Série de acidentes no Vale do Paraíba: o que está por trás da escalada de tragédias nas rodovias?

A concentração de ocorrências fatais em um curto período acendeu um sinal de alerta sobre as condições de segurança viária na região.


Por Mariana Czerwonka
acidentes Vale do Paraiba
Trecho da Rodovia Presidente Dutra em São José dos Campos. Foto: Pesquisa CNT de Rodovias 2024

Pelo menos dez pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito registrados entre os dias 1º e 4 de agosto de 2025 na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. A concentração de ocorrências fatais em um curto período acendeu um sinal de alerta sobre as condições de segurança viária na região e reacendeu o debate sobre prevenção, fiscalização e infraestrutura.

Grande parte dos acidentes aconteceu na Rodovia Presidente Dutra, uma das mais movimentadas do país, que cruza a região ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Os casos envolveram desde colisões frontais e atropelamentos até capotamentos com veículos pesados, como caminhões. Os dados, ainda que parciais, refletem uma tendência preocupante: o número de mortes nas rodovias paulistas vem crescendo em 2025, com o primeiro semestre já sendo apontado como o mais letal desde 2016.

“Infelizmente, esses números não nos surpreendem. A combinação entre excesso de velocidade, desatenção, falta de infraestrutura adequada e comportamento de risco continua sendo devastadora”, afirma Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal.

Causas

Conforme o levantamento mais recente do Infosiga-SP, cerca de 90% dos acidentes fatais no estado têm como causa principal falhas humanas. Ainda assim, a responsabilidade pela segurança não pode recair unicamente sobre o condutor. Fatores como sinalização deficiente, falta de manutenção nas pistas, ausência de passarelas e trechos mal iluminados também agravam os riscos.

Um dos casos que mais chamou atenção ocorreu em São José dos Campos, onde um caminhão perdeu o controle e colidiu contra um viaduto, deixando rastro de destruição e interrompendo o tráfego por horas. Em outra ocorrência, um pedestre foi atropelado em um trecho mal iluminado, sem faixas de travessia visíveis.

Para Celso Mariano, a análise desses eventos deve ir além da estatística. “Cada uma dessas vidas perdidas representa uma família destruída. Precisamos entender o que está falhando sistemicamente: se são os projetos das vias, a ausência de engenharia de tráfego, a precariedade da fiscalização ou a negligência com campanhas de educação”, pontua.

A situação no Vale do Paraíba é emblemática por ocorrer em uma região com intenso fluxo de veículos e histórico de acidentes. Mas poderia ter acontecido em qualquer outra região do país. Por isso, o episódio exige uma resposta nacional, com reforço da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, revisão dos pontos críticos pelas concessionárias e ações integradas entre prefeituras, Detrans e órgãos estaduais.

Enquanto isso, a população segue exposta à insegurança cotidiana nas estradas. E o Brasil, infelizmente, mantém sua posição entre os países com maior número de mortes no trânsito — um drama que só será revertido com políticas públicas consistentes, investimentos estruturais e, sobretudo, mudança de cultura.

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