o que acontece nas vias.

Um exemplo está na SP-340, onde sistemas de inteligência artificial identificaram mais de 18,7 mil infrações em 12 meses, segundo dados da concessionária Renovias.

Foram 14.265 ocorrências relacionadas à falta do cinto de segurança e 4.462 relacionadas ao uso do celular.

Câmeras equipadas com sistemas de visão computacional podem ser utilizadas para leitura automática de placas, classificação de veículos e análise do fluxo de tráfego. Com recursos de inteligência artificial, também é possível identificar situações previamente configuradas, como ausência do cinto, uso do celular, avanço de sinal vermelho e conversões proibidas.

Isso não significa, porém, que a tecnologia seja responsável sozinha pela decisão sobre uma infração.

“A inteligência artificial permite extrair da imagem informações que antes dependiam muito mais da observação pontual. Uma câmera pode acompanhar continuamente o fluxo e identificar determinadas situações previamente configuradas para análise. Isso não elimina o papel da fiscalização nem transforma a tecnologia em responsável pela decisão final, mas aumenta a capacidade de monitoramento e permite trabalhar com um volume de informação que seria muito difícil acompanhar apenas de forma manual”, explica Krzyzanovski.

Tecnologia também pode identificar condições da rodovia

O monitoramento tecnológico não se restringe às condutas dos motoristas.

Sensores instalados ao longo das rodovias também podem acompanhar alterações nas condições meteorológicas e do próprio pavimento, como chuva, temperatura, umidade, vento, redução da visibilidade e presença de água sobre a pista.

Esse tipo de informação pode ser utilizado por quem administra a rodovia para acompanhar mudanças que nem sempre são perceptíveis para o motorista antes de chegar ao trecho afetado. “Nem sempre a condição encontrada no início de uma rodovia será a mesma alguns quilômetros à frente. O motorista percebe essa mudança quando chega ao trecho, enquanto sensores distribuídos pela infraestrutura permitem que a operação acompanhe essas variações localmente. Saber onde a chuva está mais intensa, onde a visibilidade caiu ou onde as condições do pavimento mudaram acrescenta uma camada importante de informação para quem administra a via”, afirma Marcio Malewschik, diretor Comercial da Plugfield.

Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024

A discussão sobre comportamento e fiscalização ocorre diante de um cenário ainda preocupante de segurança viária. O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, base consolidada mais recente apresentada no levantamento, contra 34.881 em 2023. O aumento foi de 6,5%, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pelo ONSV.

Embora fiscalização e novas tecnologias possam contribuir para identificar comportamentos e situações de risco, elas não substituem as decisões tomadas por quem está ao volante.

“A tecnologia não substitui a atenção do motorista. São papéis diferentes. Quem está ao volante precisa respeitar os limites, evitar distrações e tomar decisões seguras. O papel da infraestrutura inteligente é ampliar a capacidade de monitoramento de quem administra a via, gerando dados que ajudem a identificar comportamentos, padrões e condições que exigem atenção. A Semana Nacional do Trânsito traz justamente uma mensagem sobre percepção, e hoje essa discussão também pode ser feita olhando para a capacidade que as vias têm de produzir informação”, conclui Alexandre Krzyzanovski.

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